Durante a época festiva nem tudo é sinónimo de alegria, convívio e união. Para algumas pessoas, esta época representa um período de muita sobrecarga emocional. Isto porque as rotinas mudam, as responsabilidades acumulam-se, a agenda fica mais cheia e cresce a pressão de “ter” de corresponder às expectativas familiares e sociais.
Segundo Cátia Silva, Psicóloga Clínica especializada em Ansiedade, Depressão, Autoestima, Luto, Burnout e PHDA, quando o cérebro perde previsibilidade e sente exigência constante, ativa mecanismos de alerta que podem manifestar-se através de tensão muscular, irritabilidade, dificuldade em relaxar, alterações no sono ou sensação de estar sempre “em esforço”. Esta combinação torna o sistema nervoso mais reativo, aumenta a probabilidade de stress e intensifica sintomas de ansiedade.
Cátia Silva, Psicóloga Clínica especializada em Ansiedade, Burnout, Depressão, PHDA e Autoestima
“O aumento do stress, nesta fase, não surge apenas das tarefas adicionais, mas também da pressão emocional, sentida principalmente pelas mulheres. Muitas procuram ser tudo ao mesmo tempo: anfitriãs, cuidadoras, profissionais, amigas, mães/pais e organizadoras de toda a logística familiar. A isto juntam-se outros fatores que podem contribuir para um aumento da ansiedade: comparações familiares, relações tensas, perguntas invasivas, recordações difíceis ou perdas recentes. A época festiva intensifica emoções, porque reúne pessoas, expõe fragilidades e ativa memórias” revela a psicóloga.
Porém, existem estratégias que pode – e deve – adotar para lidar com o stress e a ansiedade. Cátia Silva partilha algumas:
O primeiro passo consiste em reduzir a quantidade de estímulos. Dizer “não” a compromissos que ultrapassam a disponibilidade emocional diminui a sobrecarga. Sem limites, torna-se impossível aplicar as restantes estratégias de forma eficaz.
- Organize a sua agenda com períodos reais de descanso
Depois de estabelecer limites, a agenda pode ser ajustada. Dias com menos compromissos dão ao organismo a oportunidade de recuperar e evitam estados de exaustão. Este ponto é a continuidade do anterior: menos obrigações, mais espaço para respirar.
- Crie micro-pausas ao longo do dia
Uma vez que a agenda já está equilibrada, entra a importância das pausas regulares. Momentos de 1 a 2 minutos para respirar fundo, relaxar o corpo ou caminhar, quebram o ciclo de tensão e ajudam o sistema nervoso a estabilizar.
- Prepare respostas para conversas desconfortáveis
Grande parte do stress desta época surge de interações sociais. Antecipar respostas simples como “prefiro não falar sobre isso” ou “podemos mudar de tema?”, reduz a ansiedade antecipatória e devolve segurança à pessoa.
- Mantenha hábitos que estabilizam o corpo
Depois de ajustar o ambiente externo, importa regular o corpo. Horários de sono, alimentação equilibrada, movimento físico e exposição à luz natural são comportamentos que diminuem a hiperativação fisiológica e aumentam a resistência ao stress.
- Sempre que possível evite ambientes emocionalmente inseguros
Minimizar a exposição a relações conflituosas protege a energia emocional e previne crises de ansiedade.
- Pratique técnicas breves de regulação emocional
Técnicas simples e baseadas na evidência, tais como respiração diafragmática e relaxamento muscular, reduzem rapidamente a ativação fisiológica.
A pressão para viver uma “época perfeita” aumenta a ansiedade. Ajustar expectativas e optar por um “suficientemente bom” reduz a frustração e devolve realismo à experiência.
Validar o que se sente diminui o conflito interno e cria um ambiente psicológico mais seguro. É a base para aplicar todas as estratégias anteriores com consistência.
“O stress e a ansiedade da época festiva são respostas naturais a um período marcado por exigência emocional, multiplicação de tarefas e alterações na rotina. Não se trata de fraqueza, mas de uma reação do organismo à sobrecarga. Com limites claros, ritmo ajustado, estratégias de regulação e expectativas realistas, é possível viver esta fase com mais equilíbrio. O foco deve estar no bem-estar, na proteção emocional e na capacidade de escolher aquilo que realmente faz sentido” reforça Cátia Silva.
A época festiva não precisa ser perfeita, precisa sim de ser sustentável, verdadeira e alinhada com aquilo que cada pessoa tem para dar neste momento.