À frente da LOLA CASADEMUNT BY MAITE, Maite Casademunt continua a consolidar uma linguagem própria dentro da moda contemporânea espanhola. Apresentada na última edição da Mercedes-Benz Fashion Week Madrid, a coleção “Bohemian Soho” mergulha no imaginário criativo da Nova Iorque dos anos 70, traduzindo essa energia numa proposta atual, urbana e profundamente feminina.
Entre alfaiataria estruturada e referências boémias, a diretora criativa constrói uma narrativa onde identidade, emoção e liberdade se cruzam. Nesta conversa, Maite reflete sobre herança, evolução e a mulher que dá vida ao universo da marca.
Maite Casademunt, Diretora Criativa e Presidente da LOLA CASADEMUNT
A coleção “Bohemian Soho” transporta-nos para a Nova Iorque dos anos 70, um momento de grande efervescência artística e cultural. O que a atraiu nesse contexto e como o reinterpretou para dialogar com a mulher contemporânea?
Inspiro-me sempre numa época ou num destino que me desperte algo especial. Neste caso, quisemos viajar até à Nova Iorque dos anos 70 para estabelecer um paralelismo entre uma coleção rica em tecidos, materiais e estampados, como “Bohemian Soho”, e a estética eclética de uma época em que música, moda e arte se fundiam numa mesma linguagem criativa.
Essa ligação reflete-se na mulher LOLA CASADEMUNT BY MAITE: uma mulher autêntica, livre e com um estilo que não passa despercebido. A partir daí, reinterpretamos essa década dentro do nosso universo criativo, incorporando códigos como o animal print, as cores vibrantes e uma atenção minuciosa ao detalhe.

Nesta proposta sente-se um equilíbrio muito interessante entre alfaiataria estruturada e um lado boémio mais fluido e emocional. Como construiu essa dualidade e o que revela sobre a identidade da mulher LOLA CASADEMUNT BY MAITE?
Exatamente. Esse jogo de contrastes e volumes define muito bem a mulher LOLA CASADEMUNT BY MAITE. É uma mulher que se identifica com um estilo romântico e feminino, mas que também confia no poder do power suit e em peças mais estruturadas para trazer força e carácter ao seu look.
Os estampados fazem parte essencial do ADN da marca, especialmente o animal print. Numa indústria em constante mudança, como consegue manter esses códigos e ao mesmo tempo reinventá-los?
Se há algo que tenho claro é que precisamos de nos reinventar a cada temporada, trazendo propostas novas e frescas sem perder o nosso heritage. O animal print sempre foi um selo da marca e, apesar de o reinterpretarmos através de diferentes técnicas, cores e tecidos, continua presente em todas as coleções. Gosto que as nossas peças sejam reconhecíveis, e esse ADN ajuda-nos a construir um discurso coerente e sólido.

A riqueza de tecidos e a sobreposição de texturas criam uma experiência quase sensorial. Que papel tem a materialidade no seu processo criativo?
Costumo dizer que os tecidos falam, e gosto muito de criar esse diálogo de contrastes dentro de um mesmo look. Esta coleção trabalha muito a construção através da contraposição de volumes e texturas.
Quis transmitir a versatilidade tanto da marca como da mulher LOLA, que se veste de acordo com o seu estado de espírito. Não falamos de mulheres diferentes, mas de uma mesma mulher em constante evolução.

“Bohemian Soho” fala de uma mulher livre, criativa e sofisticada. Como define hoje a liberdade na moda?
Para mim, a liberdade na moda é poder comunicar através daquilo que vestes. Acredito profundamente no poder da moda como forma de expressão. Criamos aquilo a que chamo “o traje da segurança”: peças que fazem a mulher sentir-se bem e, consequentemente, mais confiante.
A coleção mistura referências retro com uma execução contemporânea. Como trabalha esse equilíbrio entre nostalgia e inovação?
A moda é cíclica, tudo regressa. Mas mais do que seguir tendências, o mais importante é mantermo-nos fiéis à estética e aos códigos da marca. A coerência é essencial.
Conseguimos reinterpretar o espírito dos anos 70 dentro do nosso universo, acrescentando elementos contemporâneos que trazem frescura. É uma coleção fiel à sua inspiração, mas com uma visão atual.

O universo LOLA CASADEMUNT BY MAITE tem uma identidade muito forte. Isso guia-a ou desafia-a?
Guia-me totalmente. Não faz sentido forçar algo que não seja orgânico. Ainda assim, de forma quase inconsciente, acabamos sempre por incorporar os nossos códigos. Quando isso não acontece, sentimos que falta algo.
Os acessórios têm um papel importante nesta coleção. Como os integra no discurso da marca?
Para nós, são fundamentais. A marca nasceu nos acessórios, por isso damos-lhes o mesmo cuidado que à roupa. Desenvolvem-se sempre em sintonia com a coleção.
Nesta proposta, por exemplo, os bolsos utilizam tecidos de alfaiataria e as joias XXL incorporam o nosso icónico leopardo. Tudo faz parte de uma narrativa coerente.

Construiu uma marca com uma linguagem emocional muito forte. Que história quer que uma mulher sinta ao vestir LOLA CASADEMUNT BY MAITE?
Quero que sinta que não somos apenas moda. Somos uma marca que se preocupa com a mulher, que quer acrescentar valor. Que as nossas peças a façam sentir confortável, segura e, acima de tudo, imparável.

Depois da MBFWMadrid e de uma forte expansão internacional, quais são os próximos passos da marca?
Este ano celebramos um marco muito importante: o nosso 45.º aniversário. É um momento chave, com várias iniciativas especiais ao longo do ano. Vamos começar com um desfile comemorativo em Barcelona, cidade onde a marca nasceu, e levar essa celebração a cidades como Paris, Milão, Varsóvia, Atenas e Lisboa.
Também vamos lançar uma cápsula Special Edition que celebra a essência da marca, reinterpretada de forma contemporânea. Paralelamente, estamos a trabalhar num restyling global que será revelado no final de 2026, reforçando o nosso posicionamento como uma marca cada vez mais relevante e reconhecível.



