A produtora portuguesa Alecrim Vagabundo recebeu uma bolsa internacional do Sundance Institute | Sandbox Fund. O anuncio foi feita nesta segunda-feira, 23 de março, pela Sundance Institute, organização sem fins lucrativos fundada pelo ator Robert Redford, e pela Sandbox Films, que anunciaram os nomes dos 16 projectos e 47 cineastas vencedores.
Gravado nas regiões mais setentrionais da tundra de Yakut, na Sibéria, o filme de Tamara Kotevska — realizadora candidata ao Óscar em 2019 com filme Honeyland —, intitulado The Mammoths that Escaped the Kingdom of Erlik Khan, e produzido pela Alecrim Vagabundo, acompanha Vladik, um jovem pastor de renas dolgan, que se encontra entre dois mundos: o caminho dos seus antepassados e a atracção pelos modernos caçadores de presas de mamute. O seu pai, Roma, enraizado nas crenças tradicionais, aconselha-o a não perturbar os espíritos dos gigantes congelados — uma maldição que assombra aqueles que comercializam os seus ossos. Porém, atraído pela promessa de fortuna, Vladik cede à tentação, sem saber até que ponto essa jornada irá pôr em risco a sua família, a sua herança e o frágil equilíbrio da própria terra.
“Quando o Enrico Saraiva [fundador da Alecrim Vagabundo] me propôs este projecto, não me pareceu algo acidental. Pareceu inevitável”, confessou Tamara Kotevska. “Esta é a nossa segunda colaboração em longa-metragem e, por esta altura, já funcionamos como uma unidade bem treinada. No mercado internacional do documentário, já não somos desconhecidos — estamos a construir algo sólido. A maior parte da equipa deste filme é a mesma que reuni no meu trabalho anterior, The Tale of Silyan (distribuído pela Nat Geo)”, acrescenta.
Documentário “The Mammoths that Escaped the Kingdom of Erlik Khan”
O fundo Sundance Institute | Sandbox Fund atribui bolsas a equipas com filmes em qualquer fase, desde o desenvolvimento até à pós-produção, criando oportunidades para explorar a ligação intrínseca entre ciência e cultura através de narrativas documentais inovadoras. Criado em 2017, tem contribuído para redefinir o género do documentário científico através de apoio financeiro e criativo a uma comunidade global de artistas de não-ficção.
De acordo com o Sundance Institute | Sandbox Fund, os projectos seleccionados têm origem em 11 países: Dinamarca, Guatemala, Islândia, Índia, Cazaquistão, Quénia, Macedónia do Norte, Portugal, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. As candidaturas deste ano incluíram 56% de submissões não norte-americanas, com grande interesse por parte de regiões do mundo com apoio limitado aos media independentes. Metade dos projetos é de realizadores de primeira ou segunda longa-metragem documental, e cinco projetos marcam a estreia em longa-metragem dos respetivos realizadores.
Os temas que emergiram entre os projectos apoiados este ano incluem: o poder da memória na formação da identidade; a forma como outras espécies, cientistas, narradores e detentores de saberes tradicionais indígenas enfrentam a transformação ambiental; e como a aceleração tecnológica está a forçar um confronto com os limites biológicos e ecológicos, redefinindo o tempo e a condição humana.
“Os cineastas que conseguimos apoiar através deste fundo estão todos a realizar um trabalho extraordinário na intersecção entre arte e ciência. É entusiasmante testemunhar a sua criatividade e as suas abordagens únicas à narrativa científica. Estamos gratos pela parceria com o Sundance Institute, que nos tem apresentado projetos de todo o mundo e nos demonstrado que existe um apetite, na comunidade do cinema independente, para contar estas histórias”, afirmou Jessica Harrop, directora executiva da Sandbox Films.
O documentário com selo português tem estreia marcada para 2027.