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Quase metade dos portugueses dorme mal

O Estudo Nacional de Saúde, conduzido pela Marktest para a Medicare, revela que as mulheres são as mais afetadas pelas interrupções frequentes do sono.

Em Portugal, a maioria da população dorme o mínimo de horas recomendadas e cerca de 40% admite sofrer de interrupções noturnas, sinais de declínio da qualidade e da duração do sono. Os dados são da segunda edição do Estudo Nacional de Saúde, conduzido pela Marktest para a Medicare, que mostra ainda que as mulheres são as mais afetadas, num cenário em que se verificam elevados níveis de stress neste grupo.

A maioria dos portugueses dorme no limite inferior das recomendações internacionais para adultos: 61,3% dormem entre cinco e sete horas por noite, e 7,9% admitem dormir menos de cinco horas. Somados, estes valores revelam que quase 70% da população não ultrapassa as sete horas de sono diárias, um valor abaixo do ideal para a recuperação física e mental, que se situa entre as sete e as nove horas.

A juntar à curta duração, a qualidade do descanso é também um problema. O estudo aponta que 43% dos portugueses têm interrupções de sono frequentes. Esta perturbação é ainda mais acentuada no sexo feminino, com 49% das mulheres a admitir sofrer deste problema. A dificuldade em adormecer é outra queixa relevante, afetando 35,4% das mulheres, em comparação com 24,1% dos homens.

A falta de descanso pode estar diretamente ligada à saúde emocional, e os inquiridos demonstraram preocupações nesse sentido. O stress e a ansiedade foram identificados como a principal preocupação de saúde para 23,6% dos portugueses. Mais de metade das mulheres (55%) admite ter sentido níveis elevados de stress nos últimos seis meses, em contraste com 45% dos homens. Esta pressão reflete-se na falta de energia, apontada como a segunda maior preocupação de saúde a nível nacional.

José Almeida Nunes, médico internista, afirma que “os dados provam que continuamos a tratar o sono como um luxo, quando, na verdade, é um pilar fundamental da saúde”. Além disso, o especialista alerta que “um sono de má qualidade rouba-nos a energia diurna e abre a porta a problemas de saúde física e mental” e que “as noites interrompidas são o reflexo de dias sobrecarregados e mentes que não conseguem ‘desligar’”.

Como resposta a este desgaste, a procura por estratégias de apoio ao bem-estar é notória. A suplementação regular é um hábito para 22,1% dos portugueses, mas a adesão é particularmente elevada nas mulheres (25,8%) face a 18,1% dos homens, o que pode refletir uma maior necessidade de reforçar os níveis de energia e de gerir o impacto do stress no dia a dia.

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