- Living, Travel
O que visitar, descobrir e provar na capital britânica
Londres é sempre uma boa ideia, mas no outono tem mais encantos… Há passeios para dar, lojas para visitar, exposições para ver e sabores para aquecer o corpo e a alma.
- Sandra Gato
Quem ama a cidade de Londres ama-a em todas as estações, temperaturas e estados de espírito. É assim o amor! E só quem não a conhece verdadeiramente leva a mal os seus cinzentismos e dias de sol tímido. Porque a energia que as suas ruas emanam viciam, e o que oferece fica connosco muito depois de termos apanhado o avião de regresso a casa. O outono costuma chegar mais cedo à capital britânica do que a Portugal, o que é mais um motivo para a visitar nesta altura do ano. Principalmente para a crescente minoria que mal chega setembro prefere trocar o biquíni por um belo cardigan e os pés nus na areia pelas botas sobre as folhas caídas.
Londres ‘é’ outono. Os dias chuvosos convidam a uma interiorização (física e mental) que o calor não favorece e esse é também um dos motivos que a tornam a estação preferida de muitas pessoas. E se há cidades que parecem florescer com a chegada da primavera, Londres fica mais perto da sua verdadeira essência quando chega o outono. Viver isso in loco é um prazer que se quer repetir ano após ano, variando os locais escolhidos e repetindo sempre aqueles onde se é feliz.
O outono e a cidade
Porque a rentrée é feita de recomeços e, por isso, desafiante, vamos mimar-nos ficando num hotel onde se respira ‘britishness’. O Brown’s Hotel é uma joia no coração de Mayfair onde, logo à entrada, se sente o tanto que já presenciou ao longo de séculos de história. A sua dimensão – nada é grande, mas tudo é pensado ao detalhe – torna-o casa (a casa que todas gostaríamos de ter em Londres). Imperdível é um afternoon tea no drawing room: os seus painéis de madeira são originais do século XIX e estão tão polidos hoje como estavam na época e é sempre interessante saber que nos seus confortáveis sofás há se sentaram políticos, realeza e aristocracia.
Menos conhecido que o The Ritz ou o Claridge’s, o Brown’s Hotel é ideal para quem gosta de ambientes autênticos, mas dispensa ‘ver e ser visto’. Fica muito perto da Regent Street, com todas as suas lojas de grandes marcas – a flagship store da Burberry, 121 Regent St, merece uma visita (não há marca mais britânica e mais outono que esta!) assim como o Hamley’s, 188-196 Regent Street, a loja de brinquedos que os adultos também gostam de visitar – e a Fortnum & Mason, 181 Picadilly.
Em 1954, a rainha Isabel II nomeou-os fornecedores oficiais de mercearia e chá da família real e, em 2024, o rei Carlos III voltou a confirmar esse Royal Warrant, o que significa que a Fortnum’s (como é carinhosamente chamada) não só fornece regularmente o palácio de Buckingham como pode usar o brasão real nas embalagens que são, como confirma quem conhece, uma perdição. Das compotas – o melhor Lemon Curd e Marmalade (a palavra tem origem na nossa ‘marmelada’, mas é na verdade doce feito à base de citrinos) da vida – a todo o tipo de bolachas – obrigatória uma visita ao recentemente inaugurado The Biscuitorium, com 200 metros quadrados dedicados exclusivamente às bolachas –, passando pelos chás numa variedade imensa de lotes. Aviso: prepare-se para passar umas boas horas nesta loja, são vários andares de pura tentação…
Passeio(s) no(s) parque(s)
Depois de deixar os sacos de compras no hotel, nada melhor que um passeio no parque para descontrair. Um dos grandes encantos de Londres é a forma como, sendo um megametrópole, conseguiu sempre que a natureza fosse um pilar essencial da vida dos seus habitantes. Londres tem inúmeros espaços verdes – alguns privados, mas a maior parte públicos – a metros de distância do centro da cidade. Hyde Park é obviamente o maior e mais conhecido, mas há muitos mais. O Regent’s Park, por exemplo, além de ser morada do Zoo de Londres, tem jardins magníficos, como é o caso de Queen Mary’s Gardens, com os seus milhares de variedades de rosas, e espaços (terraços, fontes…) arquitetónicos do século XIX.
Mas, independentemente de tudo isso, que atividade grita mais ‘outono!’ que passear entre árvores com tonalidades que vão do amarelo ao castanho- -escuro, ouvir o estalar das folhas secas debaixo dos pés, brincar com os esquilos afoitos, felizes com a quantidade de castanhas selvagens que proliferam nesta altura do ano, e sentir-se aconchegada numa camisola de caxemira que, ali, já faz todo o sentido?
E se os parques são um dos pontos altos da cidade, os museus são outro. Há os clássicos de sempre, mas as exposições temporárias de qualidade – muitas delas merecem mesmo uma visita propositada à cidade – proliferam. É difícil escolher apenas uma, mas Queen Elizabeth II: Her Life in Style, é obrigatória (mesmo para quem não é fã incondicional da família real). Motivos? Vários, mas damos três. 1) é uma viagem que acompanha as dez décadas da vida da monarca com o reinado mais longo da história do Reino Unido. Não é só de moda que se trata. É história, política e diplomacia. Além do fato de batizado e de noiva da rainha, podemos ver o vestido que usou na sua coroação e os muitos que transportou consigo quando representou o seu país em várias ocasiões oficiais. 2) são mais de 300 peças, muitas das quais expostas pela primeira vez, que são um pedaço vivo de história de uma rainha que foi nossa contemporânea. Muito interessante também é ver a mulher além da rainha: os tartãs que ela gostava de usar quando estava como mais era feliz: no campo, com os cães e os cavalos. 3) a oportunidade de estar dentro do Palácio de Buckingham: a exposição está em exibição (até abril de 2027) na King’s Gallery, uma ala do palácio. Dois conselhos práticos: a segurança é apertada (é importante ir com tempo) e a loja de lembranças impossível de contornar: de livros a serviços de chá ‘reais’, apetece comprar tudo, mas, atenção, os preços são tão aristocráticos quanto a morada…
Repor energias…
Se é verdade que a gastronomia britânica não é a mais afamada do planeta, é um facto que em Londres se encontra o melhor daquilo que come em todo o mundo. A ChinaTown é um bom exemplo disso. Excelentes propostas asiáticas a preços possíveis, e a certeza de umas horas bem passadas bem no centro da cidade. Se o tempo escassear, a Bun House (26-27 Lisle St) é o destino recomendado: buns (pãezinhos) com vários recheios – galinha, carne de vaca ou de porco, doce de ovos (este é o mais pedido) servidos bem quentes no restaurante ou para levar e ir comendo na rua (se a chuva permitir). Uma forma económica de ‘recarregar baterias’ depois de horas a caminhar pela cidade. Para algo completamente diferente: Bentley’s Oyster Bar & Grill. Bem perto da agitação de Picadilly Circus, num recanto bem tranquilo, um espaço inaugurado em 1916 que, de lá até aos dias de hoje, serve o marisco mais fresco da cidade. O protagonismo vai para as ostras britânicas (a maior seleção da cidade) mas também é aqui servido o tradicional Fish and Chips (um must em qualquer viagem ao Reino Unido).
Qualidade irrepreensível e um ambiente old school, onde sabe ainda melhor estar quando chove lá fora… Londres é Outono no seu melhor: chuvas leves, folhas secas caídas, punpkin spice latte na mão… Não será para todos mas é, com certeza, para quem se sente renascer quando o mercúrio baixa no termómetro. Cada estação tem o seu encanto… See you at Christmas London.
