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Antes sequer de falarmos, a nossa imagem já começou a comunicar

Miuccia Prada disse em tempos que “a moda é uma linguagem instantânea”. Esta frase ajuda a resumir muito do que encontro no meu dia a dia profissional. Antes sequer de falarmos e explicarmos quem somos, a nossa imagem já começou a comunicar. A roupa não diz tudo sobre nós, mas diz muito.

No meu trabalho como consultora de imagem, encontro mulheres com muitas dúvidas sobre o que vestir. E não é por falta de roupa, mas porque lhes falta identificação com o armário e com quem são. Conheço vários exemplos em que o teletrabalho trouxe conforto e aliado a isso também retirou rotina à criação de uma imagem. Depois de meses, ou anos em casa, muitas mulheres voltaram a sair para reuniões, eventos ou compromissos sociais questionando-se se a roupa será adequada ou se ainda conseguem caminhar de saltos altos. “Posso ir a um evento de ténis”, perguntam-me.

Estas dúvidas aparecem até no momento de ir levar e buscar os filhos à escola. Estas questões parecem pequenas, mas não são. Mostra que a imagem também acompanha os papéis que ocupamos: mulher, mãe, profissional, amiga ou uma pessoa em transformação.

Há, também, mulheres que trabalham em ambientes muito masculinos e que, quase sem perceberem, vão apagando partes da sua expressão. Escolhem roupa rígida, tons mais escuros, peças menos femininas, como se a autoridade estivesse diretamente ligada a looks estruturados e sem expressão. Ainda se acredita que para sermos respeitadas temos de anular a nossa personalidade.

A imagem é uma ferramenta de posicionamento. Não se trata de vestir para agradar ou seguir uma fórmula. Trata-se de construir uma presença coerente com aquilo que se é e que se faz. Yves Saint Laurent dizia que “a moda passa, mas o estilo permanece”. As tendências podem trazer novas leituras e frescura ao armário, mas é o estilo, quando bem trabalhado e respeitado, que cria continuidade entre a pessoa e a sua imagem.

Por outro lado, encontro muitas vezes o excesso. Mulheres que confundem estar bem com muita informação. Acessórios, cor, unhas muito marcadas, sapatos com demasiada informação, maquilhagem pesada, perfume em excesso. O resultado tem a intenção de impactar, mas nem sempre de forma positiva. E a imagem, quando apresenta demasiados elementos, perde clareza e cria ruído.

Um look bem construído precisa de equilíbrio. Temos de avaliar os cortes, as cores, os tecidos, as proporções. Muitas vezes, a diferença está em retirar peças. Todas devemos seguir o sábio conselho de Coco Chanel: “antes de sair de casa, veja-se ao espelho e retire uma peça”, pode ser um colar, uns brincos, um acessório de cabelo, um lenço.

Outro tema para mim muito importante é o calçado. Costumo dizer que é o elemento que mais facilmente compromete a leitura de um conjunto. O look pode estar incrível —  proporções, cortes, cores em harmonia —, mas se os sapatos estiverem fora do contexto, o look perdeu-se. O mesmo acontece com os acessórios e com as carteiras. Todos os detalhes contam. Um verdadeiro desafio para quem defende que escolher roupa é uma superficialidade.

Pensar num look não tem nada de superficial. A roupa não substitui o conteúdo, ou a competência de ninguém, mas pode reforçar ou enfraquecer a presença e a mensagem. Vou terminar este texto com a ajuda de Giorgio Armani que defendia que “elegância não é sobre ser notado, mas sobre ser lembrado”. Se formos naturais e autênticos vamos deixar a nossa marca; se o look acompanhar, o sucesso é garantido.


Liliana Correia

Personal stylist na LC Fashion Consultancy

Curadora do evento Resale Gallery

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