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“Quero que sintam que as pequenas e grandes coisas da vida valem a pena”. Vitor Kley fala sobre o novo álbum

“As Pequenas Grandes Coisas” é o novo álbum do artista brasileiro, que esteve à conversa com a LuxWoman

Cinco anos depois de ter lançado o seu quinto álbum, “A Bolha”, Vitor Kley presenteou-nos com a sua obra mais rica e madura até agora. No dia 25 de abril, chegou a todas as plataformas “As Pequenas Grandes Coisas”, um álbum composto por 11 canções que nos fala da importância de valorizar o que temos e de celebrarmos a vida. Arquitetado entre São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Portugal, esta foi a primeira vez em que o artista brasileiro assinou a produção musical de um álbum seu, trabalhando ao lado de Paul Ralphes, Giba Moojen, Marcelo Camelo e Felipe Vassão. Para Portugal, onde conta já se sentir em casa, Vitor Kley reservou os dias 4 de julho, em Albergaria a Velha, 5 de setembro, em Cuba do Alentejo, 12 de setembro, em Portalegre, e 13 de setembro, em Moura, para apresentar o mais recente álbum.

A LuxWoman teve a oportunidade de conversar com o cantor, no passado dia 9 de maio, que esteve em Portugal para promover o álbum “As Pequenas Grandes Coisas” e dar um concerto em Salvaterra de Magos.

De onde parte a inspiração para o seu novo álbum? 

Parte do princípio de querer experimentar coisas novas. Acho que esse é o ponto de partida deste álbum. Queria muito experimentar pessoas novas, sonoridades novas… O conceito do álbum, acho que vem mesmo da minha criação. Os meus pais sempre me ensinaram a dar muita atenção às pessoas, a acordar e a celebrar essa vitória que é poder estar vivo e poder viver a vida. Fiquei muito feliz em conseguir, finalmente, colocar isto em alguma obra minha. Todos os outros álbuns foram muito bons, principalmente “A Bolha”, mas estava sempre à espera do momento para colocar isto numa obra por inteiro. E consegui, de facto, com este álbum passar para o mundo que devemos estar atentos aos pequenos grandes gestos. Costumo dizer, quando vou explicar este álbum, que estamos a viver em muita velocidade e a ligar muito aos números, às coisas vazias, plastificadas… E se eu posso ser um meio de comunicação entre as coisas boas e as pessoas, então que eu seja.

Créditos: Rodolfo Magalhães

Créditos: Rodolfo Magalhães

Esta era uma ideia de há alguns anos e foi amadurecendo? 

Acho que isto está comigo desde que nasci, mas que só agora é que me despertou a vontade de executar isso. Talvez, de há uns tempos para cá, o que aconteceu foi que consegui colocar este sentimento no papel. Ou, melhor, tirar do papel. Consegui criar uma coisa que eu pudesse dizer, «é isso que estava na minha cabeça, é isso que eu penso da vida».  E, depois, com o desenrolar do álbum,a capa do álbum, o nome do  álbum, as canções dentro do álbum, foi ganhando forma. Não estava há anos com essa ideia, mas são coisas que eu já praticava no meu dia-a-dia de outra forma.

Porquê “As Pequenas Grandes Coisas”?

O nome para mim foi a chave. Porque primeiro veio o azul do céu. Com “A Bolha” ficámos muito ligados ao roxo. Lembro-me de ter passado uns três ou quatro anos em que só usava roxo. Foi uma época muito gira e correu muito bem esta relação com a cor. Na rua toda a gente me perguntava qual seria a próxima cor e eu comecei a questionar-me se iria haver se quer uma cor. Até que o azul começou a aparecer na minha vida. Mudei-me para uma casa no interior, onde consigo ver o céu azul. Depois, saí de uma gravadora que fazia parte há dez anos e comecei a ver um horizonte muito mais amplo de novas possibilidades. Além disso, sou um grande admirador do céu, vivo muito no céu, a viajar de um lado para o outro. Daí surgiu a ligação ao azul.

Como encontrou a ligação entre o azul e o nome do álbum?

Quando a cor já estava encontrada, comecei a pensar em qual seria  o título que iria ligar tudo. Aproveitava enquanto viajava de avião para escrever um monte de títulos. Escrevi imenso, mas nada parecia certo. Até que me lembrei que estou sempre a dizer que temos de estar atentos aos pequenos gestos da vida e de ficar atentos às pequenas grandes coisas. Até que cheguei ao nome “As pequenas grandes coisas”. Quando eu li, pensei logo que ia ser o título do álbum. Partilhei com a minha equipa e todos aprovaram.

 Azul vai ser a cor que o vamos ver a usar durante os concertos?

Sim, o figurino agora é jeans. Quisemos trazer “As pequenas grandes coisas” para a roupa também. As minhas roupas foram feitas de retalhos que iam ser colocados no lixo. Quem teve a ideia foram as meninas da Ventana, uma marca brasileira, que me propuseram usar roupas que iam fora da minha família e dar-lhes uma nova vida.

A moda é algo importante para si? É algo em que pensa quando está a construir um novo álbum?

Sim, muito importante. Acho que a arte, no geral, é um conjunto de pequenas coisas. Quando um artista vai pintar uma tela, por exemplo, ele precisa de tinta, de pincéis, de técnicas.Acho que na música funciona da mesma forma. Temos que pensar além da música. Quando eu me proponho a fazer um álbum, e acho que isto foi algo que começou com “A Bolha”, quero fazer muito mais do que só escolher as melhores músicas. É preciso perceber o porquê das coisas: das músicas, da roupa, da cor e do título. Então, no nosso concerto, estamos todos de jean, o palco é todo azul e o nosso é como se fosse um céu azul. A minha ideia é trazer as pessoas para o nosso universo e fazer com que esse álbum seja uma experiência.

Créditos: Rodolfo Magalhães

Créditos: Rodolfo Magalhães

Quais são as suas músicas favoritas do álbum?

A minha favorita é a “Arco-Íris”. Que é a última do álbum. É a música que mais me consegui propor enquanto músico. Tem várias questões técnicas nessa música que me agradam muito. Sinto que consegui usar tudo que eu estudei até hoje. Tem muita guitarra. E essa é a música que eu mais gosto. Além disso, ela é que dá o desfecho ao álbum.

Já sabia que esta iria ser a última? Como foi construída a ordem do álbum?

Não, isto foi construído de forma natural. Normalmente quando eu vou fazer a seleção, eu ouço umas 35 músicas e escolho as que fazem sentido ou não. Quando eu ouvi as músicas “Alegria” e “Arco-Íris”, pensei que a primeira tinha de abrir o álbum porque fala sobre o fim de um ciclo e do início de uma nova etapa e a segunda porque há uma parte na música em que eu grito “eu achei o pote de ouro”.

Esta é a sua obra mais rica, até agora?

É a fase mais madura. Com toda a certeza. Tanto  que sinto que as pessoas quando ouvem este álbum pensam que eu estou a mostrar outros lados, estou a falar sobre outras coisas e a explorar outras sonoridades. É um álbum que contém cinco produtores e foi o primeiro álbum em que assino a produção musical. Além disso, estou a ficar mais velho, a viver coisas novas e a ver o mundo de outra forma. Então é natural que as coisas tendem a ficar mais maduras e mais complexas. Mas o meu maior desafio nesse álbum foi amadurecer e, ao mesmo tempo, manter a minha essência,  com os refrões, as melodias simples para todos conseguirem ouvir, desde crianças,  idosos e adolescentes. Chegar a toda a gente, mas com sofisticação. E acho que conseguimos, pelas críticas positivas que tenho ouvido.

Mencionou que esta foi a primeira vez que assinou a produção musical de um álbum seu. Como foi esta experiência? Já tinha vontade de o fazer?

Muito! As pessoas à minha volta já me diziam que as coisas saiam da minha casa muito prontas. Eu já costumava dizer que fazia as pré-produções em casa e tal, mas não tinha coragem de assinar aquilo. Eu sentia como se estivesse a afrontar os produtores, não queria roubar o lugar a ninguém. Porém, as pessoas começaram a dizer que eu tinha de assinar a produção, que não era justo. Acho que foi falta de confiança da minha parte. Mas neste álbum ganhei coragem e assinei. Está a ser muito giro, porque realmente muitas das coisas que fiz em casa estão ali e acho que as pessoas que gostam do meu trabalho vão ver mais de mim.

O que gostaria que os seus fãs sentissem ao ouvir este álbum?

Acho que este é um álbum para as pessoas ouvirem de peito aberto, sem qualquer expectativa. Quero que sintam que as pequenas e grandes coisas da vida valem a pena.

Créditos: Rodolfo Magalhães

Créditos: Rodolfo Magalhães

Quais são as “pequenas grandes coisas” da sua vida?

Acordar de manhã, para mim, é uma coisa muito valiosa. Muita gente acorda já chateado, mas para mim temos de ser gratos por acordarmos, termos vida, respirarmos, podermos levantar da cama, caminhar, abrir a janela e fazer um café. As pessoas estão muito desatentas das coisas mais belas que temos na vida. Então, para mim, acordar, abrir a janela do meu quarto, respirar e dizer «estou pronto para viver mais um dia» é muito valioso. Depois, claro, a minha família e os meus amigos. Poder viver o meu sonho e continuar com o mesmo prazer e vontade do início. Essas são as pequenas e grandes coisas que eu dou muito valor e, até ao dia em que partir, quero dar valor a essas coisas.

Que balanço faz da sua carreira até agora?

Sinto-me um homem de sucesso. Não sucesso nos números, mas sucesso em ter conseguido manter a minha cabeça no lugar, manter o meu espírito no lugar, a minha essência no lugar. Os meus amigos são os mesmos. Orgulho-me de ter construído um catálogo de canções que as pessoas sabem cantar, de poder voltar para Portugal há anos, desde 2019, e o público continuar aqui à espera, de ir aos concertos. Acho que isso é muito bonito, e quero continuar a evoluir, de uma forma positiva. Sinto que me vou orgulhar muito do que vivi.

Começou aos 14 anos. Sempre quis ser cantor?

Não, eu queria ser tenista. O meu pai foi tenista e, desde pequeno, em Belmonte, joguei ténis. Queria ser igual ao meu pai, ter vários troféus e jogar em torneios. Mas aí a música apareceu, tive aulas de música e compunha. Estava entre os dois. A minha mãe dizia-me sempre para manter as duas coisas e que, em alguma uma altura, a vida ia decidir. Com 15 ou 16 anos, o ténis não correu bem e dediquei-me à música.

Tem algumas atuações marcadas em Portugal ao longo deste ano e mencionou que se sente acarinhado por cá. Do que mais gosta em Portugal?

Gosto muito de ir até Vila de Rei, à barragem, e fazer wakesurf. A comida é maravilhosa. A segurança. As estradas. Mas, principalmente, amo as pessoas que estão aqui. Criei laços aqui que ficaram para a vida inteira. Os fãs aqui são muito simpáticos, muito educados e respeitosos.

Créditos: Tony Santos

Créditos: Tony Santos

Já se sente em casa, quando vem cá?

Sinto. Sinto-me à vontade para sair, já conheço alguns sítios, já conduzo por cá sem problemas. E só vos tenho a agradecer por isso. Porque vocês permitiram isso. Tenho a impressão que vai ser uma relação para a vida inteira.

A sua música “Noite” com o Ivandro foi um grande sucesso por cá. Com que outros artistas portugueses gostava de colaborar?

Com a Marisa. Ela canta muito, muito mesmo. Mas gostava muito de colaborar com os Xutos e Pontapés. Eu aprendi a cantar “O Homem do Leme” e, depois, a “Casinha”, que até cheguei a tocar num concerto e agora faz parte.

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