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O que as transições da natureza a ajudam a entender sobre si

No ritmo inevitável das estações, a natureza recorda-nos que a mudança não pede permissão — acontece. Entre solstícios, ciclos e recomeços, a transição deixa de ser um incómodo a evitar para se afirmar como parte essencial do caminho humano.

A natureza não pede licença para mudar. Seja o tempo, sejam as estações — um dia está sol, no outro pode estar nublado. Não existe preparação para que isso aconteça, não existe negociação, não existe aviso prévio. E, muitas vezes, até as previsões falham. Porque a natureza é imprevisível. E o processo de transição e mudança faz parte daquilo que vivemos — e isso ressoa profundamente na nossa vida.

Neste mês, por exemplo, temos a chegada do verão no hemisfério norte e do outono no hemisfério sul. Independentemente de qual estação cada um prefira, há algo profundamente libertador neste processo — e é o facto de todos precisarmos de viver estas etapas com presença.

Celebrar o solstício, esse momento em que a luz atinge o seu ponto máximo, em que o ano se volta sobre si mesmo para caminhar em direção a uma nova fase, é um dos momentos mais antigos de celebração da humanidade. Não apenas porque é um fenómeno astronómico extraordinário — mas porque nos lembra de algo essencial: a transição é parte natural de tudo o que existe. E nós também somos feitos dela.

O que pensas quando ouves a palavra transição?

A maioria de nós pensa logo em peso. Em mudança. Em ir para um lugar desconhecido. Tendemos a encarar a transição como uma ponte desconfortável — porque não é nem onde estamos nem para onde vamos. É um espaço intermédio, um intervalo, um portal suspenso no ar.

Mas e se a transição não for a ponte?

E se for parte do caminho?

Esta mudança de perspetiva parece simples — e é exatamente por isso que transforma tudo. Porque quando começas a compreender que a transição é parte de um processo, de um todo, de um contexto, algo muda. Respiras. Abres-te ao momento com mais pertença, com mais paz. Com menos ansiedade, menos pressa, menos desconexão.

A transição deixa de ser o problema — e passa a ser a informação.

A natureza faz isto com uma elegância que ensina muito.

Em cada estação, já sabemos o que ela representa. No outono, as folhas caem; no inverno, há silêncio e recolhimento, um tempo de hibernação e de conservar energia. Na primavera, tudo se abre; no verão, tudo se manifesta, tudo floresce, tudo transborda.

As folhas caem para que a árvore possa guardar energia para o que vem a seguir. O inverno existe para que a primavera faça sentido. Cada transição tem um propósito — mesmo quando ainda não conseguimos vê-lo.

Nas mulheres que acompanho, as transições chegam de muitas formas: uma separação, uma mudança de carreira, uma perda, um filho que cresce e parte, um corpo que muda, uma versão de si próprias que deixa de caber na vida que foi construída.

E o que observo, repetidamente, é que o sofrimento raramente está na transição em si. Está na resistência a ela. No esforço enorme de tentar manter o que já não serve, de fingir que nada mudou, de apressar o processo para chegar rapidamente a um lugar de conforto e certeza.

A transição pede o oposto disso. Pede presença. Pede que estejamos aqui — neste momento incerto e fértil — sem fugir para o passado que foi ou para o futuro que ainda não chegou.

A chegada de uma nova estação é um grande convite.

Não para resolver, não para decidir, não para apressar nada. É apenas um convite ao momento presente — onde podes parar e perguntar: Qual é a transição que está a acontecer na minha vida agora? O que é que este movimento me quer dizer?

A natureza já sabe a resposta. Sempre soube.

Talvez seja hora de começares a confiar que tu também sabes.


Carolina Padilha 

Comunicadora de bem-estar, consciência e performance humana

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Instagram: @eusou.carolinapadilha 

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