[wlm_register_Passatempos]
Siga-nos
Topo

Carla Martins: a mulher por trás da Interdesign

Num setor historicamente masculino, a CEO e diretora criativa conquistou espaço, credibilidade e influência. Hoje, é uma das principais responsáveis por redefinir o design de interiores em Portugal.

Uma das principais responsáveis por moldar o design de interiores e o conceito de conforto nas casas dos portugueses, Carla Martins assinala mais de duas décadas à frente da Interdesign, marca que ajudou a construir desde a raiz e a projetar além-fronteiras. O que começou, em 2004, como um projeto ambicioso numa pequena vila do Norte de Portugal transformou-se num nome incontornável no design de interiores, onde estética, funcionalidade e identidade se cruzam. Nesta conversa, a CEO e diretora criativa revisita os desafios de um percurso feito num setor tradicionalmente masculino, reflete sobre a evolução do conceito de conforto e revela a visão que continua a guiar a marca rumo ao futuro.

Celebra este ano mais de duas décadas de carreira na vanguarda da Interdesign. Olhando para trás, para um percurso iniciado num setor industrial e de design de interiores historicamente muito dominado por homens, quais foram os maiores desafios que enfrentou para afirmar a sua visão? 

O maior desafio foi, sem dúvida, conquistar credibilidade num ecossistema onde a tomada de decisão industrial e a liderança fabril eram quase exclusivamente masculinas. Começámos em 2004, eu, o André e o Hélder, com pouco mais de 20 anos, sem formação académica nesta área, mas com uma intuição e uma audácia gigantescas. Entrar num pavilhão industrial, entre o serrim e as máquinas, e afirmar uma visão estética e comercial exigiu que eu metesse, literalmente, as mãos na massa. Tive de aprender o negócio desde a raiz, acompanhar cada etapa da produção e demonstrar que a sensibilidade ao detalhe e a exigência estética não eram fragilidades, mas sim as nossas maiores forças competitivas. Romper com o preconceito da idade e do género fez-se com trabalho, presença e uma vontade inabalável de vencer.

Que balanço faz destes 20 anos?

O balanço é profundamente emocional e de enorme orgulho. Passámos do anonimato de uma pequena vila no Norte de Portugal para a construção de uma marca de referência nacional e internacional. Estes mais de 20 anos foram uma escola de vida. Crescemos a pulso, cometemos erros, superámos crises, mas nunca perdemos a paixão original de 2004. Ver a Interdesign expandir-se de norte a sul do país, entrar no mercado global e evoluir de uma fábrica de mobiliário para uma marca global de arquitetura e design de interiores é a validação de um sonho. Mais do que os números ou as lojas, o melhor balanço é saber que criámos uma grande família e que mantemos intacta a nossa integridade e credibilidade.

A sua visão tem sido crucial para moldar a estética e o conceito de conforto nas casas dos portugueses. Como é que viu a relação das pessoas com o espaço habitacional evoluir ao longo do tempo e de que forma a sua própria maturidade pessoal e profissional a ajudou a antecipar essas mudanças?

Há duas décadas, o mobiliário era visto de forma muito funcional e estanque. Hoje, a casa é um ecossistema de bem-estar, um refúgio de paz e uma extensão da nossa identidade. As pessoas procuram personalização absoluta, já não querem apenas um móvel, querem uma história e um conceito de conforto que se adapte às suas rotinas. A minha própria maturidade permitiu-me acompanhar e antecipar esta mudança. À medida que os anos passaram e que as minhas necessidades pessoais evoluíram, percebi que o verdadeiro luxo contemporâneo está no tempo, no rigor e na harmonia do espaço. Essa sensibilidade apurada permitiu à Interdesign transitar do mobiliário puramente industrial para a criação de “projetos com alma”, desenhados à medida de cada cliente.

A Interdesign reúne hoje diferentes linguagens estéticas e uma abordagem cada vez mais integrada ao projeto de interiores. De que forma esta diversidade criativa contribui para afirmar a identidade da marca e responder às diferentes necessidades dos clientes?

Hoje, o ADN da Interdesign expressa-se através de diferentes conceitos e coleções, mas sobretudo através da nossa visão de projetos chave na mão, onde cada detalhe é pensado de forma integrada para criar ambientes completos, funcionais e emocionalmente ligados a quem os vive.

As últimas linhas lançadas, como a Tribeca e a Natture, refletem precisamente essa diversidade de linguagem estética que faz parte da identidade da marca. A Natture representa uma abordagem mais orgânica e serena, inspirada na natureza, nos tons neutros e no conforto visual. Já a Tribeca traduz uma estética mais urbana, contemporânea e arquitetónica, pensada para um estilo de vida cosmopolita e dinâmico.

Contudo, estas são apenas algumas das expressões do universo Interdesign. O nosso portfólio integra várias coleções e conceitos distintos, porque acreditamos que o luxo contemporâneo está precisamente na capacidade de personalizar e adaptar cada projeto à identidade, ao estilo de vida e às emoções de cada cliente.

Por trás de uma grande marca e de projetos de interiores tão personalizados, existe sempre uma forte componente de gestão humana. Sendo a “mulher por trás da marca”, como define o seu estilo de liderança no dia a dia e como consegue equilibrar a exigência e a firmeza do mundo dos negócios com a sensibilidade artística que o seu trabalho exige?

Eu lidero pelo exemplo, pela proximidade e pelo afeto. Costumo dizer que na Interdesign a diferença está no processo, e isso aplica-se tanto ao mobiliário como às pessoas. Ao contrário de uma gestão automatizada e impessoal, aqui trabalhamos de forma individualizada. Exijo muito rigor, porque o nosso nível de excelência assim o dita, mas equilibro essa firmeza com uma enorme sensibilidade humana. O segredo está em compreender que a criatividade precisa de espaço para respirar, mas o negócio precisa de estrutura para crescer. Eu sou o elo que une a “fábrica dos sonhos”,  onde valorizamos o acabamento manual, o tempo e o detalhe, à estratégia de expansão da marca.

Quais os próximos grandes objetivos e ambições para a Interdesign? Como pretende continuar a redefinir a arte de viver bem nas próximas décadas?

O futuro passa por continuar a expandir as nossas fronteiras e os nossos horizontes criativos. A Interdesign já não habita apenas o universo residencial, hoje somos parceiros estratégicos em grandes projetos de hotelaria, restauração, saúde e no setor da náutica de luxo. Queremos consolidar esta vertente de assessoria global em arquitetura e design de produto, levando a nossa produção própria, o nosso know-how e o selo Made in Portugal ainda mais longe no mundo. Pretendemos continuar a redefinir a arte de viver bem provando que o verdadeiro valor de uma peça reside na sua durabilidade, no cuidado artesanal e na capacidade de transformar espaços em cenários de felicidade. O nosso próximo capítulo é continuar a provar que vale a pena sonhar em grande.

Veja mais em Lifestyle

PUB


LuxWOMAN