Depois de mais de uma década de percurso profissional no Médio Oriente e, atualmente, como consultora fundadora de ED | Fashion Business Management e formadora, em várias instituições nacionais, na área dos negócios de moda, há uma convicção que se reforça em cada projeto que acompanho: talento, por si só, não basta. A criatividade continua a ser o ponto de partida, mas é a capacidade de transformar uma visão em uma marca consistente e esta em um negócio sustentável que permite projetar para o mercado.
Foi precisamente essa reflexão que trouxe comigo da mais recente edição do Portugal Fashion Experience, organizada pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), onde a LuxWoman marcou presença como media partner.
Ao longo de vários dias, tornou-se evidente que Portugal vive um momento particularmente interessante na afirmação de uma nova geração de designers. Jovens criadores com propostas sólidas, identidades próprias e uma enorme vontade de conquistar o seu espaço de mercado. Mas também ficou claro que o percurso entre apresentar uma coleção e construir uma marca é um desafio que exige ferramentas, estratégia e conhecimento.
Foi essa constatação que inspirou esta nova iniciativa entre ED | Fashion Business Management e a LuxWoman: o lançamento de uma open call dirigida a novos designers e marcas emergentes portuguesas. O desafio é simples: apresenta o teu projeto e explica a visão para o futuro da marca. Entre todas as candidaturas, eu e a LuxWoman selecionaremos um vencedor, que terá acesso a uma sessão imersiva de mentoria estratégica, dedicada ao desenvolvimento do negócio, posicionamento de marca e definição de um plano de crescimento.
Porque acreditamos que apoiar o talento significa também criar condições para que ele se transforme em uma marca viável.
O palco onde apresentaram novas marcas
No âmbito do Bloom Contest 2026, plataforma de promoção de novos talentos do Portugal Fashion, oito jovens designers foram selecionados para apresentar as suas coleções: André Pinto, Afonso Afonso, Bruna Oliveira, Francisco Brito, Granatum Studio, José Rocha, PARARCHIVES e Rita Santos.
O grande vencedor foi André Pinto, estudante do MODATEX Porto, cuja coleção, marcada pela utilização de matérias têxteis metálicas, encontrou inspiração no clássico da ficção científica Metrópolis, de Fritz Lang (1927).
Apresentação da coleção de André Pinto, no Bloom Contest 2026, Porto (julho 2026), imagem de Ugo Camara.
A menção honrosa distinguiu Rita Santos, recém-licenciada em Design de Moda pela ESAD.
Apresentação da coleção de Rita Santos, no Bloom Contest 2026, Porto (julho 2026), imagem de Ugo Camara.
Como sublinhou Carlos Carvalho, presidente da ANJE, “o futuro não acontece por acaso”. Para que Portugal seja reconhecido internacionalmente pela excelência da sua moda, é necessário continuar a investir no talento e criar condições para que os designers possam crescer enquanto marcas e empresas.
Uma visão partilhada por diferentes intervenientes da indústria presentes no evento, entre eles Serge Carreira, diretor da Emerging Brands Initiative da Fédération de la Haute Couture et de la Mode, que reforçou a importância de criar pontes entre criatividade, mercado e internacionalização.
Quando a criatividade encontra identidade
Além do concurso Bloom, várias marcas emergentes estrearam-se no calendário do Portugal Fashion, revelando diferentes formas de interpretar a moda contemporânea “made in Portugal”.
A Ahcor apresentou Demora, uma coleção que explora a relação entre tempo, memória e transformação. Sob o conceito de Estranheza Familiar, Sílvia Rocha constrói um universo onde elementos reconhecíveis ganham novas leituras, cruzando referências clássicas com uma estética inesperada e quase futurista.
Apresentação da coleção da marca Achor, durante o Portugal Fashion Experience, Porto (julho 2026), imagem de Ugo Camara.
Também Veehana, de João Viana, fez a sua estreia com Interlúdio, uma proposta profundamente emocional onde memórias de infância, bonecas de porcelana e técnicas artesanais de tricot se transformam numa narrativa delicada sobre fragilidade, identidade e força feminina.
Apresentação da coleção da marca Veehana, durante o Portugal Fashion Experience, Porto (julho 2026), imagem de Ugo Camara.
Já a De Pino, fundada em 2020, chegou ao Portugal Fashion depois de conquistar reconhecimento internacional, incluindo uma nomeação para o LVMH Prize. A marca distingue-se pela combinação entre o rigor da alta-costura parisiense e uma linguagem contemporânea e sem género, recorrendo frequentemente a materiais deadstock e práticas de produção mais conscientes.
A Malteza, conhecida pelas suas peças produzidas on demand e made to measure, apresentou uma coleção marcada pelo contraste entre preto e branco, volumes arquitetónicos e matérias-primas orgânicas. O desfile culminou numa homenagem emotiva da criadora Joana Maltez à sua mãe, reforçando a dimensão pessoal presente no seu trabalho.
Apresentação da coleção da marca Malteza, durante o Portugal Fashion Experience, Porto (julho 2026), imagem de Ugo Camara.
Por sua vez, a dupla Losiento, formada por José Pinto e João Pereira, levou à passerelle uma proposta intensa e conceptual onde guerra, religião e crítica social se cruzam numa narrativa visual provocadora. Integrada na plataforma Incubator do Portugal Fashion, a marca constrói um universo muito próprio, onde a roupa se transforma em linguagem e comentário sobre o mundo contemporâneo.
Coleção kill me before the war, da dupla Losiento, no encerramento do Portugal Fashion Experience, Porto (julho 2026), imagem de Ugo Camara.
Mais do que coleções, negócios
Durante os dias de evento, Marta Marques, da Marques’Almeida, recordou que a diferenciação de Portugal passa inevitavelmente pela formação dos designers e pelo reforço da capacidade produtiva do país. Joana Duarte, da Béhen, destacou igualmente a importância de compreender a moda para além do design, olhando para toda a cadeia de valor da indústria.
São perspetivas que refletem uma realidade incontornável: lançar uma coleção é apenas o início. Construir uma marca implica definir posicionamento, conhecer o mercado, comunicar com consistência, gerir recursos e desenvolver uma estratégia de crescimento sustentável.
É precisamente essa ponte entre criatividade e negócio que pretendemos ajudar a construir através desta nova iniciativa.
Se és designer com um projeto que queres implementar no mercado ou tens uma marca emergente portuguesa, submete-nos o teu pitch pois o próximo projeto em destaque pode ser o teu.
Open call: sessão imersiva (diagnóstico e mentoria) com a duração de 2 horas.
Termos & Condições
A candidatura deverá ser submetida até 7 de setembro de 2026 para info@fashionbusinessmanagement.com, através do envio de um ficheiro em formato PDF, com dimensão máxima de 3 MB e até 20 páginas/slides.
O pitch deverá incluir uma apresentação do projeto ou da marca e dos seus fundadores, uma breve descrição do percurso desenvolvido até à data, os principais objetivos e desafios atuais, bem como os contactos diretos do candidato.
A open call destina-se a designers e marcas emergentes portuguesas.
As candidaturas serão avaliadas pela LuxWoman e pela ED | Fashion Business Management, tendo em conta a identidade da marca, a criatividade, o potencial de desenvolvimento e a clareza da visão estratégica apresentada.
O vencedor será anunciado nas redes sociais da LuxWoman durante o mês de outubro de 2026 e será posteriormente contactado através dos dados fornecidos na candidatura.
Os direitos de propriedade intelectual sobre os materiais submetidos permanecem na titularidade dos respetivos candidatos.
Esta iniciativa não constitui um concurso de sorte ou passatempo, sendo a seleção efetuada exclusivamente com base na avaliação qualitativa das candidaturas apresentadas.
Elsa Dionísio

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