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Ainda não somos iguais, mas fingimos melhor…

Uma crónica entre o avanço e o cansaço de ser mulher, no século XXI.

Chamam-nos supermulheres. Mas talvez estejamos apenas a fazer o trabalho de três pessoas, em silêncio e com um sorriso. Atualmente, com 41 anos, faço parte de uma geração de mulheres que estudaram mais, lideraram mais, conquistaram mais. Que chegam a mais lugares, com mais resiliência, mais formação, mais carga mental. Que conseguem tudo. Mas a que custo? Que lugar ocupamos, realmente, hoje? No papel, progredimos. Na pele, ainda estamos a tentar respirar entre o trabalho, os filhos, os e-mails não lidos, as expectativas sociais, a pressão para parecermos jovens, a culpa de dizer “não”, o medo de sermos vistas como menos. Ou como demais.

O AVANÇO INCOMPLETO

Ainda há um fosso entre o que as mulheres conquistaram e o que continuam a carregar. O Gender Pay Gap em Portugal ronda os 12,6%. Porém, este não é apenas um tema de euros no final do mês. É uma questão de reconhecimento, de mobilidade, de voz. E de liberdade. A cultura da “supermulher” romantiza a sobrecarga. Transforma o excesso em virtude. E instala, de forma silenciosa, a síndrome do impostor: um padrão de pensamento e de sentimento de que nunca se é suficiente, de que estamos sempre em falha e a tendência para nos compararmos em permanência, admirando, nos outros, o que ainda não somos e já devíamos ser. Mais prevalente em mulheres, não por fraqueza, mas porque fomos socializadas para agradar, para provar, para ler os outros antes de nos lermos a nós mesmas. Como diz Michelle Obama: “Às vezes, penso que a maior obra de engenharia social é o modo como fomos ensinadas a duvidarmos de nós.”

Na medicina, também fomos tratadas como exceção. Os corpos femininos foram, sistematicamente, excluídos de muitos estudos clínicos, durante décadas. Isso tem impacto direto em diagnósticos errados, em falta de compreensão sobre como funcionam os nossos ciclos, as nossas hormonas, os nossos sintomas. Não é coincidência que as doenças autoimunes, muitos transtornos psicológicos e os diagnósticos tardios sejam mais comuns em mulheres. O corpo feminino tem sido mais observado que compreendido. Mais exigido do que respeitado.

A VIDA REAL

Na vida real, a maioria de nós…

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