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As suas reações não começam no momento em que responde

Muitas vezes, não está a responder ao que acabou de acontecer, está a responder ao significado que o seu cérebro atribuiu àquele momento. E esse significado foi sendo construído ao longo da sua vida.

Há momentos que duram apenas alguns segundos. Uma mensagem, um comentário, um olhar, uma crítica ou um silêncio. E, de repente, responde de uma forma que nem compreende. Levanta a voz, fica na defensiva, afasta-se e fecha-se. Ou sorri, fingindo que está tudo bem, enquanto, por dentro, algo se parte.

Minutos depois, arrepende-se. E pergunta a si própria: “Porque é que reagi assim? Nem era isso que eu queria dizer.”

Se isto já lhe aconteceu, deixe-me dizer-lhe uma coisa. A sua reação não começou naquele momento. Começou muito antes. Muito antes daquela conversa, daquela mensagem, daquela pessoa entrar na sua vida. Porque, muitas vezes, não está a responder ao que acabou de acontecer. Está a responder ao significado que o seu cérebro atribuiu àquele momento. E esse significado foi sendo construído ao longo da sua vida.

O passado entra nas conversas do presente 

Imagine que alguém faz um comentário aparentemente inocente. Para uma pessoa, não significa quase nada. Para outra, pode soar a crítica. Para outras ainda, pode ser vivido como rejeição. O comentário foi exatamente o mesmo. O que muda é a história de cada pessoa. As experiências que viveu. As crenças que foi construindo. As feridas que ainda transporta.

É por isso que duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e reagir de formas completamente diferentes. Não respondem apenas ao presente. Respondem também ao passado que carregam consigo.

Quando o piloto automático assume o controlo 

O nosso cérebro foi desenhado para nos proteger. Sempre que identifica algo que se parece com uma dor antiga, reage rapidamente para evitar que essa dor volte a acontecer. E fá-lo antes mesmo de termos consciência disso.

Por isso, quando alguém a ignora, talvez não esteja apenas a viver aquele silêncio. Talvez esteja a reviver todos os momentos em que se sentiu invisível. Quando alguém a critica, talvez não esteja apenas a ouvir aquela frase. Talvez esteja a reencontrar a criança que cresceu a acreditar que nunca era suficiente. Quando alguém se afasta, talvez não esteja apenas a lidar com essa distância. Talvez esteja a tocar, sem perceber, no medo antigo de ser abandonada.

É aqui que nasce o piloto automático emocional. Reagimos para sobreviver. Não para escolher.

O espaço onde tudo pode mudar 

Existe um instante quase invisível entre aquilo que acontece e a forma como responde. É tão curto que, muitas vezes, nem damos por ele. Mas é precisamente aí que vivem as suas crenças. Os seus medos. As suas feridas. Os padrões que foi construindo ao longo da vida.

E é também aí que começa a reconstrução. Porque quando aprende a reconhecer esse espaço, deixa de viver permanentemente em piloto automático. Já não é conduzida apenas pelas versões de si que aprenderam a sobreviver. Começa, pouco a pouco, a responder a partir da mulher que está a construir. Não daquela que a dor construiu por si.

A verdadeira mudança acontece antes da resposta

Muitas pessoas dizem-me que gostavam de conseguir controlar melhor as suas emoções. Mas controlar não é transformar. Pode aprender a não gritar. Pode aprender a ficar em silêncio. Pode aprender técnicas para respirar fundo antes de responder. Tudo isso pode ajudar. Mas, se continuar sem compreender aquilo que está por detrás da sua reação, o padrão vai encontrar outra forma de aparecer. Porque o problema nunca esteve apenas na reação. Está na interpretação que faz daquilo que acontece. E essa interpretação nasce das crenças que foi construindo ao longo da vida.

A verdadeira transformação acontece quando deixa de responder automaticamente a partir das suas feridas. E passa a escolher conscientemente como quer responder.

A reconstrução começa na pausa

É exatamente este o trabalho que desenvolvo nas minhas mentorias. Não mudar quem é, mas ajudá-la a compreender porque reage da forma como reage.

Identificar as crenças, os medos e os padrões que continuam a conduzir muitas das suas decisões sem que se aperceba.

Desenvolver regulação emocional para que possa criar espaço entre aquilo que acontece e a forma como escolhe responder.

Porque a maturidade emocional não é deixar de sentir. Não é nunca mais ficar triste. Não é deixar de sentir medo. Nem viver sem gatilhos. A maturidade emocional é criar espaço suficiente entre aquilo que sente e a forma como escolhe agir.

Um espaço onde as suas decisões deixam de ser guiadas pelas suas feridas e passam a ser guiadas pelos seus valores.

É nesse instante que deixas de viver em piloto automático. Deixa de repetir padrões que já não a representam. Começa a construir relações mais conscientes. Escolhas mais alinhadas. E uma vida que reflete verdadeiramente a mulher que quer ser. Porque a reconstrução não acontece quando a vida deixa de a desafiar. Acontece quando deixa de entregar o volante das suas decisões às suas feridas. Descobre que, entre o gatilho e a resposta, existe sempre um pequeno espaço. Um espaço onde recupera a liberdade de escolher.

Porque, no fundo, a sua vida não muda quando mudam as circunstâncias. Muda quando deixa de reagir ao significado que o passado deu ao presente e começa a responder de acordo com os valores que escolhe para o seu futuro.

E é precisamente aí que a reconstrução começa.


Ana Pinto

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Permite-te curar, processar e evoluir

Mentora e criadora da plataforma ‘Naturalmente Mulher’, que visa apostar no desenvolvimento pessoal feminino, especialmente nas áreas da maternidade, desenvolvimento pessoal e divórcio consciente. Dedica-se à criação de conteúdos e mentorias para ajudar outras mulheres a alcançarem uma vida de clareza, propósito e equilíbrio. Tudo é criado de forma individual e de acordo com as necessidades de cada mulher.

-Contactos-

Instagram: naturalmente_mulher

Website: www.naturalmentemulher.pt

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