Já ouviu falar no Dia de Esquecer as Resoluções de Ano Novo? Acredita-se que a maioria das pessoas leva cerca de duas semanas a desistir das resoluções e objetivos definidos no início do ano. É aí que surge este conceito, cada vez mais falado.
Apesar de não ser uma data oficial, em Portugal assinala-se a 17 de janeiro. Esta data serve como um reflexo muito real do que acontece na vida de muitos: o entusiasmo inicial esbate-se e as promessas começam a ficar para trás. Mas porque é que desistimos? A resposta é simples: não desistimos porque somos fracas ou indisciplinadas, mas porque criamos objetivos irrealistas e difíceis de realizar.
Cinco razões pelas quais os objetivos ficam pelo caminho
Especialista em minimalismo e organização pessoal, Cláudia Ganhão vê este padrão repetir-se com frequência:
“As metas são bem-intencionadas, ambiciosas, cheias de esperança, mas raramente têm em conta a rotina que já existe — trabalho, família, responsabilidades, cansaço acumulado. Acreditamos que, com vontade, conseguimos tudo. Mas a vontade sem método dura pouco. E então surge a frustração. O que falta não é força de vontade, é estratégia. E, mais importante ainda, é gentileza connosco mesmas.”
Cláudia Ganhão, Especialista em minimalismo e organização pessoal
A especialista aponta cinco razões pelas quais os objetivos ficam pelo caminho:
- Criamos metas difíceis de atingir: Objetivos vagos ou demasiado ambiciosos parecem motivadores no início, mas tornam-se difíceis de sustentar;
- Definimos objetivos que não encaixam na vida real: A rotina continua exatamente igual, mas esperamos resultados diferentes;
- Confundimos disciplina com exigência: A disciplina não nasce da pressão; nasce da repetição possível, ajustada ao ritmo de cada pessoa;
- Começamos sem sistemas de apoio: É fácil iniciar uma mudança. Mantê-la exige estrutura, acompanhamento e contexto;
- Continuamos presas ao mito da “mulher guerreira”: A ideia de que é preciso aguentar tudo, fazer tudo e nunca parar conduz ao esgotamento, não à mudança sustentável.
Oito passos para ultrapassar o Dia de Esquecer as Resoluções de Ano Novo e criar mudanças que duram
Agora que percebemos porque é que os objetivos ficam pelo caminho e não duram mais de duas semanas, é o momento de criar mudanças que perdurem. Porém, não com planos perfeitos, mas com escolhas conscientes, simples e possíveis:
- Escolha um tema para o seu ano, não uma lista infinita de metas: Cuidar de si, simplificar, priorizar o essencial. Um tema orienta decisões sem criar pressão;
- Defina apenas três prioridades: Quando tudo é importante, nada é prioridade;
- Crie ritmos, não metas rígidas: Rotinas leves adaptam-se melhor à vida real do que regras inflexíveis;
- Trabalhe com o princípio do 1% diário: Pequenas ações consistentes transformam mais do que grandes promessas;
- Organize o seu tempo com intenção: Agende tempo para si antes do resto — antes das tarefas, antes das exigências externas;
- Faça uma mudança de cada vez: Tentar mudar tudo ao mesmo tempo é uma das principais razões para desistir;
- Celebre o progresso, mesmo quando parece pequeno: O cérebro precisa de sentir avanço para manter a motivação.
- Crie um sistema de apoio: Crescer sozinha é possível; crescer acompanhada é mais leve e sustentável.
Se chega a esta data com a sensação de que voltou a desistir, Cláudia explica que talvez não esteja a falhar: “Talvez esteja apenas a tentar mudar com pressão, em vez de mudar com presença. Quando aprende a respeitar o seu ritmo, a mudança deixa de ser um esforço e passa a ser um caminho que se mantém.”