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Quando os muros falam em 3D - Sérgio Odeith


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Quando os muros falam em 3D

Conversámos com o artista português Sérgio Odeith, que acaba de pintar ‘o fim do mundo’ em graffiti.

O canal História estreia. este domingo, 12 de fevereiro, a série documental ‘O Fim do Mundo’, uma superprodução que aborda a grande questão da Humanidade: como é que o mundo vai acabar? Será que a espécie humana vai sobreviver?

Ao longo de seis episódios, todos os domingos, às 22h, a série mostrará 10 diferentes formas de se destruir a Terra, analisando os desastres apocalíticos tão cataclísmicos que se acontecessem hoje, poderiam levar à extinção da humanidade, e inclui comentários de especialistas a explicar a plausibilidade destas situações.

A convite do canal, o artista português Sérgio Odeith pintou, na Gare do Oriente, o cartaz publicitário em graffiti 3D.

A pintura foi feita em cinco dias, ao vivo (veja na galeira todo o processo). A LuxWOMAN também esteve lá e falou com o artista.

Como nasceu o convite para fazer este projeto?

De uma forma muito natural: fomos contatados para um possível trabalho, eu e a pessoa que trabalha comigo. Fizemos o processo de orçamentos, delineámos um plano e o trabalho foi aceite! Foi tudo muito rápido.

Acredita que existe um maior reconhecimento da arte do graffiti, também aplicada a iniciativas como esta?

Sim… Mas acredito que, acima de tudo, há uma grande evolução da arte em si e isso depois traduz-se em tudo o resto. Há uns anos, os trabalhos não eram tão profissionais, tão bonitos, tão originais… E isso foi um passo fundamental para que a arte passasse a ser reconhecida. Além disso, é uma arte gratuita, acessível, acho que isso também ajuda.

Como é que se evoluiu para esse maior profissionalismo?

Anos e mais anos a pintar! É importante passar-se muito tempo a pintar, ir a eventos no estrangeiro, onde se vão aprendendo truques e outras coisas…

Em Portugal, é uma arte, então, mais reconhecida?

Sim, acho que no mundo inteiro mudou bastante… Mesmo, nos últimos 10, 15 ou 20 anos a arte do graffiti evolui bastante.

Porquê o 3D? O que o apaixona nos graffitis em 3D?

Eu sempre gostei de trabalhos realistas e que causassem impacto visual e, a dada altura, tive essa visão do espaço. Decidi arriscar e correu bem! (risos) A partir daí, comecei a ganhar mais nome e hoje um dos meus maiores desafios continua a ser conseguir trazer algo de novo, sempre.

São muitos anos a pintar, como referiu. É importante não desistir?

Sim, sem dúvida. Lembro-me de, por vezes, dizer a certos jovens que estavam a começar que já pintava há dez ou 15 anos e que o importante era não desistir, porque um dia poderia acontecer alguma coisa, algo positivo. Acho que esse é o passo número um: ter consciência de que não se pode desistir nunca. Só hoje, 15 anos depois de ter começado a pintar, é que alguém no Louisiana, por exemplo, paga para ter o meu nome pintado com umas letras…

Expôs no Museum of Public Art, no Louisiana, EUA, na 1st Bienal del Sur, no Panamá e na BE – Brazilian Museum for Sculpture, em São Paulo, Brasil. Algum dia imaginou ter uma exposição sua?

Quando aconteceu, não foi nada que tivesse imaginado. Às vezes estamos a pintar e não sabemos o que é que o futuro nos reserva.

Muitas pessoas associam, ainda, o graffiti a uma mensagem que o artista quer passar para a sociedade. Identifica-se com este tipo de postura?

Não me identifico muito. Não é fácil, porque às tantas acho que começamos a viver a mensagem e podemo-nos deixar transformar pela ela. O ideal é seguirmos o instinto, pintarmos o que sentimos. Se for a parte da mensagem, se estivermos a sentir essa mensagem, que o façamos. Agora, se for a parte simplesmente de pintura associada a algo reivindicativo só porque sim, não acredito nisso…

É a arte em si que o atrai mais?

Sim, as letras tridimensionais e objetos a flutuar em cantos. Neste momento, é isso que me atrai mais.

Que tipo de profissionalização se pode fazer hoje em termos de graffiti?

Não há nada! E se houver, não é a mesma coisa. Acho que tudo parte de um princípio de se pintar de forma ilegal na rua, ganhar-se algum reconhecimento, ganhar-se respeito.

O graffiti baseia-se, então, nos ensinamentos de rua que passa de graffiter para graffiter?

Sim, são coisas que se vão aprendendo a fazer com o tempo. Só há uma forma de aprender, que é fazer. Manejar uma lata não é fácil, controlar a pressão de uma lata também não é fácil, são coisas cuja prática só ganhamos com o tempo. Lá está: é importante não desistir e querer fazer mais e melhor. Por vezes, podemos querer fazer só uma brincadeira, só umas letras e não querer seguir ou ganhar nada com aquilo. Agora, se quisermos seguir algo mais profissional ou se quisermos evoluir, aí tem de ser mesmo uma coisa constante, com vários murais, com umas 40 ou 50 latas; o dia inteiro a pintar, dois dias inteiros a pintar; conseguir arranjar espaço onde possa estar esse tempo a pintar, porque, por vezes, é ilegal e o ilegal é temporário, é rápido, não dá para estar ali a explorar técnicas ou a experimentar.

As ideias surgem na altura, então? É tudo de improviso

No início, sim, claro!

Quando faz os seus trabalhos, pensa no que vai fazer ou a inspiração vem também na altura?

Não, muitas vezes é estudado, para ver o que se pode fazer ou não, porque quero trazer algo novo. Claro que também pode surgir de improviso, como foi o caso deste trabalho para o Canal História. Nunca tinha feito nada deste género, foi um bocado de improviso e resultou. Na maior parte dos trabalhos, tento sempre trazer algo novo e isso, por vezes, implica um processo de preparação e algumas horas de esforço psicológico a pensar o que é que se pode fazer.

Vê-se hoje, em Lisboa e noutras capitais europeias, o graffiti a ser usado como forma de revitalizar um bairro. Acredita que pode mesmo funcionar?

Tentarem fazer de um bairro, uma galeria é bom porque são formas de trazer algo positivo e inspirador para os bairros. É importante para os miúdos acreditarem que há ainda uma hipótese de agarrarem nalgum formato artístico. Acredito que em alguns bairros possa sair dali um artista ou dois.

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