A herança têxtil deste cantão e cidade no leste da Suíça caracteriza-se pela produção de alguns dos produtos têxteis mais prestigiados do mundo, como sejam os tecidos bordados e as rendas de St. Gallen.
Bordados e rendas de St. Gallen no Museu do Têxtil, em St. Gallen, Suíça
Tradição aliada a estilo e marcas de moda tal como recordamos o coordenado de Michelle Obama em 2009, o top cor-de-rosa na coleção SS13 de Oscar de la Renta, o vestido de noiva de Pippa Middleton em 2017, e o mais recente vestido da coleção de alta costura FW25 da Chanel. Eis alguns dos exemplos mais mediáticos da incorporação do bordado de St. Gallen na moda. Referências que merecem uma incursão pela história e pelo museu do têxtil desta cidade.
No início do século XIX, uma grande parte da população de St. Gallen dependia da indústria têxtil: a região produzia linho e algodão, exportando para Lyon, um mercado-chave e a invenção da máquina de bordar manual em 1828 (e, mais tarde, da máquina Schiffli) transformou a produção artesanal do bordado e da renda numa indústria global em massa, detendo a região, ainda hoje, a chancela de “património mundial têxtil”.
Entrada do Museu do Têxtil, em St. Gallen, Suíça
Bordados e rendas de St. Gallen no Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça
Fosse em contexto fabril ou doméstico, St. Gallen foi a primeira região da Suíça as adotar as máquinas de bordar.
No início do século XX cerca de 50% da produção mundial de bordados provinha deste cantão. E os produtos têxteis dali resultantes constituíam, na altura, cerca de 18% das exportações totais da Suíça.
O bordado de St. Gallen aplicado em diversas peças de vestuário, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça
Nos bordados é incontornável referirmos a renda guipure ou, como também ficou conhecida, “renda química” – bordado feito sobre um tecido, normalmente seda, que é posteriormente dissolvido quimicamente, deixando apenas o rendilhado de fio.
Esta técnica passou a marcar presença em peças de vestuário, roupa interior e têxteis-lar.
A renda guipure aplicada em diversos vestidos, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça
A renda guipure, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça
Produzidos maioritariamente para exportação, os bordados de St. Gallen conheceram um enorme sucesso até 1912, sendo particularmente apreciados nos mercados francês e norte-americano.
Réplicas de rendas guipure, como aplicadas no início do século XX em Paris, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça
Durante a Primeira Guerra Mundial, o interesse pelo bordado de St. Gallen entrou em declínio, registando-se uma recuperação modesta após a Segunda Guerra Mundial. Para além das Guerras Mundiais também as mudanças na moda (o zeitgeist) causariam uma crise profunda no setor.
A renda guipure aplicada em diversos vestidos, Museu do Têxtil, St. Gallen, Suíça 1
Respondendo às atuais demandas do mercado, a indústria têxtil da região evoluiu no caminho da incorporação de tecnologias de ponta (produção de tecidos técnicos, cortes a laser, bordados digitais, entre outros) destacando-se pela combinação entre a (requerida) evolução tecnológica e a sua longa e notável tradição artesanal.
Este património tem sido preservado, produzido e fornecido por prestigiadas casas suíças como a Forster Rohner, a Jakob Schlaepfer e a Bischoff Textil.
Continuando a constituir uma referência ao artesanal, o “saber-fazer” dos bordados continua a integrar um mercado de nicho quase exclusivamente associado ao luxo, através de prestigiadas marcas como Oscar de la Renta, Chanel, Dior, Armani, Akris, entre outras.
Oscar de la Renta
Top rosa de renda suíça guipure de Oscar de la Renta SS13, NY
Chanel e Dior
Ambas as casas francesas utilizam regularmente as rendas e bordados técnicos da região nas suas coleções de Haute Couture. Na temporada de outono/inverno 2025-2026, a Chanel apresentou peças com detalhes minuciosos que remetem para a tradição suíça.
Vestido Chanel FW25 (coleção haute couture) combina renda guipure, detalhes em ponto aberto — incluindo fios de lã em laço — em tweed macio e aveludado com a textura de uma peça de tricot. @chanel.com
Giorgio Armani e Valentino
Utilizam os tecidos inovadores da Jakob Schlaepfer para criar efeitos de luz e texturas 3D nas suas passarelas.
Akris
A marca suíça, liderada por Albert Kriemler, é a maior embaixadora deste artesanato, incorporando bordados de St. Gallen em praticamente todas as suas coleções de pronto-a-vestir e alta-costura.
Casaco curto e saia comprida, ambos com renda guipure, cortada a lazer, Akris, SS19. @akris
Victoria’s Secret
Embora seja uma marca comercial utiliza frequentemente rendas de St. Gallen em larga escala para as suas linhas de luxo.
Sendo igualmente valorizado por figuras mediáticas internacionais como:
Michelle Obama
Um dos exemplos mais icónicos foi o conjunto amarelo-dourado (vestido e casaco) que usou na primeira tomada de posse de Barack Obama, feito de renda de lã guipur e desenhado pela estilista nova iorquina (nascida em Cuba) Isabel Toledo.
Michelle Obama com vestido e casaco de renda suíça guipure
Amal Clooney
Usou vestidos com bordados da Forster Willi (divisão da Forster Rohner) em eventos públicos, incluindo o seu segundo aniversário de casamento.
Pippa Middleton
O seu vestido de noiva apresentava rendas intrincadas produzidas por empresas da região de St. Gallen.
Pipa Middleton com o vestido de noiva com intrincada renda suíça guipure. @pinterest
Rainha Elizabeth II
Ao longo do seu reinado, utilizou frequentemente peças com bordados suíços em eventos oficiais.
Elsa Dionísio

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