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Mar Adentro

Carminho Queiroga interpreta a coleção Nautical da Louis Vuitton

Tons de azul profundo, referências marítimas e silhuetas intemporais marcam a coleção Nautical da Louis Vuitton. Carminho Queiroga interpreta esta atmosfera com leveza e sofisticação, numa narrativa onde a moda acompanha o ritmo do mar e a promessa de dias que parecem não ter fim… Falámos com a influencer sobre o seu percurso, as suas inspirações e motivações e sobre o que sentiu ao protagonizar este editorial publicado na nossa edição de abril, atualmente em banca.

Criadora de conteúdos, com inúmeros projetos criativos e muitas colaborações com marcas. Diria que a moda continua no centro do seu percurso? Como começou esta ligação à moda?

Sim, está no centro do meu percurso e vai sempre estar. Mas também tenho muita vontade de diversificar e mostrar mais de mim. Não só moda, mas, também, lifestyle, aventura, desporto… tudo o que faz de mim quem sou. Sinto que isso acrescenta muito mais valor. A minha ligação à moda não teve propriamente um início muito definido. Sempre gostei de roupa. As minhas irmãs, sobretudo, a minha irmã do meio, também gostavam muito, cresci a ver isso e sempre tive coragem de usar peças diferentes, o que, num meio pequeno, de onde venho, nem sempre é fácil mas começou muito por aí.

O seu caminho nas redes sociais foi acontecendo de forma muito orgânica. Houve um momento em que percebeu que queria explorar a moda de uma forma mais consistente no seu conteúdo? O que determinou esse caminho?

Sim, foi tudo muito orgânico e espero que assim continue. Houve um momento em que percebi que podia haver um futuro mais consistente nesse caminho, mas ainda tenho muito para aprender e evoluir. Curiosamente, nunca fui uma grande consumidora de conteúdo. Nem de YouTube, nem de influencers. E não tinha, propriamente, o objetivo de ser influencer. A moda acabou por ser o caminho onde me encontrei numa vertente mais editorial, mais de inspiração, mais de “olhem para isto e tirem ideias”, e não tanto numa lógica de venda. Hoje aqui estou, full time influencer, e que bem que estou!

“Fui construindo a minha imagem muito mais com base em quem sou e não em quem achava que devia ser.”

Como foi construindo a sua imagem, a sua estética? O que foi determinante para perceber de que forma se queria apresentar ao seu público?

No início, achei que tinha de ter uma imagem mais fria e mais séria para conseguir chegar onde queria. Mas com o tempo percebi que ganho muito mais em ser quem sou. Ainda hoje, às vezes, tenho algum receio de mostrar a minha personalidade porque é muito descontraída, às vezes, caótica. E como tenho objetivos que exigem alguma seriedade, isso pode gerar dúvidas. Ao mesmo tempo, percebo que é exatamente a autenticidade que me diferencia. E fui construindo a minha imagem muito mais com base em quem sou e não em quem achava que devia ser. Isso torna tudo mais fácil e mais genuíno. Quero que o meu público me veja como alguém que trabalha com boas marcas, mas que, ao mesmo tempo, é leve, divertida, real, alguém que pode ser ela própria e gostar do simples da vida, sem estar sempre presa a uma postura.

E é isso que procura transmitir quando partilha um look? Há uma ideia inicial de querer transmitir algo?

Acima de tudo, quero transmitir o meu mood naquele dia. Gosto de passar uma ideia de irreverência, mas sem chocar. Quero mostrar que um look pode ser criativo, pode ter mistura, pode ter personalidade… mas, ainda assim, fazer sentido! Gosto que as pessoas olhem e pensem: “isto é giro, até usaria”, ou até “não usaria, mas em ti faz sentido”. Isso é divertido. Não é só misturar padrões ou cores. É conseguir juntar texturas, cortes e laeyrs de uma forma que funcione. Não só interessante, como usável. Que dê para viver o dia com aquele look, em diferentes contextos.

Olhando para o seu crescimento e evolução nas redes sociais, sente que o seu estilo evoluiu muito, desde os primeiros conteúdos? 

Sim, evoluiu muito e para melhor. No início, era muito mais sobre misturar tudo: padrões, cores, texturas… quase um overmixing. Com o tempo fui conseguindo afunilar mais o meu estilo, torná-lo mais coerente e mais próximo de mim e de quem consome o meu conteúdo. Hoje, continua a ser divertido e com mistura, mas é mais pensado, mais equilibrado, mais “adulto”. Já não é só juntar tudo, é construir algo que funcione. É mais direcionado, mais próximo do que vemos em contexto de moda, mais profissional, sem perder a identidade da diversão e das cores.

De onde costuma partir a sua construção de um look para o dia a dia? Para um dia comum? O que costuma ter mais peso – a agenda que tem pela frente, o clima, o estado de espírito?

Às vezes é uma peça que quero muito usar e daí vejo qual o mood e começo a contruir. Outras vezes vem de inspirações, desfiles, tendências, filmes, marcas… estou sempre a absorver referências. No fundo, a criatividade vem muito daquilo que consumimos. E depois começo a testar, a experimentar, a construir. Claro que também pesa muito a agenda, o estado de espírito e o clima. Há dias em que me apetece algo mais simples. E aí uma peça mais forte pode ser o suficiente. Umas boas calças de ganga, uma camisa, os sapatos certos… e já está. É sempre um equilíbrio entre inspiração e como me sinto naquele dia.

Como descreve o seu estilo? Ou como define a sua assinatura estética?

O meu estilo é divertido e descontraído. Não consigo ser demasiado rígida ou demasiado “adulta” no sentido mais clássico. Mesmo quando tento, acabo sempre por puxar para algo mais leve. A minha assinatura está aí: uma base clássica subtil, mas com um twist divertido e irreverente. Algo que não é pesado, que é fácil, mas com personalidade.

Trabalha com diferentes marcas que têm diferentes universos criativos. Como mantém a sua própria mensagem e autenticidade dentro desta variedade de universos criativos, por vezes, tão distintos?

Trabalhar com marcas com universos criativos diferentes é muito bom, mas também desafiante. Para mim, há sempre um equilíbrio 50/50. Se uma marca me escolhe é porque se identifica com a minha assinatura. E se escolho trabalhar com essa marca é porque gosto daquilo que representa. Tem de haver este ponto de encontro. O que faço é estudar bem a marca, perceber a sua identidade e depois tentar cruzar isso com a minha. Ou seja, manter o universo da marca, mas trazer a minha assinatura e acrescentar valor com ela. Foi desta forma que começou a minha relação com a Louis Vuitton. Fiz um conteúdo onde interpretei a marca à minha maneira. Foi arriscado, tive medo, mas decidi ir em frente com a ideia. E sinto que funcionou mesmo bem. A marca acrescentou-me muito, mas também senti que consegui acrescentar algo meu. No fundo, é isso: trabalhar em convergência, sem fugir à identidade da marca e sem perder aquilo que sou.

Além desse ponto de encontro, o que mais é preponderante para uma colaboração com uma marca fazer sentido para si?

Há alguns pontos essenciais. Primeiro: tenho de gostar genuinamente da marca e a marca tem de gostar de mim pelo que sou. Não faz sentido trabalhar com uma marca que tenta moldar-me ou impor uma estética que não é a minha. Gosto de trabalhar com marcas que me dão um briefing claro de acordo com os seus valores essenciais, mas que confiam em mim e na minha criatividade. Não gosto de receber referências de outras pessoas para inspiração ou de briefings comerciais que fazem de mim, quase, um catálogo. Isso tira toda a autenticidade. Depois, tem de fazer sentido dentro do meu percurso e da minha estratégia Preocupo-me muito com a coerência. Não quero trabalhar com marcas que não se enquadram no meu posicionamento ou que possam “quebrar” a imagem que tenho vindo a construir. No fundo, cada colaboração tem de respeitar aquilo que sou, o caminho que estou a fazer.

Nos últimos anos tem sido cada vez mais associada a projetos com marcas de luxo. No caso da Louis Vuitton, o que mais a fascina na história e na identidade da maison?

É, exatamente, essa mistura entre história e constante evolução. É uma marca que nasce da viagem – dos baús, da descoberta – mas que, ao mesmo tempo, conseguiu manter-se sempre atual. E isso não é fácil. Gosto muito dessa base funcional, quase prática, mas elevada a um nível de elegância e de detalhe incríveis. E depois há toda a identidade da marca. O monograma, os códigos visuais que são imediatamente reconhecíveis, mas que, ao mesmo tempo, vão sendo reinventados ao longo do tempo. É isso que torna a Louis Vuitton tão especial: respeita a sua herança e, ainda assim, está sempre a evoluir, a adaptar-se, a arriscar. Isso é algo com que me identifico muito.

Ou seja, identifica-se com esse equilíbrio entre tradição e evolução? Que outros valores da maison considera irem de encontro aos seus próprios valores?

Sim. Gosto muito de peças mais atuais, mais irreverentes – o lado mais Gen Z, mais divertido, mais expressivo. Mas, ao mesmo tempo, tenho um lado bastante clássico e, até, conservador em certas opções. Gosto de manter tradições, gosto de me manter fiel ao que acredito e a uma certa base que sinto que faz parte de mim. E na moda é igual. Gosto de peças icónicas, intemporais, que mantêm a sua identidade ao longo do tempo. É exatamente isso que vejo na Louis Vuitton. É uma marca que respeita muito a sua herança, que mantém códigos muito fortes, mas que, ao mesmo tempo, está sempre a evoluir, a adaptar-se, a reinventar-se. Identifico-me muito com essa forma de estar. De não ficar presa ao passado, mas também não esquecer de onde vem. De conseguir trazer isso para o presente, de se atualizar, mas sempre fiel à sua essência. É esse equilíbrio que mais me toca e que mais se aproxima da forma como vejo a vida.

Como referiu, a Louis Vuitton tem uma herança ligada à viagem e à descoberta. Esse espírito explorador também se aproxima da sua forma de estar na vida?

Identifico-me muito com esse espírito explorador, mesmo que não seja de uma forma óbvia. Na verdade, não gosto de sair da zona de conforto. Custa-me, dá-me medo. Mas, ao mesmo tempo, faço-o constantemente. Ao longo da minha vida, fui-me obrigando a sair desse lugar confortável. E hoje continuo a viver muito assim. Faço tudo com algum medo, mas faço. Obrigo-me a ir, a experimentar, a conhecer. Este último ano foi muito marcante nesse sentido. Desafiei-me muito mais, viajei mais, fiz coisas sozinha, conheci pessoas novas. E percebi que é aí que cresço mais e que me torno uma pessoa, de certa forma, mais inteligente. Por isso, sim, identifico-me muito com essa ideia de explorar, não porque me seja natural, mas porque escolho fazê-lo na mesma. E sinto que é isso que me faz evoluir.

Faço tudo com algum medo, mas faço. Obrigo-me a ir, a experimentar, a conhecer.”

Como se sentiu a interpretar o nosso editorial de moda ‘Mar Adentro’?

Adorei. Foi uma oportunidade incrível e um projeto que me deixou muito feliz. Senti-me muito bem durante todo o processo. A usar os looks, com a equipa, com o ambiente. Tudo fluiu de forma muito natural. Também fez muito sentido para mim a nível pessoal. A água sempre fez parte da minha vida. Fui atleta de alta competição em Natação Artística, e isso marcou-me muito. Sempre tive uma ligação muito forte à água, à leveza que me traz. Atualmente, também tenho explorado o surf, que é algo totalmente novo para mim e que adoro. Este  editorial acabou por juntar várias partes de mim: a moda, o movimento e a água. E estar ligada à Louis Vuitton neste contexto torna tudo ainda mais especial, porque é uma marca com a qual me identifico cada vez mais e que tem acompanhado o meu percurso.

Também ía falar no mar, na água… Este editorial inspira-se numa atmosfera marítima e na liberdade dos dias longos de verão. Que lugar ocupa o mar na sua vida?

Tenho uma relação de muito respeito com o mar. Sinto que o mar me equilibra. Sou uma pessoa muito caótica e preciso mesmo de algo que me acalme. E encontro isso no mar. Cresci com algum “medo” do mar e, hoje em dia, não quero ter medo, quero ter respeito. A água sempre foi uma constante na minha vida, por causa do desporto. E hoje sinto que o mar me traz uma tranquilidade enorme, que me equilibra, de certa forma e, por isso, quero desenvolver mais essa ligação. Conhecer melhor, sentir-me mais confortável, criar uma relação mais consciente. Foi também por isso que comecei a “surfar”, sendi, ainda, uma iniciante. (risos) Começar o dia assim, não tem explicação, o “furacão Carmen” começa o dia com muito mais calma (risos).

Há então uma ligação especial a esta estética marítima? É uma estética a que gosta de recorrer?

Sem dúvida. A natação artística não foi só um desporto para mim. Foi a minha vida durante muitos anos. Tudo girava à volta disso: horários, alimentação, rotina. Não fazia o desporto, eu era o desporto. Foram muitos anos assim e quando isso terminou, senti uma desconexão grande. Hoje sinto vontade de voltar a integrar essa parte de mim. Até porque muitas pessoas que me conheceram depois disso, não conhecem esse lado. Quero mostrar a beleza deste desporto e tudo o que o envolve: a estética, a beleza, a dificuldade, a arte, o sacrifício. Há muito por explorar aqui, especialmente na moda. Já vi um desfile inspirado em natação artística que achei incrível, e fiquei mesmo a pensar no potencial que isto tem. Gostava muito de conseguir cruzar estes dois mundos e, quem sabe, trabalhar com marcas que queiram explorar essa ligação comigo. Pode ser algo mesmo especial, diferente, e bonito.

A natação artística combina estética, disciplina e movimento. A experiência que teve, enquanto atleta, influenciou a forma como se move e se expressa diante da câmara?

Totalmente. A natação artística combina disciplina, estética e movimento, mas também muitos outros valores. É um desporto muito completo. E influenciou muito a minha relação com a câmara. Na altura, a minha “câmara” eram os júris e tinha de transmitir felicidade, força, garra. Era muito sobre presença. Levantar o queixo, manter postura, mostrar confiança, sorrir como se dissesse “domino isto”. Hoje, num contexto completamente diferente, tento aplicar tudo isso. Claro que a minha confiança na natação artística não tem nada a ver com a confiança no mundo da moda, mas há uma base que ficou. E não é só na forma como me apresento. É, também, na forma como trabalho. O espírito de sacrifício, a disciplina, saber lidar com o “não”, continuar mesmo quando é difícil… É um desporto muito duro. Houve momentos em que me questionei todos os dias. Foi exigente, a todos os níveis. Ao mesmo tempo, foi o melhor que me aconteceu. Hoje olho para trás e percebo que muito daquilo que sou veio dali.

A forma como encara a vida e os seus desafios?

Sim. Influenciou completamente. A base da forma como encaro os desafios, o trabalho e os objetivos vem muito da natação artística e da forma como fui acompanhada em casa. Lembro-me de estar no projeto olímpico e querer desistir muitas vezes. E a minha mãe nunca me proibiu de o fazer. Dizia-me sempre: “podes desistir, apoio-te, mas sei que és capaz de mais”. E isso marcou-me muito. Aprendi a lidar com a frustração, com o esforço, com o facto de os resultados não acontecerem de um dia para o outro. Aprendi que nada me vai cair no colo sem esforço! Se quero, tenho de correr atrás, custe o que me custar. A minha resiliência, a forma como lido com a rejeição, com obstáculos, com objetivos a longo prazo… tudo isso vem daí. E, honestamente, muito do que consegui até hoje não teria acontecido sem esta base.

Nesta coleção vemos referências náuticas muito subtis. Que elementos mais a tocaram ao interpretar esta coleção?

Essa subtileza das referências. Não são óbvias nem literais. São pequenos detalhes, texturas, cortes, uma certa leveza… quase como uma sensação mais do que algo explícito. Gostei muito dessa ideia de trazer o universo náutico de forma mais sofisticada e menos óbvia. Fez-me sentido porque está muito alinhado com a forma como vejo a moda. Não precisa de ser exagerada para transmitir algo. E senti uma ligação muito pessoal. A leveza, o movimento, essa fluidez…

Existe alguma peça da Louis Vuitton que considere particularmente icónica ou que represente bem a sua ideia de elegância intemporal?

Sim, há uma peça que me vem imediatamente à cabeça: a carteira Louis Vuitton Noé. Tem uma história muito interessante e muito ligada à origem da própria maison. Foi criada inicialmente para transportar garrafas de champanhe, o que diz muito sobre o ADN da marca. Funcionalidade, propósito e elegância, ao mesmo tempo. É também um modelo que se mantém atual, sem perder a sua identidade. Continua reconhecível, continua clássico e, ao mesmo tempo, adapta-se facilmente a diferentes estilos e formas de usar no dia a dia. Identifico-me muito com peças que têm uma base forte, uma história e que se mantêm fiéis a si mesmas ao longo do tempo. É isso que define a verdadeira elegância intemporal.

Ao ver este editorial publicado, o que sente? 

Sinto-me muito feliz! É quase como estar a olhar para outra pessoa, no bom sentido. Vejo um objetivo alcançado, com uma marca que é uma referência para mim e que, felizmente, tem feito parte do meu percurso, o que me deixa muito orgulhosa. Depois esta ligação ao mar, torna tudo ainda mais especial.

E o que gostaria que as nossas leitoras sentissem ou imaginassem ao mergulhar nesta narrativa de verão e de mar?

Acima de tudo, gostaria que vissem mais do que estética. Quero que vejam percurso, trabalho, consistência, que percebam que não sou “só uma cara bonita”, até porque, na minha opinião, isso nem existe. Todas as pessoas são bonitas. O que nos diferencia é tudo o resto. Tenho uma história, um caminho, uma personalidade e os meus valores. É isso que quero mostrar. E gostaria que sentissem que isto é alcançável. Que, com trabalho, dedicação, estratégia e, sobretudo, sendo fieis a nós próprios, é possível chegar onde queremos. Depois esta ligação ao mar, torna tudo ainda mais especial.

Fotografia Maleen Muhuste assistida por Katlin Klaus

Direção Criativa e Styling Diogo Raposo Pires

Makeup e Cabelos Natanael Tito com produtos Louis Vuitton La Beauté

Vídeo Fame Lab Media

Agradecimentos Hotel Farol Cascais

 

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