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10 mitos sobre Cancro da Mama

Maria Manuel Monteiro, Especialista de Radiologia, desmistifica dez crenças sobre o tipo de cancro mais comum entre as mulheres

Outubro é o mês em que o rosa ganha um novo significado — o da sensibilização para o cancro da mama. Apesar de ser o tipo de cancro mais comum entre as mulheres, continua envolto em mitos e ideias erradas que podem comprometer a prevenção e o diagnóstico precoce.

Em Portugal, segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, são detetados anualmente cerca de 9 mil novos casos de cancro da mama e mais de 2 mil mulheres morrem com esta doença. Excluindo o cancro da pele, é o tipo de cancro mais frequente entre a população feminina e uma das doenças com maior impacto na nossa sociedade.

Para esclarecer o que é verdade e o que é ficção, Maria Manuel Monteiro, Especialista de Radiologia na Clínica Mulher, desmistifica dez crenças frequentes e explica, ponto por ponto, o que cada mulher deve realmente saber sobre o rastreio, o tratamento e a vigilância do cancro da mama.

Maria Manuel Monteiro, Especialista de Radiologia

Mito 1

“O autoexame substitui a mamografia.”

O autoexame é útil para conhecer o corpo e saber reconhecer alterações, mas não substitui a mamografia de rastreio, que é a estratégia com melhor evidência científica para reduzir a mortalidade associada ao cancro da mama.

A tecnologia ocupa um papel central no rastreio. Sistemas digitais de alta resolução, tomossíntese 3D e o apoio de Inteligência Artificial aumentam a capacidade de detetar lesões pequenas ou ocultas pela sobreposição tecidular.

Por isso, é importante fazer o autoexame, mas nunca se deve excluir a realização da mamografia.

Mito 2

“A mamografia é perigosa por causa da radiação.”

A dose de radiação aplicada na mamografia é baixa e, nas idades e contextos recomendados, o benefício supera claramente o risco.

Trabalhamos com protocolos otimizados ao biótipo mamário e detetores modernos capazes de obter a melhor imagem com a menor dose possível.

Uma mamografia bilateral nas incidências convencionais equivale aproximadamente a dois meses de exposição à radiação natural.

Ou seja, a proteção que o rastreio oferece sobrepõe-se largamente ao risco da radiação.

Mito 3

“Sem história familiar não tenho risco.”

Mesmo sem casos na família, é importante manter o rastreio.

É verdade que uma mulher com histórico familiar tem um risco mais elevado, mas todas as mulheres devem cumprir o rastreio adequado à idade.

Ferramentas de Inteligência Artificial podem atuar como segunda leitura do exame, apoiando a identificação de achados subtis e complementar a análise do radiologista.

Mito 4

“Se não sinto nódulo, não é cancro.”

Muitos tumores iniciais não são palpáveis.

Outros sinais também exigem atenção, como a retração do mamilo ou da pele, alteração recente da forma ou do volume mamário, corrimento mamilar sanguinolento e inflamação persistente.

Perante estas alterações é necessária a avaliação clínica e imagiológica.

Não espere por “sentir um caroço” para marcar uma avaliação.

Mito 5

“Todos os nódulos são malignos.”

Ter um nódulo não significa automaticamente malignidade.

A maioria dos nódulos é benigna, nomeadamente quistos, fibroadenomas ou alterações fibroquísticas.

Ainda assim, todo nódulo novo deve ser avaliado com exame clínico e imagiologia apropriada.

A ecografia de alta resolução é muito útil na diferenciação de nódulos sólidos e quistos e orienta biópsias guiadas com precisão e conforto, permitindo um diagnóstico mais rápido, evitando cirurgias desnecessárias.

Mito 6

“Mulheres jovens não têm cancro da mama.”

O cancro da mama é menos frequente em mulheres jovens, mas pode ocorrer, sobretudo quando existe risco hereditário.

Em famílias com vários casos diagnosticados em idade jovem, o aconselhamento genético deverá ser equacionado para orientar a vigilância conforme o risco.

Nos casos de alto risco, a ressonância magnética pode integrar protocolos específicos, sempre com indicação clínica.

É importante que cada mulher conheça o seu risco e procure orientação, mesmo sendo jovem.

Mito 7

“Próteses mamárias impedem a mamografia.”

As próteses mamárias não impedem a realização da mamografia, mas exigem técnica própria, com projeções adicionais e ecografia complementar.

Informar a equipa de radiologia é importante para planear o posicionamento e as incidências adequadas.

Diga sempre que tem próteses, para que o exame seja devidamente adaptado.

Mito 8

“A mamografia é sempre muito dolorosa.”

A mamografia pode causar ligeiro desconforto, mas não deve ser dolorosa. Podemos utilizar técnicas de compressão otimizada e adaptativa, palas ergonómicas e tempos de aquisição curtos, que aumentam o conforto sem comprometer a qualidade da imagem.

Se sentir dor, informe a equipa de radiologia, para que as técnicas possam ser ajustadas.

Outra dica é agendar o exame entre 7.º e 12.º dia do ciclo menstrual (logo a seguir à menstruação), período em que a maioria das mulheres apresenta menor sensibilidade mamária, o que reduz o desconforto durante o exame.

Mito 9

“O estilo de vida não altera o meu risco.”

Hábitos de vida saudáveis, como atividade física regular, higiene do sono, alimentação equilibrada e evitar o consumo de álcool e tabaco, estão associados a menor risco ao longo da vida.

Em sobreviventes, está comprovado que a atividade física e o controlo do peso associam-se a menor taxa de recidiva e melhor qualidade de vida.

Por isso, devem fazer parte de um plano integral de cuidados a longo prazo.

 Mito 10

“Terminei o tratamento, terminou a vigilância.”

Após o tratamento, é essencial manter um seguimento estruturado, com consultas de senologia, mamografia anual associada a ecografia mamária e, quando clinicamente indicado, ressonância magnética.  A vigilância permite detetar precocemente recidivas ou segundos tumores.

Tecnologias recentes como a mamografia 3D com tomossíntese integrada e a dupla leitura das imagens com apoio da Inteligência Artificial, aumentam a consistência, a rastreabilidade e a rapidez no diagnóstico.

Lembre-se que a vigilância protege o seu futuro.

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