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Nascemos curiosos. Então porque é que algumas crianças perdem a motivação para aprender?

Se nos primeiros anos de vida a curiosidade parece inesgotável, com perguntas constantes, vontade de explorar e entusiasmo por cada descoberta, para algumas crianças esse interesse vai esmorecendo à medida que crescem.

Há uma pergunta que vários pais acabam por fazer, mais cedo ou mais tarde: porque é que o meu filho deixou de gostar de aprender? Se nos primeiros anos de vida a curiosidade parece inesgotável, com perguntas constantes, vontade de explorar e entusiasmo por cada descoberta, para algumas crianças esse interesse vai esmorecendo à medida que crescem. Na verdade, os trabalhos de casa tornam-se uma obrigação, a escola perde o encanto e aprender passa a ser sinónimo de pressão.

A boa notícia é que a motivação para aprender não depende apenas da personalidade ou das capacidades de cada criança. Efetivamente, a forma como os adultos reagem aos erros, o ambiente em casa, a relação com os professores, a autoestima e até o excesso de foco nas notas podem influenciar, de forma significativa, a vontade de aprender. Afinal, mais do que obter boas classificações, o verdadeiro desafio é preservar algo com que todas as crianças nascem: a curiosidade.

A verdade é que todas as crianças nascem com uma curiosidade natural. Desde os primeiros meses de vida, aprendem através da observação, da exploração e da vontade quase inesgotável de compreender o mundo que as rodeia. É essa curiosidade que as leva a fazer perguntas atrás de perguntas, a experimentar, a explorar e a querer fazer tudo “sozinhas”. No entanto, à medida que crescem e entram no contexto escolar, nem sempre esse entusiasmo se mantém. Para algumas crianças, aprender continua a ser uma aventura; para outras, transforma-se numa obrigação, marcada pelo receio de errar, pela pressão para obter bons resultados ou pela comparação com os colegas.

É precisamente aqui que pais, educadores e professores podem fazer toda a diferença. Mais do que transmitir conhecimentos, são eles que ajudam a construir a forma como a criança olha para a aprendizagem. Quando os adultos valorizam o esforço em vez da perfeição, incentivam as perguntas, respeitam o ritmo de cada criança e encaram o erro como uma oportunidade para crescer, estão a promover uma motivação mais sólida e duradoura. Pelo contrário, quando o foco recai apenas nas notas, na comparação com os outros ou na exigência constante de resultados, o prazer de aprender pode dar lugar à ansiedade e ao medo de falhar.

Criar um ambiente onde a criança se sente segura para explorar, questionar e experimentar é um dos maiores desafios da educação. No fundo, a motivação não nasce apenas daquilo que se aprende, mas também da forma como cada criança se sente durante esse processo. E esta é uma responsabilidade partilhada entre a família, a escola e todos os adultos que a acompanham no seu crescimento.

No final, a motivação para aprender não depende apenas da curiosidade com que todas as crianças nascem, mas também do ambiente que encontram ao longo do caminho. Pais, educadores e professores têm a oportunidade de alimentar esse entusiasmo todos os dias, criando espaços onde há lugar para a descoberta, para a criatividade e, sobretudo, para o erro como parte natural da aprendizagem.

Mais do que formar alunos com boas notas, o verdadeiro desafio é ajudar a formar crianças confiantes, autónomas e com vontade de continuar a fazer perguntas, a procurar respostas e a descobrir o mundo. Isto porque aprender não deve ser apenas um objetivo da escola, mas um prazer que acompanha cada criança ao longo da vida.


Ana Catarina Mesquita

Doutorada e investigadora em Estudos Globais, com especialização nas áreas da educação, cultura e sociedade. O seu trabalho centra-se nas transformações contemporâneas, com particular atenção ao impacto da globalização, da educação e das dinâmicas culturais nas novas gerações.

Contactos

@ana.catarina.mesquita

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