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O impacto dos tabus na saúde feminina

Um estudo da INTIMINA revela que a vergonha, o silêncio e a falta de literacia continuam a influenciar as decisões de saúde das mulheres em Portugal.

Apesar do acesso à informação, os tabus continuam a moldar a forma como as mulheres lidam com o seu corpo, comunicam sintomas e procuram respostas. Esta é uma das conclusões de um estudo da INTIMINA sobre saúde íntima em Portugal, realizado junto de 500 mulheres. Os dados mostram ainda que o problema não se limita ao acesso à informação: é também estrutural, cultural e emocional.

A maioria das mulheres inquiridas (93,8%) considera que falar sobre saúde íntima feminina continua a ser desconfortável: 35,8% acredita que o tema ainda é muito tabu e 58% afirma que continua a sê-lo, apesar de estar a melhorar. Este dado é particularmente relevante: o desconforto não se limita à esfera pública, estende-se às conversas entre mulheres, onde seria expectável maior abertura.

A sociedade portuguesa também suscita preocupação. Cerca de 95,4% das inquiridas reconhece a persistência de tabus, que se traduzem em barreiras concretas, como dificuldade em falar abertamente, adiamento de conversas importantes e menor partilha de experiências.

Perante este secretismo e desconforto, a maioria das mulheres (cerca de 92,4%) recorre à internet ou às redes sociais pelo menos uma vez para esclarecer dúvidas ou sintomas (40,4% várias vezes e 52% algumas vezes). Quando surge um sintoma, 56% pesquisa primeiro online. Para a INTIMINA, este comportamento demonstra que a internet se tornou o “primeiro consultório”, muitas vezes substituindo o diálogo com profissionais de saúde.

No que diz respeito à comunicação sobre sintomas ginecológicos, apenas 41,8% afirma sentir-se totalmente confortável e 35,6% refere falar com profissionais, ainda que com algum desconforto.

Além disso, 37,8% indicam já ter evitado falar com o ginecologista por vergonha. Ou seja, mesmo quando existe acesso a cuidados de saúde, o tabu continua a interferir diretamente na qualidade da comunicação clínica. Segundo as próprias inquiridas, a falta de literacia em saúde íntima resulta de vários fatores combinados, como a insuficiente educação sexual nas escolas, a vergonha e o tabu social, a ausência de informação clara nos media, a desinformação online e dificuldades no acesso a consultas.

Os dados revelam um padrão claro: “As mulheres procuram respostas, mas nem sempre nos sítios certos, nem com o conforto necessário para fazer as perguntas certas”, afirma Pilar Ruiz, Marketing and Communications Manager da INTIMINA em Espanha e Portugal.

Importa sublinhar que o acesso digital não substitui a educação estruturada e que a literacia em saúde íntima continua a depender, em grande medida, da iniciativa individual. A INTIMINA reforça que quebrar o silêncio é um passo essencial para melhorar a saúde feminina em Portugal.

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