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“Menos alarmismo, mais evidência”: Mónica Cró Braz desmonta mitos sobre saúde infantil

Entre conselhos bem-intencionados e mitos que atravessam gerações, continuam a existir muitas ideias erradas sobre o que faz — ou não — bem às crianças. A pediatra Mónica Cró Braz propõe um novo olhar sobre a parentalidade: menos medo, mais confiança e decisões baseadas em evidência científica.

Quantas vezes ouviu dizer que, se o seu filho andar descalço, vai acabar por ficar constipado, ou que, se a sua filha tem febre, é porque “devem ser os dentes”? Estas frases atravessam gerações sem nunca serem postas em causa. Ouvimo-las vezes sem conta nos almoços de família, nas salas de espera, no parque e nas redes sociais. Embora não sejam mal-intencionadas, perpetuam inverdades e alimentam dúvidas, culpas e decisões tomadas por medo.

Entre opiniões e conselhos que passam de geração em geração, há momentos em que é difícil distinguir o que é mito do que é verdade. É nessa altura que vale a pena parar, ouvir a ciência e questionar certezas antigas. Mónica Cró Braz, mãe e pediatra há 18 anos, defende exatamente isso: “menos alarmismo, mais evidência”. No seu novo livro, As crianças não se constipam por andarem descalças, a autora de Pergunte à Sua Pediatra desafia pais e cuidadores a repensarem ideias feitas e a substituírem o “sempre foi assim” por conhecimento fundamentado.

Natural de Lisboa, Mónica Cro Braz é pediatra há 18 anos. Pergunte à Sua Pediatra foi o seu primeiro livro.

O que a levou a escrever As crianças não se constipam por andarem descalças? Sentiu necessidade de clarificar ideias muito enraizadas?

Resolvi aceitar o desafio que a Planeta me lançou de escrever sobre mitos em pediatria, um tema generalista e atual, mais transversal do que o primeiro livro “Pergunte à Sua Pediatra”, focado nos primeiros anos de vida. Achei que com o meu conhecimento de 18 anos de pediatria poderia ajudar a desconstruir mitos e ideias erradas sobre a saúde infantil.

Quais os mitos mais persistentes sobre a saúde das crianças? O que nos diz a ciência sobre eles?

Que os dentes dão febre, que as vacinas causam autismo, que o leite materno é fraco, cansa-o para ele dormir melhor, dar colo vicia, entre tantos outros. Em todos estes casos, a ciência mostra-nos o contrário.

Que tipo de reações tem recebido dos pais quando desmonta estes mitos no consultório?

Os pais, ao contrário dos avós, já não ficam espantados quando digo que andar de calções ou descalço não constipa. Contudo, às vezes ainda ficam admirados quando refiro que os bebés após os seis meses podem comer praticamente todos os alimentos.

Os avós ainda têm um papel forte na transmissão desses mitos? Como lidar com essa diferença de gerações?

Sim, há sempre um choque de gerações que é preciso aprender a gerir. Os pais devem aproveitar os ensinamentos e o apoio dos avós, mas educar os seus filhos de acordo com os valores em que acreditam e as evidências da atualidade, em diversas áreas como a alimentação ou a educação.

Livro As crianças não se constipam por andarem descalças

Porque é que certas crenças — como a de que “andar descalço provoca constipações” — continuam a passar de geração em geração, mesmo num tempo com tanta informação à disposição?

Porque as mentalidades demoram a mudar e mesmo quando as pessoas se confrontam com a evidência, esta vai contra as suas convicções inabaláveis e resiste-se à mudança e à novidade, ficando num sítio confortável e conhecido.

Como é que os pais podem identificar fontes fiáveis de informação? O excesso de informação pode ser tão prejudicial quanto a sua falta? 

O excesso de informação pode confundir e tornar os pais mais ansiosos, pais que estão já numa posição fragilizada na ambição de quererem fazer o melhor possível pelos filhos. O que sugiro é que confiem num ou dois profissionais de saúde para esclarecer dúvidas e informações e que lhes peçam fontes credíveis confiáveis sobre saúde, que não sejam chats de inteligência artificial ou grupos de pais online.

Há algum mito recente que tenha surgido nas redes sociais e a tenha surpreendido?

Há poucas coisas que me surpreendem, mas os mitos à volta da vacinação, difundidos nas redes sociais são falsos, perigosos e colocam em risco a vida das crianças e da população, fazendo reaparecer doenças já eliminadas.

No seu livro, defende uma abordagem “menos alarmista e mais baseada em evidências”. Como é que isso se traduz no dia a dia de uma pediatra?

Aproveitando as consultas de rotina em que se faz prevenção e rastreio de doenças em crianças, através de mensagens simples e claras, que tranquilizam os pais e fornecem-lhes fontes credíveis para consultarem.

De que forma este livro também ajuda os profissionais de saúde a comunicar melhor com as famílias?

Acho que este livro pode gerar curiosidade noutros colegas, fazê-los pensar sobre mitos que perpetuamos de forma inconsciente, fazê-los investigar sobre o assunto e esclarecer melhor as suas famílias.

Se pudesse deixar uma única mensagem aos pais, qual seria?

Se há mitos que não sendo verdade, são inofensivos, outros existem que colocam em risco a saúde e a vida das crianças e dos adultos. Aqui incluem-se todos os mitos à volta da segurança das crianças (Capacetes? Que exagero! Cadeirinha para o carro? Vamos só até ali à esquina. Não vai acontecer nada) e da prevenção contra doenças, incluindo os grandes mitos das vacinas.

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