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Raquel Prates: a elegância de ser

Ícone de estilo e da moda nacional, Raquel Prates é convidada a interpretar a elegância da época festiva no editorial de moda Holiday Elegance que acompanha a edição de dezembro, já nas bancas. A curadora, comunicadora e empreendedora, tida como uma das mulheres mais elegantes do panorama nacional, lançou uma nova plataforma de e-comerce, um espaço online com a sua curadoria de peças e dicas de styling e tendências. Falámos com a empresária sobre a época natalícia, as suas recordações e tradições, bem como a sua visão estética desta altura, na qual dá importância à elegância, sim, mas, sobretudo, ao conforto e à presença. Por outro lado, desvendamos um pouco mais sobre o seu novo projeto, descortinando ao que se propõe com esta nova plataforma online, um espaço onde, como a própria nos explica, se podem encontrar “peças com história, selecionadas de forma sensível e preocupada”, não vendendo, apenas, “objetos”, mas sim uma intenção.

Neste editorial interpreta a elegância do Natal. O que significa para si esta época do ano e como se traduz no seu estilo pessoal?

O Natal, para mim, é quase um regresso ao lugar onde tudo começou. Há muitas memórias que ficaram coladas a esta época — cheiros, luzes, pequenos rituais que sobreviveram ao tempo. Felizmente, na minha família, conseguimos manter tradições muito simples desde que sou pequena. A melhor parte é sempre a mesma: estarmos todos, e estarmos juntos. No meu estilo pessoal isso traduz-se em conforto. Peças que me abraçam, que não me apertam, sem distrações. Gosto de estar bonita, sim, mas sobretudo presente.

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

“Elegância é ser. Não se veste, vive-se. Está na forma como respiramos os momentos, como tratamos os outros, como escolhemos o que queremos pôr no mundo. É a forma como nos apresentamos quando ninguém está a ver.”

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

A sua interpretação neste editorial transmite uma sofisticação natural. O que é para si a verdadeira elegância?

Para mim, elegância é ser. Não se veste, vive-se. Está na forma como respiramos os momentos, como tratamos os outros, como escolhemos o que queremos pôr no mundo. É a forma como nos apresentamos quando ninguém está a ver. É um gesto, uma presença tranquila, uma postura que não precisa de convencer. As roupas apenas acompanham — nunca substituem.

Como gosta de celebrar o Natal? Há alguma tradição que mantenha todos os anos?

Gosto de celebrar rodeada de momentos bons. Casa cheia, mesa bonita, luz e coração quente. Rir das mesmas histórias que se repetem de ano para ano. É nessa repetição que sinto “aquela” certeza de pertença que me faz sentir “é isto!”.

Que tipo de looks escolhe nesta época? Quais os detalhes indispensáveis para um look festivo intemporal?

Sou fiel à ideia de peças com história, que me acompanham há anos. Que mantenham esse significado que ultrapassam o tempo. E, sobretudo, nada que me impeça de estar confortável. O melhor look festivo é aquele que te deixa respirar e dançar (risos).

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

“Curadoria é olhar com atenção. Escolher o que importa e retirar o que distrai. É criar ligação entre peça, corpo e a vida. É estética, mas também intuição. É começar a saber que menos é, muitas vezes, mais verdadeiro.”

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

É fiel a uma estética própria ou reinventa-se consoante o momento?

Sou fiel ao meu ADN. Depois disso, deixo espaço para o mood, a energia do dia, o contexto. Reinvento subtilezas, nunca a minha essência. Mas deixo espaço para a emoção do dia, e isso é natural: há dias em que sou mais sombra, outros em que sou mais luz.

Quais as tendências que mais a inspiram nesta estação e como as adapta ao seu estilo?

Gosto do regresso ao minimalismo sofisticado, da alfaiataria com textura e dos tons profundos de inverno. Adapto tudo através da minha lente e ritmo: gosto de peças com presença. E quem sabe se no final já estou naquela trend maxi? Mas só levo o que me toca.

É considerada um ícone de estilo há várias décadas. Como tem evoluído a sua relação com a moda?

Tenho cada vez menos necessidade de provar seja o que for. Hoje visto-me para mim. A moda deixou de ser performance e tornou-se linguagem, uma extensão natural da minha vida, não uma máscara. É assumido. E apesar do estilo ter variáveis, a coerência é a mesma. Sou assim. Esta sou eu.

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

“Quero que as pessoas comprem menos, mas melhor. Que percebam a história, a textura, o porquê. E que sintam que cada peça foi escolhida para durar no armário e na memória.”

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

Acaba de lançar uma nova plataforma digital que une moda e curadoria. O que pretende com este novo projeto?

Pretendo criar um espaço que vá para além de “comprar roupa”. Que respire autenticidade. Moda, arte, narrativa e vida real — tudo no mesmo lugar. Não quero apenas mostrar peças; quero mostrar visão. Um lugar onde a estética tem sentido e não apenas aparência. Sem algoritmos, nem influencers nascidas com uma base de moda que tem apenas um nome: publicidade.

O que inspirou a criação deste novo espaço digital? Que lacuna sentiu que existia?

Senti falta de um lugar onde as pessoas pudessem encontrar peças com história, selecionadas de forma sensível e preocupada, e onde o conteúdo tivesse a mesma importância que o produto. A lacuna era essa: um espaço que não vendesse apenas “objetos”, mas uma intenção. Sem ruído, sem excesso. Decidi preencher essa ausência da forma mais honesta que sei.

O conceito de curadoria é central. Como define “curadoria” na moda e no lifestyle?

Curadoria é olhar com atenção. Escolher o que importa e retirar o que distrai. É criar ligação entre peça, corpo e a vida. É estética, mas também intuição. É começar a saber que menos é, muitas vezes, mais verdadeiro. Criar um fio condutor entre peças, imagens, emoções e contexto. É pensar para os outros, e não apenas mostrar.

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

“Vejo um futuro mais maduro. Vejo mulheres mais confiantes em si, com menos necessidade de agradar ao exterior — e isso transforma tudo.”

Fotografia João Paulo | Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires assistido por Fernanda Fuscella | Make-up Natanael Tito | Cabelo Hugo Freitas

Vivemos um consumo mais digital, mas também mais consciente. Como é que o seu projeto reflete essa mudança?

Reflete na seleção limitada, na compra informada, na ideia de usar o que faz sentido e não o que passa no feed a alta velocidade. Quero que as pessoas comprem menos, mas melhor. Que percebam a história, a textura, o porquê. E que sintam que cada peça foi escolhida para durar no armário e na memória. Cada peça é acompanhada pelas minhas dicas pessoais de styling, de uma forma personalizada e que direcione quem visita para a sua própria identidade.

Como vê o futuro da moda em Portugal, sobretudo na moda feminina?

Vejo um futuro mais maduro. Vejo mulheres mais confiantes em si, com menos necessidade de agradar ao exterior — e isso transforma tudo. Atualmente há uma nova revolução feminina, uma nova voz que se assume. Espero que essa nova estrutura seja a autenticidade. É isso que vai definir o futuro: mulheres mais seguras da sua identidade. Acredito muito na força dos criadores portugueses quando se libertam da comparação e assumem a sua própria linguagem. Um crescimento sem imitar mercados externos Há espaço para crescer com originalidade.

Como descreve o seu “espírito de Natal” deste ano em três palavras — e porquê?

PAZ porque, no fundo, é tudo o que procuro — nas pessoas, em casa e em mim. INTIMIDADE porque volto sempre ao essencial. VERDADE porque a vida já não me permite nada que não seja honesto.

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