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Vírus Sincicial Respiratório: as crianças são as mais afetadas

É responsável por 60 a 80% dos casos de bronquiolite aguda, a maior causa de hospitalização infantil, e 40% dos casos de pneumonia pediátrica a nível mundial. Ainda desconhecido pela população, em especial, pelos pais e cuidadores das crianças, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um agente que provoca infeções nas vias respiratórias e é altamente contagioso.  

Dada a elevada prevalência do VSR, conversámos com Carolina Constant, pediatra no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte. 

O Vírus Sincicial respiratório é…

Um vírus que provoca doença respiratória em pessoas de todas as idades. A infeção não proporciona imunidade completa, pelo que pode ocorrer reinfeção. As infeções subsequentes são habitualmente mais ligeiras.

As crianças são as mais afetadas?

Sim, sem dúvida. Os grupos mais vulneráveis são os bebés com idade inferior a 12 semanas, os bebés que nasceram prematuros, as crianças com doenças cardíacas, pulmonares ou neuromusculares congénitas, as crianças imunocomprometidas e os idosos.

Que impacto é que este vírus tem nas crianças?

Na maioria dos casos a doença é autolimitada, com duração média de três a sete dias e prognóstico favorável. Contudo, cerca de 3% das crianças com menos de um ano desenvolvem doença grave e necessitam de internamento. Aliás, a bronquiolite aguda é a principal causa de internamento em lactentes.

Carolina Constant, pediatra no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte. 

Carolina Constant, pediatra no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte.

A que sintomas é que devemos estar atentas?

Os sintomas mais frequentes são obstrução e secreções nasais, espirros, febre e tosse e assemelham-se a uma constipação comum. Nas crianças pequenas pode surgir dificuldade respiratória caracterizada por respiração mais rápida que o habitual, retrações costais e sibilância (respiração semelhante a um assobio). A evolução das queixas de constipação com o aparecimento subsequente de dificuldade respiratória nos 1-3 dias seguintes é característica da bronquiolite aguda. Em adultos saudáveis e crianças mais velhas, a doença é geralmente ligeira ou assintomática.

O que é que pode contribuir para o aparecimento deste vírus?

O VSR é muito contagioso sendo transmitido através das secreções do nariz ou da boca. O contágio pode ocorrer por contacto direto ou através de gotículas expelidas quando se fala, tosse ou espirra. O vírus pode ainda sobreviver várias horas nas mãos ou objetos contaminados.

Que medidas preventivas devem ser tomadas?

A prevenção da transmissão deste vírus consiste na lavagem frequente das mãos e etiqueta respiratória. De forma a prevenir a bronquiolite grave, deve também evitar-se a exposição ao fumo do tabaco e promover a amamentação. De momento não existe nenhuma vacina disponível. Existe um medicamento anticorpo monoclonal que é usado na prevenção de doenças provocadas pelo VSR e que é administrado em situações especiais.

Existe uma época em que estamos mais suscetíveis a apanhar este vírus?

Sim, em Portugal os surtos de VSR ocorrem tipicamente nos meses frios, de novembro a março, com o pico a registar-se entre dezembro e janeiro.

Como é que se trata este vírus?

Não existe um tratamento específico. O tratamento consiste em medidas de suporte que incluem: garantir uma alimentação e hidratação adequadas, controlar a febre e facilitar a respiração lavando e desobstruindo o nariz e elevando um pouco a cabeceira da cama. Como é um vírus, os antibióticos não estão indicados. Nos casos mais graves, em internamento, pode ser necessária a administração de oxigénio suplementar, e em casos de ainda maior gravidade recurso a cuidados intensivos e equipamentos de suporte respiratório.

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