No que diz respeito à sexualidade, o ano passado revelou-se bastante interessante. Exemplo disso foi a espécie de regresso da área púbica não aparada, materializada no micro fio dental com pêlo falso da SKIMS, marca de Kim Kardashian. Agora que já estamos em 2026, a LELO revela as grandes tendências que vão marcar este ano.
Rel.A.I.tionships
Numa era em que a tecnologia se cruza com todas as dimensões das nossas vidas, compreender o seu impacto na intimidade e no bem-estar sexual torna-se essencial. Um inquérito recente, realizado pela LELO no âmbito do Futurist Report 2025, destacou a forma como diferentes gerações encaram e utilizam a tecnologia nas suas relações pessoais. Uma das conclusões mais marcantes foi o facto de as gerações mais velhas estarem a evoluir rapidamente, tendo sido obrigadas a encontrar formas de se adaptar a uma sociedade em constante mudança. A investigação sugere que a idade já não está diretamente associada a uma aversão à tecnologia.
Com isto em mente, a LELO realizou uma investigação adicional (The IntimA.I.cy Survey) que revela que até 60% dos inquiridos utilizam (ou já utilizaram) a Inteligência Artificial de forma relacionada com a sua vida íntima. Os homens (67%), em comparação com as mulheres (54%), foram quem mais recorreu a esta ferramenta. A maioria recorre à IA para aconselhamento e orientação (36%), como reforço de confiança (28%) e como fonte de inspiração para fantasias, cenários ou ideias (22%). Há ainda quem recorra a esta ferramenta para ajudar a transformar emoções em palavras (25%). Apesar de útil, quase 30% dos inquiridos consideram que a IA é uma ajuda, mas mantêm uma postura objetivamente crítica em relação à mesma e às suas conclusões (29%). Treze por cento consideram-na prejudicial, devido às fontes em que se baseia, e dezoito por cento acreditam que os conselhos recebidos dificilmente serão valiosos, embora possam ser interessantes.
Com base nesta investigação, torna-se evidente que estamos a caminhar para uma utilização ainda mais intensiva da Inteligência Artificial na nossa vida sexual e íntima — ajudando-nos a ser mais confiantes e, por vezes, mais despertos para o desejo, permitindo-nos recriar fantasias e reconectar-nos com o corpo, os desejos e a própria identidade.
Relações à distância, resolvidas
Antes da internet e da cobertura global de redes móveis, os amantes eram obrigados a esperar interminavelmente por cartas para terem notícias dos parceiros que estavam longe, ou a lidar com o incómodo de chamadas internacionais dispendiosas, cobradas ao minuto. Hoje, existem inúmeras formas de comunicar com alguém em praticamente qualquer parte do mundo, à distância de um toque. FaceTime, Zoom, mensagens — nunca foi tão fácil encurtar a distância física. Com o crescimento das tecnologias Bluetooth e das ligações à internet, surgiu também um vasto leque de soluções interativas e controladas por aplicações para a intimidade à distância. Os encontros sexuais virtuais e os dispositivos de prazer remoto evoluíram muito para além dos antigos sinais de rádio. Com tecnologia de biofeedback orientada por dados, aplicações integradas e potentes dispositivos Bluetooth, os casais conseguem não só dar e receber prazer, como também otimizar a forma como vivem a intimidade à distância — em conjunto.
A fusão entre o bem-estar sexual e a indústria da beleza
Embora não seja uma novidade, o cruzamento entre estas duas indústrias é uma tendência em crescimento, impulsionada pela procura dos consumidores por um autocuidado holístico, fórmulas limpas e pela crescente libertação da saúde sexual. Esta integração passa pela fusão de categorias de produtos, como cuidados íntimos e suplementos, com a beleza e os cuidados pessoais convencionais, reforçando a ideia de que a saúde sexual é uma parte integrante do bem-estar geral. Esta sobreposição está a criar novos nichos, como produtos com tecnologia LED e suplementos focados no bem-estar sexual.
Coregasm
Cada vez mais pessoas estão a dar prioridade ao exercício físico nas suas rotinas diárias, substituindo, em muitos casos, um copo com amigos por uma ida ao ginásio. Esta escolha faz sentido, uma vez que o exercício é conhecido pelos seus efeitos positivos na saúde física e mental: ajuda a prevenir doenças crónicas, a gerir o peso, a fortalecer músculos e ossos, a aumentar os níveis de energia e a reduzir o stress e a ansiedade. Um inquérito realizado pela LELO, em outubro do ano passado — Sexercise Survey —, com 4635 participantes, confirmou esta relação simbiótica entre a condição física e o bem-estar sexual, demonstrando que investir numa destas áreas potencia significativamente a outra.
Concretamente, 23% dos inquiridos praticam exercício físico três vezes por semana. Uns impressionantes 16% vão ao ginásio cinco dias por semana, 7% quase todos os dias (seis vezes) e 5% afirmam mesmo treinar todos os dias da semana. Curiosamente, quando questionados sobre a preferência entre sexo matinal ou exercício de manhã, 60% escolheram a segunda opção. Quase metade dos participantes concorda que ter relações sexuais é, por si só, uma forma de exercício — 18% concordam totalmente e 25% concordam. Quando questionados sobre as motivações para manter uma rotina regular de exercício físico e uma vida sexual ativa, os inquiridos destacaram vários fatores-chave, sendo o principal a saúde geral e o bem-estar mental.
Existe, assim, um consenso de que a atividade física regular pode acrescentar anos à vida, ajudando a manter uma maior saúde e felicidade. O que também parece fazer — de forma inesperada — é provocar orgasmos, os chamados coregasms. Vinte por cento dos participantes no estudo referiram já ter sentido sensações de formigueiro durante o exercício físico. Portanto, se a saúde e o bem-estar não forem motivação suficiente, talvez esta seja a razão extra que faltava para ir (ainda mais) ao ginásio em 2026.


