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Do Perú, com cor e sabor

No Segundo Muelle, o mar espreita em cada prato, com sabores peruanos de fusão.

Já passaram três dias desde que fui ao Segundo Muelle, o novo restaurante 100% peruano que abriu em Lisboa, perto do Mercado da Ribeira, e parece que ainda consigo sentir alguns dos sabores que degustei.

Não é habitual ficar com os paladares tão vincados na memória, por isso, só pode significar que esta foi uma experiência marcante. A curiosidade começa na história, adentra-se pelas cores dos pratos e viaja pela inspiração marítima da decoração.

A marca Segundo Muelle foi fundada por Daniel Manrique, um peruano de Lima apaixonado pelo mar e pela pesca, que iniciou o negócio aos 20 anos, numa garagem em San Isidro. “O restaurante tinha apenas quatro mesas e foi aí que tudo começou”, conta-me Maria Martins, responsável de comunicação do Grupo Portugália Restauração, o qual trouxe a marca para Portugal. Com a abertura do espaço em Lisboa, passam a existir 17 restaurantes Segundo Muelle em todo o mundo.

Quando entramos, o olhar é imediatamente atraído para a parede do fundo e para o teto, onde vemos várias cordas penduradas que terminam num nó. A madeira e os tons de bege fundem-se com a pedra original do espaço, o antigo posto dos Correios, na Praça D. Luís I. A incrível luminosidade é trazida por enormes janelas, numa esquina abaulada.

Mas vamos à ementa, um bonito livro azul-esverdeado, com sedutoras fotografias de alguns dos pratos. “Uau”, penso. Não há dúvida de que os nossos olhos ‘comem’ muito e, logo que começo a percorrer a carta, chegam as indecisões. “Quero provar tudo, e agora?”

A ementa não está dividida pelas tradicionais ‘entradas’ e ‘pratos principais’, mas por influências de cozinha. Começa com ‘Os Clássicos’, pratos autênticos da cultura gastronómica popular do Perú, como a Causa Segundo Muelle, um puré de batata aromatizado com lima e ají (uma das inúmeras variedade de malagueta que existem no país), recheado com carne de sapateira, molho à chorrillana e chicharón de peixe; e como o Piqueo Tres Cebiches, a nossa escolha para iniciar a refeição. Esta é a melhor opção para conseguir provar três ceviches diferentes – Cebiche Segundo Muelle, Cebiche Tres Ajíes e Cebiche Norteño. Para acompanhar? Choclo, uma das inúmeras variedades de milho do Perú e camote, um dos muitos tipos de batata-doce peruanas, glaciados.

A segunda parte da ementa intitula-se ‘O Mar’ e inclui pratos de inspiração marinha, típicos das estâncias balneares do Perú, com quatro propostas de ceviches, incluindo um frito, e outros dois pratos de peixe.

Seguimos para ‘O Mediterrâneo’, com pratos peruanos influenciados pela cozinha mediterrânica, em particular a italiana. Nesta secção da ementa, incluem-se dois tártaros, um de salmão e outro de atum. Escolhemos o Tatar de Atún Acebichado e assim que provei, sabia que ia ser o meu favorito. Pedaços de atum e abacate marinados em molho acebichado, acompanhados com tostas crocantes aromatizadas, com emulsão de azeite com ervas frescas e glaze balsâmico. Fresco e delicioso!

Do mediterrâneo saltamos para ‘O Oriente’ e por ali encontramos pratos que juntam a delicadeza da cozinha japonesa com a riqueza dos ingredientes peruanos, numa fusão de sabores inesquecíveis. Inesquecível é mesmo a palavra que melhor descreve o Tacu Maki, um conjunto de makis panados, feitos com arroz e feijão preto, recheados de queijo creme, salmão e abacate, coroado com molho acebichado.

Antes das sobremesas, a viagem pelas influências da cozinha peruana termina n’Os Crioulos, considerada a “cozinha de casa”, com receitas de família, das mães, avós e tias. Há quatro pratos à escolha, mas percebi que o Risotto de Quinua com Lomo Saltado, uma quinoa cremosa envolvida em molho huancaína, com lombo salteado no wok, era o incontornável. Mas infelizmente não houve estômago para ele. Ainda assim, os olhos ficaram especados a olhar para a foto do prato na ementa durante mais tempo do que gostaria. Ups…

Outra das secções mais importantes da ementa é a das bebidas, sobretudo os cocktails peruanos, confecionados com o tradicional Pisco, uma aguardente de uva, com destaque para o Pisco Sour: um batido com pisco quebranta, sumo de lima e clara de ovo.

Mas se não puder ou não quiser beber álcool, não se preocupe. Ficará muito bem servida com os Frozen, granizados com um intenso sabor a fruta, sobretudo no verão.

Para conseguir chegar ao fim com capacidade para provar os doces, o ideal é que vá partilhando os pratos ao longo da refeição. E mesmo nas sobremesas, o Suspiro a La Limeña fará, muito bem, as delícias de dois gulosos: um doce de leite coberto com merengue italiano, perfumado com canela, no tamanho certo.

Depois desta degustação tão internacional, de me ter deparado com novos ingredientes e sabores que desconhecia e de ter enriquecido a minha memória degustativa, a experiência torna-se memorável também pela intensidade das cores. É incrível a riqueza de tonalidades que se juntam à mesa no Segundo Muelle!

Detalhes

Praça D. Luís I, nº 30 loja 4b

Lisboa

Tel.:931 169 158

Aberto de domingo a quinta-feira, do meio-dia à meia-noite. Sextas, sábados e vésperas de feriado, do meio-dia à 1h.

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