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4 coisas que aprendi durante o confinamento:

Que a vida tem destas coisas já nós sabíamos, mas, caramba, um belo dia estamos a comentar com o senhor Luís do talho a sorte que temos de estas coisas malucas nunca chegarem a Portugal e, no dia seguinte, pumbas, o mundo trava a fundo e nós só não saímos disparados pelo vidro da frente porque é proibido.

Quais empregos, quais ginásios, quais encontros com amantes, quais quê. Avós hermeticamente selados num canto, filhos e pais trancados na mesma “jaula”, divórcios adiados, supermercados açambarcados, populações preparadas se não para o fim do mundo, pelo menos para o fim do papel higiénico.

A vantagem das situações extremas e incomuns é que testam os nossos limites e proporcionam sempre aprendizagem. O confinamento não é diferente. Eis algumas coisas que aprendi em 53 dias.

1 – A palavra “confinamento”

Não me ocorre um único contexto em que tenha utilizado esta palavra antes. Nem um. Nem sequer consigo pensar numa outra situação em que pudesse usá-la, sendo que esta em concreto sempre esteve a milénios-luz da minha pobre imaginação. Por acaso, uma vez tinha usado “confinados”, mas acho que não conta. Quando andava no liceu fiquei fechada num elevador com um rapazito em quem andava de olho. Quando o elevador encravou, primeiro ficou aquele ambiente desconfortável, e depois eu disse “já que estamos aqui confinados, mais vale…” e pisquei-lhe o olho, assim como quem dá autorização, mas ele não sabia o significado de “confinados” e quando eu acabei de lhe explicar já estávamos no rés do chão.

2 – Que a malta cá de casa até é fixe

Se antes me tivessem perguntado como seria viver um confinamento, eu diria que era coisinha para perdermos todos o juízo, mas na verdade até se está bastante bem. Não é perfeito, ok? Somos só cinco pessoas e a cadela, mas há dias em que eu era capaz de jurar que somos pelo menos uns nove ou dezassete. Aquela sensação de estar sempre alguém no mesmo sítio que eu. Na sala, na cozinha (oh, céus, o inferno de sermos dois ou três a tirar a loiça da máquina), no corredor, na casa de banho ‘raismapartam’, há sempre alguém. Sempre.

Claro que se tivessem compreendido logo a ideia de confinamento teria sido mais simples, não vou dizer que não. Custou, mas acabaram por entender um conceito simples: isto não é uma democracia, lamento. A televisão é para meu uso exclusivo e a música que se ouve é a que eu quero, no volume que eu decido e têm de comer o que eu cozinho, que fui eu que comprei e só têm de ficar nos quartos calados e quietos. Estou a brincar, eu deixo-os irem à porta da sala duas vezes por dia para verem a varanda. De longe. Todos ao mesmo tempo e em silêncio, que eu não tenho o dia todo.

3 – Que faço bem em cozinhar mal

Aborrecida que estive durante as primeiras duas semanas, compreendi que bem podia inventar formas de ocupar as 1789 horas de cada dia que sobravam sempre algumas. Foi quando decidi ir para a cozinha. Pois que aqui a mamã saltou dos insípidos bifes de frango para a muy gourmet tarte de chocolate e caramelo salgado e, daí em diante, foi um vê se te avias de soufflés, empadas, muffins, bolos, scones e bombons capaz de arredondar a barriga da Carolina Patrocínio. E pronto, assim que me pesei, acabou-se a papa doce. Literalmente. Também ninguém precisa de comer pequeno-almoço, lanche de um quarto da manhã, lanche de meio da manhã, snack para controlar o apetite para o almoço, lanche de início da tarde, lanche de meio da tarde, jantar, ceia leve e miminho para dormir bem. Agora só comemos (quero dizer, eles comem) espinafres e tremoços.

4 – Que exercício físico em casa é possível e dá resultado

O teletrabalho permite-nos uma gestão eficiente do tempo, se nós quisermos e os nossos filhos dormirem grande parte do dia. Por esta internet fora, há treinos para todos os gostos e feitios. Pode ser no Zoom, no House Party ou no Youtube, em família ou cada um de sua vez. Podem ser treinos com pesos, corda de saltar e elásticos ou meia-hora só de abdominais. Ou cardio. Pode ser Bum Bum Brasil, Stretching, 3B, Insanity. Treinos da Lilly Sabri, da Alexia Clarke ou da Chloe Ting. É só escolher.

Eu sei do que falo, é muito duro mas compensa. Todos os dias, não falho nem um, sempre que estou na varanda, recostada na minha espreguiçadeira com o meu livro, o meu copo de vinho e as minhas tostas com queijo, eu vejo a vizinha da frente a malhar no duro. A sério, ela tem um belo corpinho, resulta mesmo.

Marta Elias

Escritora

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