Começou, desde cedo, a fazer covers para as plataformas digitais e a dar a cara em programas de televisão, como o Factor X e o Ídolos. Nem os “nãos” a fizeram desistir de um sonho que, hoje, aos 27 anos, é uma realidade. No ano passado lançou “Tu e a Lua”, uma música que conquistou um sucesso inacreditável e, este ano, apresenta-nos o seu álbum de estreia, “Ciclos”. No passado dia 27 de fevereiro, pisou o maior palco da sua carreira, o Capitólio e, minutos antes de entrar, falou com a LuxWoman sobre aquela que tem sido a melhor fase da sua vida.
A música sempre esteve presente na sua vida?
Desde sempre. Desde pequena que fui a programas de televisão, como o Factor X e os Ídolos, e disseram-me sempre que não. Mas não era por me terem dito que não que eu ia deixar de continuar. Fiz covers e, na altura, era muito tímida, então não mostrava a cara completa, só da boca para baixo. Houve um dia em que, no Facebook, tive muitas partilhas e o vídeo chegou ao Carly – a pessoa que trabalha comigo agora. Em 2015, lembro-me, ele já me tinha mandado mensagem para trabalharmos juntos e eu disse que não estava preparada. Emigrei, fui para Inglaterra e, quando voltei, ele voltou a contactar-me, porque lhe tinham enviado vídeos dos meus covers a dizer que queriam mesmo apostar em mim. Nessa altura, em 2019, aceitei e lançámos “Cada Detalhe Teu”.
Irina Barros
Sempre soube que, profissionalmente, o seu caminho ia passar pela música? Não tinha outro plano?
O meu plano era ser hospedeira de bordo. Emigrei com o objetivo de praticar o meu inglês e fiquei um ano em Inglaterra. Mas continuei a fazer o que fazia em Portugal: era rececionista de um hotel. Portanto, nunca cheguei a ser hospedeira de bordo. Depois, quando voltei, comecei a fazer música e correu bem, graças a Deus.
Mas, a partir daí, dedicou-se 100% à música?
Ainda não. Tinha um trabalho a full-time, que conciliava com a música. Mas houve uma altura em que o meu corpo já estava a ceder. Era muito cansaço. Tinha concertos aos fins de semana e depois trabalhava oito horas. Até que a minha mãe me disse: “Irina, tu tens de escolher.” E foi aí que escolhi a música.
Em 2025, “Tu e a Lua” tornou-se num verdadeiro fenómeno. Este ano, lançou o seu álbum de estreia, “Ciclos”. Como é que tem sido lidar com este crescimento repentino?
Não é bem repentino, porque, a brincar, já lá vão seis ou sete anos de estrada. E depois chega o ano de 2025, em que fizemos “Tu e a Lua” e em que tínhamos como objetivo percorrer as rádios, e correu super bem. Então, é muito bom saber que as pessoas estão a ouvir a música e que esta está a chegar a espaços onde nunca pensei que chegaria.
Quando lançou esta música, alguma vez pensou que ela viria a explodir desta forma?
Eu tinha muito medo de lançar “Tu e a Lua”. Tive muito medo, mesmo. Quem escreveu foi o Gonçalo Malafaia, não fui eu. Em estúdio, estavam várias cabeças e todos me diziam: “Irina, confia, vai dar certo.” Então, quando lancei, só pensava: “Será que vão gostar, será que vai correr bem?” Depois, quando comecei a ver que a música não estava a receber feedback negativo, que as pessoas estavam a gostar, fiquei mais calma. Hoje, estou muito contente por cantá-la.
Em algum momento, sentiu pressão?
Pressão, não vou mentir, sinto sempre. Sinto sempre por inúmeros motivos: porque sou mulher, porque estamos num meio artístico que é muito complicado de entrar e, acima de tudo, porque sou uma mulher negra. Então, é muito complicado. E, para além da pressão que coloco em mim mesma, porque sou muito perfeccionista com as minhas coisas, se eu ouvir “ok, não está perfeito”, vou tentar fazer melhor. Porém, aprendi, para lidar com este meu lado perfeccionista, que ninguém é perfeito e que tenho de aprender a abrandar.
Capa do álbum “Ciclos”
De onde surge a inspiração para “Ciclos”?
Eu vivo muitas coisas, é complicado. Todas as músicas que estão no álbum representam, literalmente, tudo aquilo que vivi, tudo aquilo que senti. É mesmo um misto de emoções, porque, durante o dia, fico triste, contente, irritada. Então, acho que consegui transparecer isso nas músicas, nas 14 faixas que lá estão. Estou mesmo muito contente com o resultado final. E, graças a Deus, aquilo que sinto é que toda a gente também se está a identificar. E isso é o mais importante.
Tem alguma música de que goste mais, no álbum?
Isso é difícil, porque não me oiço muito. Estou farta de me ouvir a toda a hora, a verdade é essa (risos). Mas a única que oiço e de que nunca me canso é “Viaja”.
Porquê?
Acho que é a frequência da música. Toca no meu coração e transmite-me leveza. Nunca me vou fartar.
Acha que o facto de ser perfeccionista fez com que demorasse tanto tempo a lançar o seu álbum de estreia?
Também. Porque nós já devíamos ter lançado o álbum há uns três ou quatro anos. Tanto que há músicas que estão no álbum que já foram feitas há muito mais tempo. Só que não era a altura, faltava alguma coisa.
Irina Barros e Matias Damásio na gravação da música “Tanto para Viver”
Neste álbum colaborou com artistas como Matias Damásio e Nelson Freitas. Com quem gostava de colaborar numa próxima oportunidade?
Richie Campbell, adoro-o, e o Plutónio, de quem também gosto muito. Sou super fã.
Como se mantém fiel a si mesma num mundo tão exigente como este?
Ponto número um, orações. Sou uma pessoa muito crente. Aprendi a falar muito comigo mesma, muito com Deus. Porque, infelizmente, sei que me auto-saboto bastante e, para isso, já existe o mundo inteiro. Então, tenho de fazer o contrário comigo. Chego a casa, falo com Deus e digo que vai ficar tudo muito bem. Tiro o lado negativo do caminho e foco-me. Se até agora não deu errado, não vai dar. E eu não vou permitir que isso aconteça. Então, é só acreditar e ter fé.
A poucos minutos de entrar em palco, como se sente?
Vou ser sincera. Há um bocado deu-me um frio na barriga, uma ansiedade. Mas, mais uma vez, disse: “Irina, pára. Estava a correr bem até agora, não vais estragar.” Porque sei que vou entregar tudo aquilo que tenho, porque nasci para isto, estou pronta para isto.
Tem algum ritual antes de entrar em palco?
Antes de entrar em palco, junto a equipa toda e, de mãos dadas, fazemos uma oração. Antes disso, alinho os meus chakras e falo comigo, incentivo-me.
Irina Barros
Aproveitando o nome e tema do seu álbum, em que ciclo diria que está neste momento?
Para ser sincera, estou no melhor ciclo da minha vida. Tenho um parceiro fenomenal, uma família fenomenal, uma equipa fenomenal. Estou na melhor fase e estou mesmo grata.
Que sonhos estão ainda por conquistar?
Tantos! Sou uma mulher sonhadora. Tenho muitos palcos que quero percorrer em Portugal e sei que, pouco a pouco, vou chegar lá. É só continuar a fazer o que estamos a fazer, que é trabalhar, ter muita fé e os pés bem assentes na terra. Não importa se é daqui a três anos, se é daqui a cinco, mas nós vamos chegar. Disto tenho a certeza.



