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AUTONOMIZAR: Poder que emancipa

Olá, querida leitora! Para o mês de Abril trago-lhe o tema do “Poder que Emancipa”.

Falamos frequentemente de poder como conquista. Como lugar alcançado, cargo obtido, espaço ocupado. Mas raramente refletimos sobre o que fazemos com ele quando finalmente o temos. Num tempo em que mais mulheres começam finalmente a chegar a posições de decisão, à pergunta essencial “como lá chegar?” junta-se uma outra, igualmente exigente: que tipo de poder queremos exercer?

Há um poder que concentra, que protege excessivamente, que decide por outros em nome do cuidado. E há um poder que emancipa. Que ensina. Que prepara. Que distribui responsabilidade. Que autonomiza.

Confundimos muitas vezes apoio com substituição, boa intenção com dependência, liderança com controlo. No entanto, sempre que retiramos às pessoas a possibilidade de decidir, de aprender, de assumir consequências, estamos a enfraquecê-las, mesmo quando acreditamos estar a ajudá-las.

A verdadeira transformação não nasce da proteção permanente. Nasce da autonomia construída. Ao longo dos últimos anos, em diferentes contextos sociais e culturais, observei um padrão consistente: quando oferecemos ferramentas, mas também responsabilidade; quando exigimos compromisso, mas garantimos contexto; quando ensinamos em vez de resolver, as pessoas crescem. E quando crescem, transformam as suas comunidades.

O mesmo acontece nas organizações. Equipas excessivamente dependentes da validação constante das suas lideranças não inovam. Colaboradores que não são chamados a decidir não desenvolvem pensamento crítico. Estruturas que evitam o erro a todo o custo produzem fragilidade, não excelência.

Exercer poder com responsabilidade implica aceitar que autonomia gera risco. Implica tolerar que os outros façam diferente. Implica abdicar do protagonismo constante para permitir crescimento real. É mais fácil ser indispensável do que formar pessoas que já não precisam de nós, mas só a segunda opção é sustentável.

Quando falamos de empoderamento feminino, talvez devêssemos começar aqui. Não apenas na ocupação de lugares de decisão, mas na forma como esses lugares são exercidos. Não apenas na igualdade de acesso, mas na qualidade do impacto. Que líderes queremos ser? As líderes que acumulam centralidade ou as que criam autonomia à sua volta? As que mantêm dependências subtis ou as que constroem estruturas mais fortes do que a sua própria presença?

O poder que emancipa é menos visível no imediato. Não gera aplausos rápidos. Mas deixa legado. Num mundo que continua a enfrentar desigualdades estruturais, instabilidade social e fragilidade institucional, talvez a maior responsabilidade de quem tem influência seja esta: não criar seguidores, mas criar decisores. Porque o poder, quando bem exercido, não se mede pela autoridade que concentra, mede-se sim pela autonomia que gera.

Autonomize by THF.


Susana Garrett Pinto

Susana Pinto_by THF

TEACH How to Fish | Poder, Autonomia e Responsabilidade

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