O conceito de “armário cápsula” não lhe deve ser estranho. Provavelmente, já ouviu falar dele, mas não sabe ao certo o que significa ou nunca o colocou em prática.
Sofia Dezoito, consultora de imagem funcional, explica-nos que este conceito surgiu nos anos 70, pela mão de Susie Faux, mas foi na década de 80 que ganhou verdadeira notoriedade com Donna Karan e a sua coleção The Seven Easy Pieces. Na altura, a proposta era inovadora: um conjunto reduzido de peças que podiam ser combinadas entre si, começando com um body preto e evoluindo com a introdução de novas camadas.
Sofia Dezoito, consultora de imagem funcional
Desde então, o conceito de armário cápsula tem evoluído. Apesar de hoje estar “mais ligado a escolhas conscientes e a uma forma de consumir moda mais intencional”, explica Sofia, a base mantém-se: selecionar um número limitado de peças para um determinado período, como uma estação, garantindo que todas funcionam entre si.
No caso da primavera, estação em que nos encontramos, isto traduz-se num guarda-roupa leve, versátil e preparado para dias de temperatura variável.
Construa um armário cápsula de primavera
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1 | Estilo de vida real
O primeiro passo é olhar para o estilo de vida real. Rotinas, compromissos, profissão e até o ritmo dos dias devem guiar as escolhas. A partir daí, entram as peças: leves, confortáveis e com potencial de sobreposição, como camisas, t-shirts, vestidos fluidos, blazers ou malhas finas.
A versatilidade é essencial, mas há uma regra de ouro: “tudo tem de ser adorado”, afirma a consultora de imagem. Num armário cápsula, não há espaço para o “gosto mais ou menos”. Cada peça precisa de fazer sentido e de ser usada com frequência.
Ainda assim, este conceito não tem de ser rígido. Para algumas pessoas, a ideia de limitar demasiado o número de peças pode gerar bloqueio. Nesses casos, o mais importante é adaptar.
2 | Organização
Tudo começa com um closet detox. Fazer uma triagem ao armário permite perceber o que faz sentido manter, o que pode ganhar uma nova vida e o que já não representa quem somos hoje. Um armário organizado facilita decisões e torna o dia a dia muito mais leve.
3 | Estilo pessoal
Os chamados básicos não são universais. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Um armário cápsula de primavera pode incluir desde peças mais clássicas a opções mais descontraídas, desde que estejam alinhadas com o estilo e tragam conforto e confiança.
4 | Rentabilização entre estações
A primavera é uma estação de transição, o que a torna perfeita para maximizar o guarda-roupa. Vestidos leves podem ser usados com malhas, camisas podem funcionar como terceira peça e até algumas peças de inverno podem continuar a ser utilizadas em dias mais frescos.
5 | Cores e formas
Um armário cápsula não tem de ser neutro ou aborrecido. Pode incluir cor, estampados e peças com personalidade. O importante é garantir que cada peça combina com várias outras, criando diferentes possibilidades de looks.
6 | Número de peças
Não existe um número certo. Mais do que impor limites, faz sentido experimentar. Começar com 10 a 15 peças, durante uma semana, pode ser um exercício interessante para perceber o que realmente usamos e como conseguimos criar diferentes combinações.
Para Sofia Dezoito, enquanto consultora de imagem, o armário cápsula é sobretudo uma ferramenta de liberdade: “Longe de ser limitador, permite simplificar escolhas, potenciar a criatividade e alinhar a imagem com o estilo de vida e os objetivos de cada mulher. No fundo, trata-se de comprar menos, escolher melhor e viver a moda de forma mais leve.”
Além disso, vai ajudá-la a decidir o que vestir em menos tempo e a tirar maior partido das peças que já tem.