Mais do que simples acessórios, as joias têm a capacidade de transformar um look. São peças cheias de história que marcam fases da vida, reforçam a personalidade ou se tornam numa assinatura silenciosa. Mas, como em qualquer expressão de estilo, existem pequenos deslizes que podem comprometer o resultado final ou a durabilidade destas peças.
Mônica Rosenzweig, designer brasileira e fundadora do atelier Mônica Rosenzweig Jewellery, no Estoril, afirma que, quando se trata de joias, “não existem regras rígidas”, mas sim coerência com quem somos. “Há mulheres que podem usar muitas peças e ficam extraordinárias, porque isso faz parte da sua identidade”, comenta.
Mônica Rosenzweig, designer brasileira e fundadora do atelier Mônica Rosenzweig Jewellery, no Estoril
Ainda assim, a joalheira reconhece que há alguns erros que se repetem com frequência:
A importância da hierarquia no excesso
Usar várias peças não é, por si só, um problema. O que pode comprometer o visual é a ausência de um ponto de destaque: “Quando tudo chama a atenção ao mesmo tempo, o olhar perde-se”, explica Mônica. A dica da designer é definir uma peça principal e deixar que as restantes acompanhem, criando equilíbrio, mesmo em propostas mais ousadas.
Ignorar as proporções
A dimensão da joia deve dialogar com o corpo e com a roupa. Peças muito volumosas podem sobrepor-se a silhuetas mais delicadas, enquanto acessórios demasiado discretos desaparecem sob tecidos mais estruturados. “A proporção é fundamental. A joia precisa de conversar com a pessoa e com o que ela está a vestir”, sublinha.
Dourado combina com prateado? Sim, mas com intenção
Combinar ouro e prata pode resultar num visual contemporâneo e sofisticado. Mônica aprecia essa mistura: “Gosto muito de usar uma pulseira prateada com outra dourada. O contraste traz modernidade.”
O erro não está na combinação, mas na falta de ligação entre as peças: “Quando não há coerência de proporção, acabamento ou linguagem estética, pode parecer aleatório”, explica. Repetir um dos metais noutro ponto do corpo ou manter escalas semelhantes já cria harmonia suficiente.
Desconsiderar o contexto
Há peças que pedem determinados ambientes. Um colar exuberante, por exemplo, pode ser perfeito para um evento noturno e excessivo numa situação mais informal. “A elegância também está na adequação. Não é limitar o estilo, é perceber onde estamos.”
Colocar as joias antes da rotina de beleza
Perfume, cremes e produtos capilares podem afetar metais e pedras. O ideal é finalizar a preparação e só depois colocar as joias. “É um gesto simples que ajuda a preservar o brilho e o acabamento”, aconselha Mônica.
Usar sempre as mesmas peças
Criar apego a determinados acessórios é natural, mas a utilização contínua acelera o desgaste. Alternar permite conservar melhor as joias e redescobrir outras esquecidas. “A caixa de joias também deve ser revisitada com curiosidade.”
Deixar pérolas guardadas durante demasiado tempo
Ao contrário do que se possa pensar, as pérolas não devem permanecer anos fechadas numa caixa: “A pérola é orgânica e precisa de contacto com a pele e com a humidade natural do corpo para manter o brilho e a integridade”, explica Mônica. Guardadas por longos períodos, podem perder o viço e apresentar desgaste na superfície. Usá-las regularmente é, paradoxalmente, uma das melhores formas de as preservar.