Como diz o ditado, “quem sai aos seus não degenera” — e, no caso de Leonor Rocha, a expressão encaixa na perfeição. Filha de um antigo piloto de Kart Cross e Drift, a adolescente sonha tornar-se piloto profissional. Com apenas 13 anos, já soma várias distinções e prepara-se agora para o Campeonato de Portugal de Karting 2026, que arrancou no domingo passado, 1 de março, e decorre até novembro. Determinada, Leonor fala com entusiasmo de cada corrida e do caminho que quer traçar no desporto motorizado, sem nunca deixar para trás os estudos. Entre treinos e competições, mostra que a idade não é uma barreira quando o sonho é maior do que qualquer curva.
Leonor Rocha
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Lembra-se da primeira vez que andou de kart? O que sentiu nesse momento?
Sim, lembro-me, senti que estava a realizar um sonho. Queria ser como a Mariana Machado, uma conhecida que andava no meu tão sonhado mundo, o karting! Foi o momento mais feliz da minha vida até ao dia de hoje.
Sempre gostou de velocidade ou o karting apareceu de surpresa na sua vida?
Sempre andei no mundo das corridas desde que nasci, pois, o meu pai já foi piloto de kart cross e de drift. Não andei propriamente no mundo da velocidade, os desportos que sempre acompanhei posso dizer que são a andar de lado; por isso, considero que a velocidade apareceu de surpresa na minha vida.
Profissionalmente, é isto que pretende fazer quando for mais velha?
O meu sonho é ser piloto profissional, mas tenho a consciência de que é muito difícil chegar a esse patamar. Irei agarrar todas as oportunidades que surgirem. Mas não vou deixar os meus estudos.
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Há algum momento, em corrida, que nunca mais vai esquecer, por ter sido muito bom?
Os momentos inesquecíveis são: a primeira vez que andei de kart, assim como uma ultrapassagem feita na corrida de Palmela na última volta na última curva, no meu primeiro ano na categoria júnior, tendo subido um ano mais cedo de categoria do que o normal devido à minha estatura.
Costuma ver corridas de Fórmula 1 ou de outras categorias? Tem algum piloto ou piloto feminina que seja uma inspiração para si?
Sim, acompanho algumas corridas de Fórmula 1, o campeonato português de rally cross e os campeonatos europeu e português de drift. Tenho pilotos preferidos nos desportos que acompanho, como é o Lando Norris na Fórmula 1; no rally cross a Rafaela Barbosa, que também considero como a minha inspiração; no campeonato europeu de drift, o piloto Piotr Więcek, polaco, e no campeonato português o meu pai.
Está a preparar-se para o Campeonato de Portugal de Karting, que começa em março e termina em novembro. No que consiste a sua preparação?
A minha preparação consiste em treinar, melhorar todos os erros que cometi durante a época anterior. Para me ajudar vou disputar algumas corridas do campeonato de Espanha em simultâneo com o nacional.
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Quantas vezes por semana treina e em que é que consistem esses treinos?
Todas as semanas faço treino de ginásio e tento estar em pista o máximo de tempo possível.
Como gere a escola com os treinos e as viagens?
Tenho de gerir os estudos conforme o tempo que tenho. Por vezes tenho de estudar durante os intervalos de treinos e corridas assim como no decorrer de viagens para manter as minhas notas o mais altas possível.
Os seus amigos percebem este seu mundo das corridas? Apoiam-na?
Infelizmente, os meus amigos têm dificuldade em entender que este é um mundo diferente do normal. Pois não percebem o que é preciso lutar/ter para se ser bem-sucedido, Mas, mesmo não entendendo o meu lado, apoiam-me.
Quem faz parte da “equipa Leonor”? Quem a acompanha e apoia mais neste caminho?
Considero a minha equipa, as pessoas que me apoiam e incentivam a ser melhor a cada dia. Incluo o meu preparador físico, o mecânico, o coach, o chefe de equipa, os patrocinadores e, os que me ajudaram a chegar onde estou, os meus pais e a minha família.
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Sendo um desporto ainda muito masculino, sente que, por ser rapariga, tem de provar mais alguma coisa? Como lida com isso?
Acho que esse facto é um dos que senti mais dificuldade. Tenho consciência de que tenho de trabalhar mais que os nossos adversários. Temos de nos afirmar como competitivas para ser possível, contudo quando nos conseguimos afirmar sentimo-nos respeitadas.
Há quem diga que o caminho para a Fórmula 1 começa no karting. Imagina-se um dia a chegar lá, ou prefere pensar “uma corrida de cada vez”?
Eu concordo com a opinião de que o karting é o primeiro passo para a Fórmula 1. Não tenho a F1 como o meu maior objetivo, mas se surgirem boas oportunidades irei usá-las para tentar lá chegar, mas também sei que é muito difícil. Então dou abertura também a outras modalidades de automobilismo.
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O que acha que será mais difícil neste percurso?
O mais difícil é o facto de ser muito complicado conseguir apoios que me ajudem a chegar mais longe.
Que sonhos espera realizar?
Tenho como sonho chegar ao Drift Masters, o campeonato europeu de drift. Acompanho todas as corridas e cada vez tenho mais vontade de lá chegar. Comecei a colocar isto como sonho, quando entendi que é este o mundo onde nasci e que é o mundo que sonho disfrutar até morrer. Tive a oportunidade de ir ver uma corrida à Alemanha e senti que aquilo era mesmo a minha casa.