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“É importante que a corrida seja divertida”: os benefícios de integrar um clube de corrida

Mia Santos criou o Can Run Club, um grupo onde ninguém corre sozinho. Aqui há espaço para principiantes, maratonistas e para quem procura muito mais do que apenas fazer quilómetros.

A corrida é um dos desportos mais acessíveis. Não exige um grande investimento, basta um bom par de ténis e vontade de sair de casa. Pode correr a qualquer hora, em quase qualquer lugar, sozinho e ao seu ritmo. Mas, para muitos, o verdadeiro desafio não é começar, é manter a motivação e a consistência ao longo do tempo. É aqui que entram os run clubs, grupos de corrida que juntam pessoas com um objetivo comum: correr com companhia, conhecer gente nova e transformar um treino num momento de partilha e, às vezes, até de amor.

Mia Santos, fundadora do Can Run Club. Créditos: Can Run Club

Foi com esta ideia em mente que Matilde Santos — mais conhecida nas redes sociais como Mia Santos — criou o Can Run Club, no Porto. Aos sábados, o grupo ocupa o percurso entre a Foz e Matosinhos e mostra que há espaço para todos, desde quem nunca correu na vida até quem já soma maratonas. Mais do que ritmos e quilómetros, interessa que “a corrida seja divertida”, diz Mia, que fez do gosto pela corrida o seu trabalho a tempo inteiro.

Sempre foi uma pessoa ativa?

Antes de criar o run club e começar a treinar, não fazia nada. Era aquela pessoa que entrava no ginásio porque uma amiga também entrava, mas estava lá um mês e desistia. Portanto, não. Mas considero que sempre fui uma pessoa muito ativa, no sentido em que sempre gostei de estar em mil e uma coisas.

E quando é que começou a correr e a fazer mais desporto?

Comecei a correr numa altura em que tinha acabado o meu mestrado em Psicologia, há uns meses. Tinha terminado em julho e estava à procura de trabalho, sem nada para fazer. Comecei a ver no Tik Tok pessoas a fazer meias maratonas e disse: “É isto que preciso de fazer. Vou fazer uma meia maratona.” A partir daí comecei a treinar. Fui até à rua, comecei a correr, fiz um quilómetro e meio, mais ou menos, e pensei que, a partir daí, era só ir aumentando. Foi o que fiz até conseguir fazer 10 quilómetros, passado dois meses. Participei depois na Maratona do Porto e gostei bastante. Mas decidi que não iria correr mais sozinha.

Créditos: Can Run Club

Foi assim que decidiu criar o Can Run Club?

Vi este conceito no Tik Tok, dos run clubs, que, na altura, ainda não eram o que são hoje. Eram todos muito amadores, sem marcas associadas, e decidi que ia tentar criar o meu. Nessa altura, quando comecei a correr, recebia muitas mensagens dos meus amigos a dizerem que um dia tinham de vir comigo. E eu sempre fui aquele tipo de pessoa que junta toda a gente, mesmo que as pessoas não se conheçam. Por isso, decidi combinar um dia e juntar todos os meus amigos. Aliando esta ideia ao conceito dos run clubs que tinha visto no Tik Tok, decidi criar o Can Run Club, mas num formato muito pequenino, no WhatsApp, que tinha, inicialmente, apenas os meus amigos. Depois divulguei no Tik Tok, mas só tinha cerca de 10 seguidores. Quando fiz a primeira corrida, a maior parte eram meus amigos e três pessoas tinham vindo através do Tik Tok. Pensei: “Isto não é nada mau.” Eu nem sequer tinha redes pessoais e, quando criei conta, foi só para o run club. Pedi à minha tia e a um amigo meu para fazerem um logótipo e comecei a filmar-me sozinha. Achei um feito enorme ter aparecido tanta gente. O vídeo dessa corrida explodiu e, na altura, teve 25 mil visualizações.

Isso foi em que ano?

Em novembro de 2023.

Créditos: Can Run Club

Tirou Psicologia, mas desde 2025 dedica-se a tempo inteiro ao run club. Como é um dia de trabalho?

Isto é sempre difícil de explicar às pessoas, mas digo que faço de tudo. Sou social media manager, por isso trato de todas as redes sociais. Sou também community manager, porque giro a comunidade e tento mantê-los ativos, interessados e ouvidos. Produzo o conteúdo para as redes. Por exemplo, aos sábados, quando faço uma parceria com um café ou uma marca, tenho de, após a corrida, publicar dois vídeos. No dia da corrida, além de dinamizar o evento, correr, falar com as pessoas e chamar toda a gente, também tenho de pegar no telemóvel, gravar o conteúdo e editá-lo. Além disso, procuro patrocinadores, encontro cafés novos para os encontros de sábado e planeio como será cada corrida. Gosto de inovar, porque, para mim, é importante que a corrida seja divertida. Uso as marcas para brincar com o formato da corrida e torná-la uma experiência diferente e melhor. Na minha opinião, as pessoas vão aos run clubs não só pela corrida, mas pela experiência.

E como é que funciona o Can Run Club? Como é que as pessoas se podem juntar?

Todas as segundas-feiras publicamos no nosso Instagram um post com todos os detalhes da próxima corrida: local, hora, o que vai acontecer e qual é a marca que a promove. A pessoa só tem de ver, anotar na agenda e aparecer no sábado.

Créditos: Can Run Club

As corridas só acontecem aos sábados?

Nós só corremos aos sábados, é a nossa social run. Porém, em novembro do ano passado, lançámos as track sessions, que são corridas em pista de atletismo com um treinador que, neste caso, é alguém do nosso run club que agora é atleta federado. Estas sessões são limitadas a 25 pessoas, porque a pista tem de ser reservada e tem lotação máxima. Para já, só acontecem duas vezes por mês e têm um custo de 5 euros, para pagar a reserva e o treino. É a única atividade que temos à parte, para quem quer evoluir.

As social runs são adaptadas a todos os níveis? Quem não tem experiência pode juntar-se?

Sim. Só temos uma corrida, que acontece uma vez por mês, que eu não aconselho a quem está a começar, porque é no centro do Porto. Temos uma parceria com o Social Hub, na Praça de D. João I, e fazemos uma corrida com eles uma vez por mês. Como é na Baixa, naturalmente há subidas, descidas e semáforos, o que a torna mais difícil. Temos pacers e dividimos as pessoas em quatro grupos: um corre mais rápido, outro um pouco mais devagar, e assim até ao mais lento de todos. Em termos de ritmo, há um grupo que corre a 5 de pace, outro a 5’30, outro a 6 e outro a 6’30, o mais lento, que faz paragens. Cada grupo tem dois líderes que conhecem bem o percurso. Mas, se não conseguirem acompanhar o pacer, é provável que se percam. As outras corridas são todas da Foz a Matosinhos, em terreno plano, e não há pacers. Eu dou as diretrizes e cada um corre ao seu ritmo. É um percurso livre e, como somos muitos, nunca se corre sozinho.

Track Sessions. Créditos: Can Run Club

Quais são os benefícios de integrar um clube de corrida?

Desenvolver um sentimento de comunidade e ter um papel ativo. Conhecer pessoas novas. Muitas amizades surgiram no run club. Encontrar o amor, quem sabe? Há pessoas que vieram à procura do amor e já temos vários casais que se conheceram aqui e vivem juntos. Diria que tenho quase 10 casais. Além de ser o desporto mais acessível que existe, porque não precisas de muita coisa para começar.​

Que papel tem a corrida no seu equilíbrio mental e emocional?

Acho que a corrida é um escape ao stress do dia a dia, um momento em que paras e percebes que és capaz. Aqui só depende de ti: és tu que tens de te autodisciplinar, mas consegues ver resultados. Na corrida é mesmo rápido perceber isso. E, acima de tudo, acho que o desporto é uma enorme ferramenta de inclusão social, porque permite conhecer outras pessoas, estar rodeado de gente e é acessível a todos.

Créditos: Can Run Club

Que dicas daria a quem quer começar a correr?

Diria, sem dúvida, junta-te a um run club, porque vais ganhar muito mais motivação. Vai com alguém, não vás sozinho, porque a corrida é também um desporto muito mental. Correr tanto tempo pode ser aborrecido e é fácil desistir. Vai com calma. Faz porque gostas. Descobre como gostas de correr e não te compares. Isto tem de ser divertido.

Créditos: Can Run Club

E quais são os erros mais comuns?

Os erros mais comuns são começar logo a correr imenso todos os dias e depois lesionarem-se. Tenho tanta gente no meu run club que me manda mensagem a dizer que já não aparece há imenso tempo porque está lesionada. A corrida é um desporto com impacto e, se for feita em exagero, faz mal. É muito importante fazer reforço muscular, o que muita gente não faz.

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