A atriz, mãe de Dalila e de Alice, tem vindo a transformar o seu estilo de vida com escolhas mais conscientes e sustentáveis. São estas mudanças, que começou por partilhar no seu blog Green Little Steps, que edita, agora, no seu primeiro livro ‘Pequenos Passos para uma Vida Mais Sustentável’. Sem fórmulas perfeitas, nem falsos moralismos, Ana Varela apresenta um guia prático e realista, através do qual pretende demonstrar que cada gesto conta e que cada escolha tem impacto. Entre rotinas familiares e compromissos profissionais, a atriz quer mostrar que é possível viver de uma forma mais simples, com mais atenção e dedicação ao planeta e menos desperdício.
O que a motivou a escrever este livro, neste momento da sua vida?
Há vários anos que tenho vindo a mudar o meu estilo de vida, fazendo escolhas mais conscientes e ecológicas, em várias áreas. Falo, escrevo e defendo o tema da sustentabilidade há bastante tempo, também. Quando a Marta Mesquita, da Contraponto, me lançou o desafio de escrever este livro, senti que estava na altura de dar o próximo passo. A ideia de compilar toda a minha jornada da sustentabilidade num livro, entusiasmou-me muito!
Como se deu o processo criativo? Como foi transformar a sua experiência, a sua jornada, em algo que outras pessoas podem seguir?
Sempre imaginei este livro como um diário de bordo. Um relato das minhas aventuras nesta mudança de estilo de vida. Primeiro, dividi esta jornada em sete temas: consumo, alimentação, moda, higiene e beleza, casa, mobilidade e comunidade. Em cada capítulo, misturei um pouco da minha história, das minhas experiências, reflexões e das minhas descobertas com todas as informações, dados e dicas que reuni ao longo dos anos.
Quais diria serem os grandes desafios para quem quer mudar o seu estilo de vida para um estilo mais sustentável? Com que obstáculos se deparou, nesse processo?
Na minha opinião, o maior desafio é lidar com a ideia de que é tudo ou nada. Muitas pessoas pensam que têm de mudar tudo de uma vez, e isso é assustador! Neste livro, quis muito mostrar que todos podemos dar pequenos passos, cada um ao seu ritmo, e que não precisamos de ser perfeitos, num piscar de olhos! No meu caso, foi importante aprender a encarar as alterações climáticas como um desafio coletivo e não como um fardo individual. Foi decisivo aceitar que só posso fazer o que está ao meu alcance (e que há muito ao meu alcance!), nesta vontade de tornar o mundo mais sustentável.
E qual foi, no seu caso, o “pequeno passo” mais difícil de dar?
Não rotularia nenhum passo como “difícil”, mas, sem dúvida, existem mudanças para as quais é preciso mais preparação do que para outras. Não conseguimos eliminar o plástico descartável das nossas vidas da noite para o dia, como pensei, quando decidi aderir, em 2018, ao Plastic Free Jully – conto esta história no livro – e não conseguimos deixar de comer carne, sem antes descobrir e experimentar as alternativas vegetais.
E qual foi aquele que teve um maior impacto, ou um impacto mais surpreendente?
Sem dúvida, a compostagem! A compostagem…
