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Procriação Medicamente Assistida: quando o sonho da parentalidade pede cuidado emocional

Antes de dar início a um tratamento de Procriação Medicamente Assistida, vale a pena preparar não só o corpo, mas também as emoções. Quando vivido em casal, este percurso pode transformar-se num desafio partilhado.

Iniciar tratamentos de Procriação Medicamente Assistida (PMA) é uma decisão significativa e que se pode revelar desafiante. Enquanto para algumas pessoas é um caminho individual, para outras é vivido em casal. Em qualquer um dos casos, trata-se de um processo exigente ao nível físico e emocional, marcado por sentimentos de esperança, incerteza, e muitas vezes frustração. Por isso, embarcar neste processo com preparação emocional pode fazer a diferença.

Antes de mais, quando os tratamentos são vividos em casal, é importante encará-los como um desafio partilhado, independentemente da causa da infertilidade ou dos procedimentos realizados. Ou seja, é importante que o casal caminhe lado a lado em direção a um objetivo comum, sempre com cooperação e empatia.

A comunicação aberta e empática assume aqui um papel central. É natural que o casal tenha diferentes opiniões e vivencie os tratamentos de forma diferente, mas todas as emoções e pensamentos merecem ser partilhados e respeitados. Uma escuta ativa dos pensamentos e emoções do outro pode ajudar a fortalecer a relação do casal e a reduzir eventuais sentimento de solidão.

Outro aspeto importante passa por conversar sobre o plano de tratamento e, sempre que possível, delinear também um “plano B”. Embora possa ser um tema sensível, refletir sobre cenários alternativos poderá ajudar a diminuir a sensação de perda de controlo, assim como ajudar o casal a manter outros objetivos de vida que valorizam para além do projeto de parentalidade. Infelizmente, muitos pacientes acabam por desistir de hobbies ou outros objetivos de vida que valorizam para se poderem focar no tratamento. No entanto, ter outros projetos, sonhos e objetivos permite preservar tanto a identidade pessoal como a identidade do casal.

Neste sentido, fazer uma lista de coisas que usualmente o ajudam a sentir-se calmo em situações difíceis pode também ser uma mais-valia quando se sentirem tristes ou desanimados. Quer seja praticar algum desporto, conversar com alguém ou até ouvir música, o importante é que seja uma lista personalizada e adaptada às necessidades de cada um.

Ao longo deste caminho, procurar apoio em pessoas que considerem empáticas e compreensivas, sejam familiares ou amigos próximos, pode ser um fator de proteção importante. Decidir quando, como, e com quem partilhar este processo é uma decisão pessoal que deve ser respeitada.

Por fim, é essencial informar-se sobre como a clínica onde estão a realizar os tratamentos de fertilidade pode prestar apoio com as dificuldades que o casal poderá sentir ao longo dos tratamentos de fertilidade. O acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença no bem-estar individual e do casal.

Em suma, os tratamentos de PMA podem ser um percurso desafiante, pautado por uma verdadeira montanha-russa de emoções. No entanto, este percurso pode ser também uma excelente oportunidade para o casal se conhecer melhor e fortalecer a sua relação.


Leonor Neves

Psicóloga Clínica da Procriar

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