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A maternidade não limita quem sou

Ser mãe é o apogeu da essência de ser mulher… Uma ideia quase arcaica, mas que ainda persiste. A maternidade foi — e continua a ser — romantizada aos olhos da sociedade e demonizada aos olhos das empresas. Olhada quase como uma obrigatoriedade, esta ideia de que a mulher deverá ser mãe ou será uma mulher incompleta…

Foi dito, desde cedo, que, dentro da mulher, cabia o mundo. Porém, esse mundo era específico, tinha nome, rosto e herança. Disseram que floresceria, apenas quando fosse jardim para outro, que o seu corpo era promessa, destino traçado em silêncio antigo.

Desde cedo, vivemos diferenças marcantes, construída por práticas, discursos e símbolos que associam a mulher ao cuidado, à sensibilidade e à responsabilidade familiar. A capacidade de a mulher gerar uma vida não deve, em momento algum, ser confundida com uma obrigação ou destino marcado. Uma narrativa poderosa, em que a maternidade é o destino natural e em prol da família e da abnegação, um lugar onde a mulher abranda, se recolhe e, de algum modo, se reduz. Como se, ao tornar-se mãe, deixasse de ser tudo o resto. Deixasse de transportar o seu nome próprio, para carregar — somente! — o nome de “Mãe”… esse nome pelo qual, muitas vezes, até o companheiro assim a trata.

Quando se torna mãe, a identidade da mulher é “rasgada”, tornando-a quase invisível. A exigência sobrecarrega a mulher, nesta travessia que, mesmo com suporte, será sempre individual. Numa sociedade masculinizada em que o verbo “fazer” continua a comandar, a mulher vive numa dicotomia. Produzir para se afirmar e, ao mesmo tempo, cumprir o seu “dever” de ser mãe.

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