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Primeiro smartphone: uma decisão que exige mais do que escolher o modelo

A poucos dias do 1 de junho, muitas famílias ponderam a compra do primeiro telemóvel. Mas, mais do que uma questão de marca ou preço, trata-se de avaliar a maturidade do adolescente, o uso real do equipamento e as regras a definir em casa.

Com o Dia da Criança (1 de junho) à porta, muitas famílias preparam-se para uma decisão que se tornou um ritual de passagem: o primeiro telemóvel. Esta decisão, porém, deve ser tomada com consciência e deve ter-se em conta — mais do que o modelo certo a comprar — qual será o uso real deste equipamento e se o adolescente está preparado para assumir tal responsabilidade. O primeiro smartphone funciona, sobretudo, como uma porta de entrada na autonomia digital, e não como uma compra aspiracional.

Antes de comprar, há que ponderar

A escolha do primeiro telemóvel tem uma dimensão comportamental. Um estudo publicado na revista científica Pediatrics, da American Academy of Pediatrics, analisou mais de 10 mil jovens e identificou associações entre a posse de smartphone aos 12 anos e indicadores como sono insuficiente, obesidade e maior probabilidade de depressão. Não são relações de causa-efeito diretas, mas reforçam a ideia de que a entrega do primeiro equipamento exige acompanhamento, regras e tempo.

Seis perguntas que os pais devem fazer

Antes de selecionar o modelo a comprar, ou de decidir se deve ser novo ou recondicionado, os pais devem ponderar se o equipamento é adequado à idade, ao uso real e ao nível de responsabilidade do utilizador. Posto isto, devem debruçar-se sobre seis questões:

  1. Que utilização real vai ter o equipamento?
  2. Qual é o orçamento máximo, definido antes de ver modelos?
  3. O equipamento tem garantia e assistência acessível?
  4. Está protegido fisicamente, com capa resistente e película protetora?
  5. Que regras de utilização vão ser definidas em casa?
  6. Faz sentido começar por um recondicionado e avaliar a evolução da utilização?

Recondicionado ou novo: eis a questão

O mercado de recondicionados tem-se consolidado como uma opção credível, em particular em famílias que querem equilibrar custo e qualidade. De acordo com a Counterpoint Research, as vendas globais de smartphones recondicionados cresceram 3% em termos homólogos no primeiro semestre de 2025.

Na operação da iServices, esta procura é visível. Em 2025, a empresa processou cerca de 145 mil equipamentos para recondicionamento. Para muitas famílias, esta é uma forma de reduzir o investimento inicial sem comprometer funcionalidades essenciais, com garantia e suporte técnico associados.

Para muitos adolescentes, um iPhone recondicionado ou um Samsung recondicionado, como primeiro smartphone, funciona como uma solução equilibrada que permitirá aos pais avaliar a responsabilidade, a autonomia e os padrões de uso antes de avançar para equipamentos mais caros.

Quedas, ecrãs partidos e o custo do erro

Os primeiros meses de utilização são, naturalmente, uma fase de aprendizagem. Em 2025, a iServices realizou mais de 184 mil reparações, muitas delas ligadas à substituição de ecrãs e baterias. Quando o utilizador ainda está a aprender a cuidar do equipamento, o risco de queda ou de contacto com água deve pesar na decisão inicial e justifica investir em proteção física desde o primeiro dia.

Prolongar a vida útil também é uma decisão ambiental

A dimensão ambiental não é menor. Trabalhos da ADEME e da ARCEP indicam que a produção dos equipamentos é a fase com maior impacto ambiental no setor digital. Prolongar a vida útil de um dispositivo, seja comprando recondicionado, seja reparando em vez de substituir, reduz a pressão sobre matérias-primas e resíduos eletrónicos. O Global E-waste Monitor 2024 estima que o mundo tenha gerado 62 milhões de toneladas de lixo eletrónico em 2022, com projeção para 82 milhões em 2030.

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