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Cristina Branco regressa aos palcos

O seu mais recente trabalho, ‘Eva’, foi lançado em março, mas a pandemia que parou o mundo impediu-a de o apresentar ao vivo. O aguardado reencontro com o público está agendado para o dia 5 de outubro, no Cineteatro Louletano, em Loulé, e para 8 de outubro, no Capitólio, em Lisboa.

De uma residência artística na Dinamarca e de alguns momentos mais difíceis da vida de Cristina Branco, nasceu, já há cerca de 15 anos, Eva, um alter ego da cantora, tida com uma das mais marcantes vozes femininas do panorama musical nacional e nome fundamental da música popular portuguesa contemporânea. Eva, como a própria Cristina revela, reflete muito de si, numa versão mais direta e livre. Do seu diário, de Eva, de uma nova residência artística em Loulé e do regresso a Copenhaga, cidade berço de Eva, surge um trabalho que a autora assume como biográfico e catártico. Co-produzido pela própria, em conjunto com os seus músicos Bernardo Moreira, Bernardo Couto e Luís Figueiredo, ‘Eva’, que sucede a ‘Menina’, de 2016, e a ‘Branco’, de 2018, marca o final de uma espécie de trilogia. A apresentação do disco, que integra letras de autores como Francisca Cortesão, Márcia, Filipe Sambado, Pedro da Silva Martins, Sara Tavares ou André Rodrigues (dos Linda Martini), entre outros, e da própria Cristina (em ‘Só Contas de Multiplicar’), que conta, ainda, com a assinatura de Joana Linda em toda a componente visual (vídeo e fotografia), está agendada para 5 de outubro, no Cineteatro Louletano, em Loulé, 8 de outubro, no Capitólio, em Lisboa e 10 de outubro, no Teatro Aveirense, em Aveiro, seguindo-se a muito aguardada tour europeia.

O seu mais recente álbum chama-se ‘Eva’, que funciona como alter-ego? Pode falar-nos um pouco sobre o álbum e sobre a Eva?

Sim, Eva é o meu alter-ego e este disco serviu, como quase todos os meus discos – ou, pelo menos, gosto de pensar assim – como catarse. De alguma forma, foi o momento de pegar nesta Eva, que já tem alguns anos, cerca de 15. Foi um trabalho que partiu de um momento mais difícil, de grandes dúvidas, em que acabei por escrever este mesmo alter-ego. Ele existe, porque está escrito, porque tem uma história [risos]. A vida vai-nos transformando e, no fundo, penso que uso a escrita para me renovar e para me perceber melhor. Portanto, quando escrevo essas situações, menos positivas, é mais para olhar para elas, que ali plasmadas no papel, ganham outra dimensão, não ficaram apenas no plano do pensamento.

É, então, um trabalho que reflete, através da Eva, muito da Cristina?

Muito. Tem um lado muito biográfico. Mais recentemente, tirei algumas passagens do meu diário e foi com essas passagens que propus aos autores que escrevessem sobre a Eva. Falei-lhes sobre a Eva, contei-lhes a história e mostrei-lhes algumas passagens deste último diário, também para se perceber um pouco como é que evoluí, como é que, enquanto ser humano e enquanto mulher, cresci de lá para cá. Foi baseado nisso que todos escreveram sobre esta Eva misteriosa.

O processo criativo de ‘Eva’ acaba por passar por essa maior revelação sobre a Cristina?

Sim e faço isso quase inconscientemente. É na minha música onde mais rapidamente me encontro, onde me sinto mais confortável. Sempre que tenho alguma dúvida, é àquele momento que recorro. Por isso digo que cada disco tem muito de catarse, porque é ali que encontro as soluções, é dali que parto para o futuro e não só, necessariamente, enquanto cantora, mas enquanto pessoa, enquanto indivíduo. Embora as duas estejam muito ligadas, esta Cristina e esta Eva, logicamente. Mas, no fundo, a Eva ajuda-me a encontrar uma Cristina mais à vontade.

Assume essa semelhança de catarse nos seus trabalhos. O que é que aponta como diferença? O que é que ‘Eva’ tem de diferente?

No fundo, este disco revela mais de mim. É mais direto. É dizer as coisas, exatamente como elas são. Todos os meus discos têm uma pequena história, em que, no fundo, me diluo, de alguma forma. Todos, na verdade, falam muito sobre mim e sobre o meu crescimento, como indivíduo, mas este é mais óbvio. Neste, fiz alguma questão que as pessoas percebessem que, no fundo, somos todos iguais e que todos temos as mesmas questões. Acabamos todos por ter as mesmas questões, todos passamos por elas e todos temos que as ultrapassar, de uma forma ou de outra. Por isso gosto da ideia de dizer que é um disco muito biográfico, porque fala mesmo de mim. Só que, no fundo, acaba por refletir um pouco de todos nós.

Diria que chegou ao fim desta revelação de si mesma? Diria que vê um ciclo terminado?

Neste momento, sim, mas a vida não acaba aqui, não se esgota, não se esgota com o ‘Eva’. Mas diria que sim, gosto mesmo de pensar que estes três últimos discos, o ‘Menina’, o ‘Branco’ e o ‘Eva’ constituem uma trilogia que marca um momento.

O disco integra vários autores como Francisca Cortesão, Márcia, Filipe Sambado, Kalaf, entre outros, que apresentam diferentes abordagens à música, que vêm de quadrantes diferentes. Era um propósito chegar a uma maior abrangência musical ou qual era o propósito com esta diversidade de abordagens?

Esse é sempre o desafio, termos pessoas de várias latitudes musicais, porque são todos portugueses e a grande parte é mulher, na verdade. Mas gosto dessa ideia de ter pessoas de lados diferentes da música a escreverem, porque há sempre uma perceção, obrigatoriamente, diferente, do texto, na forma como será usado.

Acaba, também, por abranger um público mais diversificado?

Sim, também e é um maior desafio para nós, porque, em todas aquelas identidades, aproximá-las da nossa música, fazer com que aquilo tudo soe a Cristina Branco, é o grande desafio.

Eva saiu em Março e, inesperadamente, o mundo parou. Viu travada a divulgação do seu trabalho. Como lidou com essa paragem, com essa impossibilidade de ir para o palco?

É quase redundante dizê-lo, mas foi muito difícil. E ainda é. É muito difícil perceber o que é que o futuro nos reserva, perceber se podemos continuar a trabalhar. Porque, na verdade, tudo parou, para mim, até outubro. Significa cerca de 50 concertos cancelados e agora é retomar tudo, sem saber se poderemos retomar, porque 80% do meu trabalho é feito lá fora e como tudo acontece à semana, ainda não sabemos se podemos, como é que podemos, enfim…

Há um desejo enorme de apresentar o seu trabalho ao vivo? Como está a lidar com essa expetativa acrescida?

Claro que sim, é o culminar de tudo. Nós tratamos um trabalho com tanto carinho, fazemo-lo com tanto cuidado, a pensar em todos os detalhes e a pensar nas pessoas e, de repente, não podermos mostrá-lo não é propriamente positivo para a história desse disco. Há uma grande ansiedade em percebermos como é que as pessoas nos vão receber.

Estamos todos ansiosos por concertos, que vão acontecer. O que podemos esperar destes concertos de apresentação? O primeiro será em Loulé, verdade?

Exato, Loulé foi uma das cidades que nos recebeu para trabalharmos o disco. Há muitas imagens captadas que têm a ver com aquela luz de Loulé, há um lado meio mediterrânico e há uma grande vontade de começarmos por aí. E há uma expetativa em relação ao público. Aquilo que vamos mostrar, é, em boa parte, o ‘Eva’, obviamente, mas vamos passar por outras histórias. A minha história tem mais de 20 anos, portanto há sempre coisas a dizer e tanto as pessoas gostam muito de ouvir, como também há uma necessidade minha, de cantar mais fados… Vamos apresentar, como costumo dizer, uma história.

Há essa acrescida expetativa mútua, da Cristina e do seu público?

Sim, claro, os primeiros concertos vão ser mais sensíveis, não sei… Tenho mesmo muita expetativa em relação ao que vai acontecer [risos].

Já falámos nas mudanças que estes últimos meses implicaram e, de facto, ninguém sabe o que vai acontecer, mas, o que é que terá de mudar com tudo isto?

Para já, nós, enquanto músicos, enquanto pessoas ligadas à arte temos de nos organizar. De repente, todos percebemos que havia uma falta de apoio, ficámos sem chão, sem proteção, e que nos deixou a todos muito expostos. É importante que todos tenham percebido isso e que possamos partir para algo que nos possa fortificar. Penso que é fundamental. Enquanto cidadãos, penso que todos temos de ter cuidado connosco para também podermos cuidar de nós, enquanto sociedade. Se todos tivermos cuidado, tudo pode funcionar de forma diferente, sabendo que nada será igual. É a minha questão, mas penso que nada voltará a ser o que era ou, pelo menos, não vamos olhar para o próximo e para as situações da mesma forma. Ou, nos primeiros tempos, com o mesmo à vontade. Vamos todos pensar duas vezes antes de tomarmos determinadas atitudes. Agora, se algo vai mudar radicalmente, como se falou no início de tudo isto, não sei se vai. Algumas coisas, lamentavelmente…

E a relação das pessoas com a música. De que forma vê essa mudança?

Penso que, olhando para Portugal, finalmente as pessoas começavam a consumir música, arte, começava a haver mais concertos, mais exposições, mais teatro, havia um certo aumento da afluência do público. Creio que vai haver uma regressão. No fundo, isto foi um retrocesso de alguns anos. Depende muito de nós, músicos, dos agentes da arte, estimularmos o público, darmos mais confiança.

E em si? O que sente ter mudado, enquanto cantora, que virá a ser refletido, de alguma forma, no seu trabalho?

Penso que alguma fragilidade. É o facto de, de repente, percebermos que não somos infinitos, que tudo, de repente, pode terminar, de um momento para o outro. O que mais senti foi que havia ainda muito para fazer e que lamentava essa estagnação… Demorará a sentirmos essa confiança em nós mesmos. Não sei como é com os meus colegas, mas aquilo que senti foi uma verdadeira falta de confiança. É ter medo de cantar, ter medo de já não ser capaz de fazer, de ter travado a criatividade e conseguir retomar essa confiança em mim demorou algum tempo. Espero que tudo vá para um sítio que permita que nada termine.

Este regresso ao palco poderá significar o regresso a essa confiança?

É curioso que vamos crescendo, vamos mudando algumas opiniões e uma delas é essa. Se, ao início, pensava que não havia dependência alguma do público, julgava que cantava até querer e, se me apetecesse parar, pararia. É, de facto, assim, mas há uma vontade de estar com as outras pessoas enorme e a grande contrapartida de fazer aquilo que faço é poder estar com os outros, é dar uma boa parte de mim às outras pessoas. Ter ficado sem o público, sem aquelas pessoas, foi um pouco traumático.

5 Outubro, Cineteatro Louletano, 21h30, a partir de €12

8 Outubro, Capitólio, 21h30, €15

10 Outubro, Teatro Aveirense, 21h30, €8

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