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Aos 11 anos, André desenvolveu um sistema para localizar os implantes cocleares

André da Silva Freire tinha 10 anos quando uma otite lhe provocou a surdez total do ouvido direito. Meses mais tarde colocou um implante coclear – um dispositivo biomédico implantável capaz de fornecer algum grau de perceção auditiva a pacientes com perda auditiva neurossensorial e que veio alterar o paradigma do tratamento da surdez neurossensorial-, no Hospital Dona Estefânia. Este ano, o adolescente que frequenta o 5.º ano de escolaridade e tem agora 11 anos, foi premiado no Concurso Internacional de Invenção Infantil IDEASforEARS e viajou até à Áustria para dar a conhecer a sua ideia inovadora na primeira pessoa: um sistema de localização por georreferenciação do dispositivo de processador de áudio do implante coclear. 

O Concurso Internacional de Invenção Infantil IDEASforEARS é um programa que pretende aumentar a consciencialização sobre a perda auditiva e, ao mesmo tempo, incentivar crianças entre os 6 e os 12 anos a criarem invenções que melhorem a vida de pessoas com problemas auditivos. Entre as 253 soluções criativas apresentadas a concurso para ajudar pessoas com perda auditiva infantil, vindas de 24 países, foram apurados 14 vencedores, incluindo o André, que teve a oportunidade de conhecer os inventores e engenheiros da empresa MED-EL e de interagir com mentes criativas de vários países – de Itália à Indonésia, da Argentina à Austrália – promovendo uma troca global de ideias e inovação.

A LuxWoman quis saber mais sobre o projeto premiado e esteve à conversa com André.

Aos 10 anos, sofreste uma surdez repentina. Como lidaste com esta mudança?

A surdez mudou um aspeto muito importante na minha vida, que foi a minha autoestima.

Foi difícil a adaptação ao implante coclear?

No início não foi fácil adaptar-me a esta nova realidade, mas com o passar do tempo aprendi a viver com o implante coclear! Nos primeiros dias foi complicado e nunca queria ir a nenhum lugar onde houvesse muita gente porque o barulho fazia-me confusão. À medida que me fui adaptando ao implante coclear percebi como era bom voltar a ouvir tudo à minha volta.

O que significou para ti ter sido premiado no Concurso Internacional de Invenção Infantil IDEASforEARS e viajar até à Áustria? 

Ser premiado neste concurso foi uma experiência excelente e ajudou-me a descobrir mais caraterísticas e funcionalidades do meu aparelho. Mas, o melhor foi mesmo conhecer quem desenvolveu o meu implante e tornou possível voltar a ouvir.

No que consiste o teu projeto? De onde partiu a ideia para o mesmo?

Desde a primeira vez que perdi o meu aparelho que comecei a desenvolver esta ideia, para não voltar a acontecer, por isso quando surgiu esta oportunidade decidi participar imediatamente.

A área da engenharia é algo de que gostas? Já sabes o que queres ser quando fores grande?

Honestamente, a área da engenharia não me motiva, pois gostava mesmo de ser futebolista. Se não for possível, quero seguir a área de ciências.

Que aprendizagens levas desta viagem?

A maior aprendizagem que trouxe desta viagem foi a troca de experiências e o convívio com crianças de outros países que também utilizam um implante coclear.

Fizeste muitos amigos?

Durante esta viagem fiz muitos amigos e inclusive fiquei com o contacto de um menino argentino com quem falo regularmente. Foi muito bom viajar até à Áustria e conviver com outras crianças que tal como eu precisam de um implante coclear para ouvir.

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