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Liderar, criar e expandir: a visão de Beatriz Santillana na STREET Smash Burgers

Falámos com a co-fundadora e Head de Marketing sobre liderança, ambição e construção de marca.

Num momento em que a restauração se afirma cada vez mais como experiência e identidade, a STREET Smash Burgers tem vindo a destacar‑se pelo seu crescimento consistente e linguagem própria. Beatriz Santillana, co‑fundadora e Head of Marketing, está à frente do projeto.

Natural de Espanha, Beatriz desenvolveu a sua carreira profissional na Suíça, onde trabalhou num banco global de referência depois de se licenciar em Engenharia de Telecomunicações. Ganhou experiência como Cloud Architect em ambientes altamente estruturados e orientados para a performance, desenvolvendo uma mentalidade analítica e um forte foco em escalabilidade, precisão e estratégia de longo prazo.

Além da carreira corporativa, a gastronomia sempre foi uma constante na sua vida. Não é algo ligado apenas a viagens ou a ocasiões especiais, mas parte da sua rotina diária e da forma como vive as cidades. A forma como escolhe onde viver, onde encontrar‑se com amigos ou como passar o tempo sempre esteve ligada a restaurantes, conceitos e cultura gastronómica. Tem um grande interesse pela forma como os espaços são desenhados, como as marcas constroem atmosfera e como a hospitalidade contribui para a identidade de uma cidade.

Beatriz Santillana, co‑fundadora e Head of Marketing

Com o tempo, desenvolveu um olhar apurado para o detalhe e um forte sentido de coerência estética. Para ela, a comida não é apenas um produto; é experiência, design e emoção. Essa perspetiva, combinada com a sua disciplina analítica, evoluiu naturalmente para o empreendedorismo.

Hoje dedica‑se totalmente a expandir a STREET pela Europa, combinando estrutura e intuição, performance e criatividade, com uma mentalidade profundamente empreendedora e uma visão clara de longo prazo.

O que significa para si liderar, como mulher, em 2026?

Para mim, liderar hoje significa ter uma visão clara e a capacidade de transformar essa visão em algo real, com consistência e responsabilidade. Nos últimos anos temos visto cada vez mais mulheres a liderar projetos ambiciosos, e isso ampliou muito as formas que a liderança pode assumir. Mais do que existir um único estilo feminino de liderança, acredito que o mais importante é a autenticidade e a coerência.

Ao mesmo tempo, penso que muitas mulheres partilham uma forma de trabalhar muito envolvida e responsável. No meu caso, sinto sempre que o meu rosto está por detrás da STREET e, por isso, nunca coloco nada no mundo de que não me orgulhe genuinamente. Cada abertura, cada campanha e cada detalhe representa o projeto e, de certa forma, também me representa a mim; por isso, o nível de responsabilidade é muito pessoal.

A minha forma de liderar é muito próxima do projeto. Gosto de estar envolvida, perceber como as coisas funcionam e participar nos detalhes. Trabalho muito e sinto que visto a camisola da STREET praticamente vinte e quatro horas por dia, mas isso é natural para mim porque a gastronomia sempre foi uma verdadeira paixão. Poder construir uma marca numa área de que gosto tanto deixa‑me muito feliz, e sinto que estou num dos momentos mais gratificantes da minha vida.

Para mim, liderar também significa construir confiança genuína. É muito importante que as pessoas que trabalham comigo o façam porque realmente querem, porque acreditam no projeto e confiam no meu julgamento. Quando isso acontece, a liderança torna‑se algo orgânico e não imposto. Também me importa muito que a equipa sinta verdadeiramente a marca. Quando as pessoas têm orgulho naquilo que estão a construir, a energia é completamente diferente e o projeto torna‑se muito mais forte.

Que competências considera mais importantes num líder hoje e quais foram decisivas no seu percurso?

Acredito que as competências mais importantes hoje são o julgamento, a execução e a consistência. Ter ideias é importante, mas o que realmente faz a diferença é conseguir transformar essas ideias em realidade e manter um padrão elevado ao longo do tempo.

No meu caso, os fatores mais decisivos foram a autodisciplina e a atenção ao detalhe. Sou muito perfeccionista e exigente comigo mesma e tenho dificuldade em aceitar resultados que não estejam ao nível que acredito ser possível. Penso que o resultado final é sempre a soma de muitas pequenas decisões e que, quando esses detalhes estão bem executados, isso nota‑se.

Sou também uma pessoa muito curiosa, e isso influenciou bastante a minha forma de trabalhar. Gosto de perceber por que é que as coisas funcionam e por que é que não funcionam. Viajo muito e estou sempre a observar conceitos, espaços e marcas. Com o tempo desenvolve‑se um olhar mais treinado e uma intuição mais forte sobre o que tem valor e o que não tem, e isso torna‑se uma ferramenta importante na tomada de decisões.

Ao mesmo tempo, sou bastante analítica e orientada por números. Gosto de compreender o negócio através de dados e de tomar decisões com base em informação real. A intuição é extremamente importante, sobretudo quando se constrói uma marca, mas funciona melhor quando é acompanhada por análise.

Já no cargo, desenvolveu novas competências que considera importantes?

Acredito que desenvolvi um forte sentido de julgamento estético e de intuição, algo que foi muito importante na construção da STREET. Muitas decisões estratégicas passam por perceber o que transmite qualidade, o que faz sentido dentro da identidade da marca e o que cria coerência. Esse tipo de julgamento nem sempre é fácil de explicar, mas é essencial quando se constrói uma marca com identidade clara.

Outro elemento fundamental foi a capacidade de construir confiança. Para mim é muito importante que as pessoas que trabalham comigo o façam porque realmente querem fazer parte do projeto. Gosto de pensar que, quando alguém escolhe trabalhar comigo, é porque acredita na minha visão e no meu julgamento. Quando essa confiança existe, os projetos crescem muito mais.

 

A STREET Smash Burgers tem uma identidade forte e muito reconhecível. Qual foi a sua visão estratégica ao construir e posicionar a marca no mercado?

Desde o início, a nossa visão estratégica foi construir uma marca com identidade clara e com uma perspetiva de longo prazo. Não queríamos simplesmente abrir restaurantes, mas criar algo reconhecível e coerente, com um padrão muito definido.

Sempre entendemos a qualidade de forma abrangente. Não se trata apenas do produto, mas também do ambiente, da experiência e da sensação geral que a marca transmite. Para mim é muito importante que tudo faça sentido como um todo e que exista consistência entre aquilo que dizemos e aquilo que o cliente vive.

Muitas decisões nasceram de uma intuição muito clara sobre aquilo que queríamos que a STREET fosse e aquilo que não queríamos que fosse. A cozinha aberta reflete transparência e confiança. Os clientes conseguem ver exatamente como trabalhamos e como a comida é preparada, o que cria uma relação muito direta e honesta com a marca.

Também foi importante posicionar a STREET como uma marca ligada à cultura contemporânea. Colaboramos com comunidades locais e mantemo‑nos próximos de áreas como a moda, a música e o desporto, porque acreditamos que uma marca de restauração hoje pode fazer parte da vida cultural das cidades onde está presente.

Uma parte essencial da nossa estratégia tem sido manter uma forte coerência enquanto crescemos. Expandimos rapidamente pela Europa, mas sempre tentando garantir que cada nova abertura reflete os mesmos padrões e a mesma identidade.

Enquanto Head of Marketing, como equilibra criatividade e performance?

Para mim, criatividade e performance devem reforçar‑se mutuamente. A criatividade é o que torna uma marca interessante e memorável, mas precisa de traduzir‑se em impacto real.

Gosto de trabalhar na interseção entre intuição criativa e disciplina analítica. Sou bastante orientada por dados e gosto de perceber claramente o que funciona e o que não funciona, mas também confio muito na intuição quando se trata de decisões de marca.

Que métricas são inegociáveis para si?

Tentamos medir tudo o que fazemos e compreender o contributo real de cada ação. As métricas que são inegociáveis para mim estão sobretudo relacionadas com o crescimento sustentável do negócio. Analiso de perto a evolução das vendas por restaurante, o impacto real das campanhas, a geração de tráfego e a recorrência dos clientes.

Ao mesmo tempo, existe uma dimensão mais estratégica que nem sempre pode ser medida no curto prazo, que é a construção da marca. Cada ação tem de reforçar a identidade da STREET e contribuir para valor a longo prazo.

Para mim, marketing não é apenas comunicação. É uma ferramenta estratégica que apoia o crescimento e a solidez do negócio.

Como definiria a cultura interna que pretende construir na STREET Smash Burgers?

Tentamos construir uma cultura baseada no envolvimento genuíno e no orgulho em fazer as coisas bem. A STREET é um projeto exigente e precisamos de pessoas que realmente queiram envolver‑se.

É muito importante para mim que a equipa sinta verdadeiramente a marca. Quando as pessoas sentem que fazem parte de algo com identidade e direção claras, o nível de compromisso muda completamente. Queremos que as pessoas tenham orgulho em fazer parte da STREET.

Que tipo de liderança é aplicada no trabalho diário com as equipas?

No trabalho do dia a dia procuro liderar com proximidade e pelo exemplo. Sou muito hands‑on e gosto de estar próxima dos detalhes, porque é aí que o padrão é definido.

Trabalho muito e acredito que a equipa percebe que o projeto é algo muito real para mim. Isso cria confiança e incentiva as pessoas a comprometerem‑se com o projeto de forma genuína.

Para mim é muito importante que as pessoas trabalhem connosco porque realmente querem estar aqui. Gosto de construir equipas onde exista confiança e onde as pessoas escolham investir‑se no projeto porque acreditam nele.

A ambição feminina ainda é mal interpretada. Como lida com essa perceção e que papel teve a ambição no seu percurso?

Para mim, a ambição sempre foi algo muito natural e muito ligado ao desejo de construir algo com significado. Nunca entendi a ambição como competir com os outros, mas como uma vontade constante de melhorar e de levar os projetos o mais longe possível.

Sou uma pessoa muito empreendedora e sempre tive uma forte vontade de criar coisas. A STREET é o projeto mais importante da minha vida até agora, e sinto‑me profundamente ligada a tudo o que estamos a construir.

A minha ambição está muito ligada à ideia de fazer as coisas bem feitas. Sinto sempre que é possível melhorar, e essa mentalidade é o que me faz avançar.

A ambição pode por vezes ser interpretada de forma diferente nas mulheres, mas acredito que, quando existe trabalho consistente e resultados claros, essas perceções acabam por perder relevância.

Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que querem empreender ou assumir posições de liderança, mas ainda hesitam em dar o primeiro passo?

Diria para confiarem no seu julgamento e na sua intuição, porque muitas vezes o maior obstáculo é acreditar que ainda não estamos preparadas, quando na realidade grande parte da aprendizagem acontece ao longo do caminho.

Construir algo exige muito esforço e consistência, mas também é uma experiência profundamente enriquecedora. Quando se trabalha em algo que realmente nos apaixona, o esforço passa a fazer parte do percurso e a motivação surge de forma muito natural.

Também acredito que é muito importante rodearmo‑nos de boas pessoas e construir relações baseadas na confiança. Nenhum projeto se constrói sozinho, e ter pessoas que acreditam naquilo que estamos a fazer faz uma enorme diferença.

Sempre soube que queria construir algo meu e, hoje, sinto que estou num dos momentos mais felizes da minha vida porque posso dedicar‑me totalmente à STREET e ver o projeto crescer e evoluir em diferentes países.

A STREET é um projeto em que acreditamos profundamente, e sinto que ainda estamos apenas no início daquilo que pode vir a ser. Poder construir uma marca assim, numa área que me apaixona, motiva‑me todos os dias.

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