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“Projecto Global”: o primeiro retrato cinematográfico sobre as FP-25

Na edição de maio da revista LuxWoman, já nas bancas, Jani Zhao fala sobre os desafios de interpretar Rosa em “Projecto Global”, filme de Ivo M. Ferreira que chegou às salas de cinema portuguesas na passada quinta-feira, 23 de abril.

“Projecto Global” chegou às salas de cinema portuguesas na quinta-feira passada, 23 de abril. Ivo M. Ferreira revisita um dos períodos mais sensíveis da história recente portuguesa nesta obra que apela à reflexão pública e à preservação da memória coletiva.

Produzido pela produtora O Som e a Fúria, com distribuição pela NOS Audiovisuais, o filme afirma-se como uma das maiores produções nacionais de sempre, com um orçamento superior a cinco milhões de euros.

A narrativa decorre em Lisboa, no início da década de 1980, num dos períodos mais sensíveis da jovem democracia portuguesa, marcado pela atividade armada das Forças Populares 25 de Abril (FP-25). Trata-se do primeiro registo cinematográfico de ficção dedicado a este movimento, abrindo espaço no cinema para a representação de um período da história recente do país.

Poster do filme

Com Jani Zhao, Rodrigo Tomás, José Pimentão, Isac Graça, Ivo Canelas e Gonçalo Waddington nos principais papéis, a história acompanha três membros do grupo — Rosa, Queiroz e Jaime — e Marlow, figura do campo oposto, ligada ao passado íntimo de Rosa. Através destas personagens, constrói-se um retrato denso de um tempo atravessado por convicções extremadas, dilemas morais e relações pessoais moldadas por um clima permanente de clandestinidade, vigilância e confronto.

Mais do que uma reconstituição histórica, o filme propõe uma reflexão crítica sobre o destino dos ideais revolucionários no período pós-25 de Abril, interrogando o momento em que a ação política se fragmenta e a violência passa a ser entendida como instrumento de resistência. Ao fazê-lo, inscreve a experiência portuguesa num fenómeno mais amplo, que marcou vários países europeus nas décadas de 1970 e 1980, estabelecendo pontes com contextos políticos semelhantes noutras geografias.

Inspirado na tradição dos grandes thrillers políticos europeus e norte-americanos desse período, o filme cruza tensão narrativa, ação e densidade política.

“Projecto Global”  teve a sua estreia mundial em fevereiro, no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, onde integrou a competição Big Screen, dedicada a obras de autor com forte potencial de comunicação com o público. Foi o único título português em competição nesta edição do festival. A obra, apesar de não ter ganho o prémio, assinalou o regresso do realizador ao circuito internacional de festivais.

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