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Crianças & Alergias: Como prevenir e tratar?

O bom tempo chegou e, com ele, as alergias. Falámos com a enfermeira Luciana Rodrigues, especialista em reabilitação respiratória, para que saiba o que fazer para que os seus filhos possam desfrutar da estação… em pleno!

Como podemos distinguir alergia de infeção respiratória?

Na alergia, o corrimento nasal é claro e fluido, com espirros matinais, comichão nos olhos/nariz, sem febre, nem mal-estar geral associados. Os sintomas aparecem sempre nas mesmas épocas ou em contacto com determinados ambientes. Na infeção, o quadro evolui ao longo dos dias: febre, cansaço, muco espesso e amarelado ou esverdeado. A criança está visivelmente indisposta. A ausência de febre e a sazonalidade são os sinais mais úteis para distinguir os dois.

E uma alergia ou infeção respiratória de uma simples constipação persistente?

A primeira distinção útil é a sazonalidade, e é mais reveladora do que parece. As constipações acontecem, sobretudo, no outono e no inverno, quando os vírus respiratórios circulam com mais intensidade e as crianças passam mais tempo em espaços fechados. A rinite alérgica, por outro lado, tende a agravar-se na primavera, quando os pólens estão no pico, e melhora quando a época polínica termina. Se uma criança começa, todos os anos, em março ou abril, com nariz entupido, espirros e comichão nos olhos/nariz, e em junho está bem, o calendário já está a dar uma pista importante. Porém, a sazonalidade não é a única chave. Há outras diferenças concretas que ajudam a distinguir os quadros. Na constipação, os sintomas evoluem de forma previsível: começam com corrimento nasal e mal-estar, por vezes, acompanhados de febre, e, ao longo de uma semana, vão melhorando progressivamente. O muco começa claro, torna-se espesso e amarelado ou esverdeado, à medida que o sistema imunitário combate o vírus, e depois resolve. A criança está visivelmente indisposta, cansada, sem apetite, diferente do habitual. Em sete a dez dias, o quadro está resolvido. Na rinite alérgica, o padrão é completamente diferente. Não há febre, não há mal-estar geral, e a criança está ativa, o que, por vezes, leva os pais a desvalorizar os sintomas. O corrimento nasal é claro e fluido, não espessa, e não melhora com o tempo da forma que uma constipação melhora. Os espirros surgem em salvas, especialmente, de manhã ou após exposição ao exterior. Os olhos coçam e ficam vermelhos. E os sintomas não desaparecem em dez dias, persistem enquanto o alergénio estiver presente. Há, também, um padrão de comportamento que é muito característico na rinite: a criança esfrega o nariz de baixo para cima com a palma da mão, chamada “saudação alérgica”, que, com o tempo, pode desenvolver uma prega horizontal no nariz de tanto o esfregar. São sinais subtis, mas que um observador atento reconhece. O grande problema surge quando a criança tem constipações frequentes no inverno e rinite na primavera. Os pais, exaustos, acabam por normalizar tudo como “está sempre constipada”. A repetição é aqui o sinal de alerta mais importante. Uma criança saudável pode ter seis a oito constipações, por ano, nos primeiros anos de vida, devido à imaturidade do sistema imunitário. O que não é normal é que cada episódio dure mais de dez dias, que não haja períodos claros de recuperação entre eles, ou que os sintomas mudem de caráter conforme a época do ano.

Quais os principais desencadeantes alérgicos da primavera?

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