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Roberta Medina: “Avancem com confiança naquilo que vos move”

Vice-presidente do Rock in Rio Lisboa e uma das vozes femininas mais influentes do entretenimento, Roberta Medina celebra o poder da ação e da intuição. Numa conversa que mistura emoção e estratégia, revela como a “santa ignorância” a ajudou a vencer obstáculos e por que acredita que o futuro das mulheres passa por confiar no próprio instinto.

Seguiu o legado do pai e está hoje à frente de um dos festivais mais aclamados do mundo da música: o Rock in Rio. Líder nata, Roberta Medina não poupou esforços para chegar onde está e conquistar o respeito do mercado, deixando para trás a sombra de uma possível influência familiar. Confessa que, sendo mulher no mundo dos negócios e do entretenimento, já sentiu que tinha de provar mais o seu valor, mas recorreu à “santa ignorância”, como lhe chama entre risos, para ultrapassar os obstáculos que lhe foram surgindo.

Fiel ao que a faz sentir bem e lhe dá confiança, deixa uma mensagem a todas as mulheres, a propósito do Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo, 8 de março: “Avancem com confiança naquilo que vos move. Acredito que muitas barreiras vão desaparecer como num passe de magia, enquanto outras serão mais resistentes, mas, somando forças com outros aliados, homens ou mulheres, todas serão ultrapassadas.”

O que é, para si, ser mulher no mundo dos negócios e do entretenimento hoje?

É ter um olhar e uma ação mais doces, mais focados nas pessoas e na experiência, com atenção ao resultado, sem esquecer o papel de cada empresa no mundo, especialmente nos negócios que lidam com a emoção, a criatividade, o subjetivo e, sobretudo, o ao vivo.

Quando percebeu que queria estar deste lado do palco, a criar experiências para milhões de pessoas?

Quando entendi o potencial que o entretenimento, a música e a cultura têm para mudar mentalidades, criar pontes e unir pessoas com ideias diferentes em prol de algo comum. O potencial de realmente alimentar o que temos de bom e, assim, fazer do mundo um lugar melhor. A Cidade do Rock mostra isso mesmo, ao vivo e a cores: milhares de pessoas de raças e crenças diferentes, com escolhas políticas e religiosas distintas, que não se conhecem, mas se respeitam e acolhem. É possível.

Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio Lisboa

Como foi construir uma carreira ao lado do seu pai, Roberto Medina?

Foi uma grande responsabilidade corresponder às expectativas e ser capaz de dar continuidade ao legado. Uma vez perguntei-lhe qual era esse legado, achando que era o Rock in Rio, e a resposta foi: “No teatro existem as pessoas que estão na plateia, aplaudindo, e as que estão no palco. Ambas são essenciais. O que eu não suporto são as que ficam na sala de espera.” Esse é o legado.

Outro é partilhar com o mundo à minha volta que “nada é impossível” e ajudar a alimentar sonhos. O sonho é esperança e é mapa, que mostra o caminho. Há outra frase dele que nos inspira diariamente aqui em Lisboa: “Portugal é do tamanho que vocês forem capazes de sonhar.”

Isto vale para todo o país. No Rock in Rio Lisboa estamos focados nisso, queremos que seja uma grande referência do verão europeu, para todos os públicos, não só os festivaleiros, e, com isso, ampliar o impacto económico do festival na economia nacional, reforçando que a cultura, como conteúdo do turismo, é uma potência neste país.

Em algum momento sentiu que, por ser mulher, tinha de provar mais o seu valor?

Claro, quem não?! Mas fui muito protegida por uma santinha especial: a “santa ignorância” (risos). Vi com clareza a quantidade de pequenas barreiras que poderiam ter-me travado muitos anos antes.

No início da minha carreira, eu estava tão focada em fazer, em corresponder, que não olhava para isso. Percebia os movimentos mais evidentes, mas achava-os ridículos e seguia em frente, sem me deixar impactar. É importante reconhecer que estive em contextos que me permitiram agir assim, e o mais importante foi o meu pai ter-me verdadeiramente empoderado. Se ele estivesse por trás, a dar ouvidos ou respostas, eu não teria tido essa oportunidade.

O Rock in Rio Lisboa criou uma ponte cultural Brasil-Portugal. Como é olhar para trás e ver esse impacto?

É incrível ver o quanto essa relação entre o Brasil e Portugal evoluiu nestes últimos 23 anos. Quando chegámos aqui, a pergunta no Brasil e no mundo era: “Porquê Portugal?” (com o nariz torcido). Agora é: “Uau, Portugal!”.

Portugal, com o impacto das novelas brasileiras, já tinha um grande conhecimento e carinho pelo Brasil, mas o contrário não acontecia. Tenho a certeza de que o Rock in Rio em Lisboa contribuiu para aproximar esses dois mundos e fazer com que o Brasil olhasse para o Portugal de hoje, e não só o de 1500.

Qual foi o maior risco que correu na carreira? Como é que isso a definiu enquanto líder?

Provavelmente, ter aceite coordenar o Rock in Rio Brasil 2001 (o evento já não acontecia no país há 10 anos e a expectativa era gigantesca). Eu não sabia nada de produção, muito menos de festivais. Foi o meu carácter e a minha atitude que fizeram com que eu começasse a jornada como “a filha de” e saísse como Roberta, com o respeito do mercado. Aprendi ali a força de acreditar no talento da equipa. Até hoje sou uma líder generalista, com um olhar macro, mas quem sabe fazer acontecer no detalhe são os especialistas. Essa relação de confiança mútua é o que faz a diferença para que, em conjunto, sejamos mais fortes e façamos magia.

Como é gerir emoções, pressão e criatividade nos dias de festival?

Paramos de respirar quando abrimos as portas e voltamos a respirar quando as fechamos (risos). Brincadeiras à parte, o segredo está num bom planeamento e na confiança de que cada uma das 14.500 pessoas que ali trabalham estão a fazer o que precisa de ser feito, e na capacidade das lideranças de responder eficazmente ao imprevisto.

Durante o festival, o nosso foco está em operar bem e usar a criatividade para encontrar soluções rápidas para o que não estava planeado. É assim comigo. De resto, há muita gente a usar a criatividade e o talento para emocionar não só quem está ali, mas também os milhões que nos acompanham à distância.

Qual é o papel da música na igualdade de género e na liberdade das mulheres?

A música carrega mensagens que conseguem entrar em nós da forma mais subtil, ultrapassa a barreira do racional. E a música potenciada por comunicação e escala consegue propor novas formas de estarmos e de nos relacionarmos no mundo.

Nos tempos livres, o que gosta de fazer?

Estar com meus filhos, família e amigos.

A imagem é importante para si?

Sim, sou super visual, por isso imagem, em qualquer tema de conversa, é relevante para mim. A Imagem cria identidade. Comunica. No que respeita à imagem pessoal, ela alimenta ou atrapalha a minha autoestima. Apesar da pressão social que, especialmente, as mulheres vivem neste aspeto, tenho tentado ser fiel ao que me faz sentir bem e me dá confiança, mesmo que esteja fora dos padrões. Mas é uma guerra constante. Não sinto que seja uma guerra ganha ainda… quem sabe com mais uns anos de maturidade (risos).

Tem algum ritual de beleza?

Bem básicos: cremes para o rosto e corpo, de manhã e à noite; vitaminas, etc., porque a beleza por dentro é tão mais importante do que por fora. Maquilhagem para o trabalho (e eventos sociais), e quando preciso de parecer com mais energia do que realmente estou.

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, que mensagem gostaria de deixar?

Ainda temos muito para evoluir, é verdade. Mas, nos dias de hoje, no Ocidente, uma parte importante da força do preconceito e das barreiras que nos aparecem por sermos mulheres está dentro de nós próprias. Avancem com confiança naquilo que vos move. Acredito que muitas barreiras vão desaparecer como num passe de magia, enquanto outras serão mais resistentes, mas, somando forças com outros aliados, homens ou mulheres, todas serão ultrapassadas

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