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Férias grandes, sono em equilíbrio

Recomendações simples e práticas para ajudar os pais a conciliar a flexibilidade própria das férias com hábitos de sono saudáveis.

As férias de verão trazem dias mais longos, praia, viagens, refeições fora de horas e maior flexibilidade. Esta mudança faz parte da infância e deve ser vivida com prazer. No entanto, quando a exceção passa a ser a regra – deitar muito tarde, acordar sem horário, saltar sestas e usar ecrãs até à hora de dormir –, o sono pode perder qualidade e refletir-se no humor, na atenção e no comportamento das crianças.

Manter alguma previsibilidade não significa viver as férias como se fossem dias de escola. Significa proteger uma necessidade básica. O sono infantil depende de rotinas simples e repetidas: luz natural de manhã, movimento durante o dia, refeições relativamente estáveis e uma transição calma antes de dormir. Nas férias, o objetivo não é cumprir horários rígidos, mas evitar alterações muito grandes face ao padrão habitual da criança.

As sestas são um bom exemplo. Se a família prevê um almoço fora, pode ser útil antecipar uma pequena sesta de manhã ou, se a criança já dorme nessa altura, permitir que a sesta seja um pouco mais prolongada. O mesmo se aplica aos jantares: quando se sabe que a noite vai terminar mais tarde, uma sesta mais longa ou ligeiramente mais tardia pode ajudar a criança a chegar melhor ao final do dia, com menos irritabilidade e menor dificuldade em adormecer depois.

Mesmo fora de casa, vale a pena tentar manter as sestas. Nem sempre será na cama habitual, nem com as mesmas condições, mas pode acontecer no carro, no carrinho, na praia, na piscina ou no campo. O mais importante é que o horário das sestas não se afaste demasiado do padrão que a criança já tinha anteriormente. Quando uma criança acumula demasiadas horas acordada, fica mais cansada, mas nem sempre adormece melhor. Muitas vezes acontece precisamente o contrário.

Também a autonomia do sono deve ser preservada sempre que possível. Em viagens ou estadias fora, pode ser necessário partilhar o quarto ou até a cama. Nesses casos, a orientação não deve ser a perfeição, mas sim a menor intervenção possível: manter a sequência habitual antes de dormir, evitar novos hábitos difíceis de retirar depois e responder à criança com segurança, mas sem substituir totalmente aquilo que ela já era capaz de fazer.

Já nos adolescentes, o desafio passa muitas vezes pelos horários sociais, pelos ecrãs e pela tendência para adormecer e acordar mais tarde. Alguma flexibilidade é natural, mas dormir até muito tarde durante semanas pode atrasar ainda mais o relógio biológico. Combinar limites claros para desligar dispositivos e manter uma hora de acordar minimamente previsível ajuda a reduzir o impacto no regresso às aulas.

É também importante lembrar que podem existir regressões durante as férias. Uma criança que já adormecia sozinha pode voltar a pedir mais presença; outra pode acordar mais vezes durante a noite. Isto não deve ser vivido como fracasso. O essencial é que, nos primeiros dias após as férias, a família retome o padrão de sono anterior e as estratégias de autonomia, com consistência e tranquilidade.

As férias devem ser tempo de descanso, descoberta e afeto. Mas descansar não é apenas não ter escola. É também dormir bem. Com rotinas flexíveis, sestas protegidas e pequenos cuidados na hora de dormir, as crianças aproveitam melhor os dias e regressam ao novo ano letivo com mais equilíbrio.


Joana Marques 

Enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediátrica

Professora adjunta na ESSATLA, Escola Superior de Saúde Atlântica

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