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Menopausa & Audição

Que relação?

Afrontamentos, alterações de humor… Reconhece estes sintomas como associados à menopausa, certamente. Sabia que o declínio auditivo é outro dos sintomas, mas amplamente ignorado? Numa altura significativamente difícil para a mulher, este acaba por ser mais um desafio. Falámos com Marília Paulo, audiologista, para que fique a par de tudo.

De que forma a menopausa afeta a perda de audição? Que alterações auditivas encontra, na sua prática clínica, nas mulheres que atravessam esta fase?

Na menopausa, verificam-se grandes alterações hormonais e, como ainda há muito a descobrir sobre a influência das hormonas na audição, é fundamental identificar os sinais de alerta precocemente. Embora a perda auditiva seja, geralmente, associada à idade, atualmente, sabe-se que os problemas auditivos, sejam eles perda auditiva ou zumbido, têm aumentado a sua prevalência global e surgem cada vez mais cedo. Alguns estudos sugerem que a menopausa parece atuar como um gatilho para uma perda auditiva relativamente rápida. Embora algumas pesquisas apontem para que as mulheres apresentem melhor desempenho em testes auditivos do que os homens – o que parece ser efeito protetor do estrogénio – ter uma audição mais sensível pode não ser, necessariamente, bom, já que o ruído pode ter um efeito prejudicial em aspetos como a qualidade do sono. Quando comparado o início do declínio relacionado com a idade entre homens e mulheres, percebe-se que este ocorre mais tardiamente nas mulheres, por norma, a partir dos 50 anos, o que sugere a sua relação com a menopausa.

A que sintomas devem as mulheres estar atentas?

A mulher deve ficar atenta e procurar aconselhamento especializado, se não consegue acompanhar uma conversa simples ou se pede muitas vezes para repetir, se tem de aumentar o volume da TV ou rádio para compreender, se não consegue ouvir a campainha ou outros sinais de alerta. Em qualquer momento, se tiver dúvidas ou se identificar qualquer perda auditiva, gradual ou súbita, deve consultar o seu profissional de saúde, pois não é apenas a forma como ouve que está em causa, mas também a capacidade de funcionamento do cérebro.

São sintomas que as mulheres tendem a desvalorizar? Por que razão?

A perda auditiva tende a desenvolver-se de forma lenta e gradual, o que faz com que, muitas vezes, apenas sejam identificadas anos mais tarde. Havendo outras alterações mais evidentes, logo desde o início, que se tornam o foco da atenção, a perda auditiva “por não se ver”, acaba, muitas vezes, por ser ignorada. Esta atitude leva a diagnósticos tardios, que condicionam o sucesso do processo. Tratando-se, a menopausa, de uma fase de complexa transformação e adaptação, os estímulos cerebrais são fundamentais e a memória auditiva deve ser trabalhada, de modo a evitar o declínio cognitivo.

O que envolve uma avaliação audiológica? Por que razão se revela importante?

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