Tinha 16 anos quando pisou um palco pela primeira vez. O cheiro das tábuas, a noção de quanto ainda tinha para aprender e o fascínio por tudo o que envolvia aquele universo marcaram-na profundamente. Foi quando atingiu a maioridade, aos 18, que surgiu o seu primeiro desafio profissional: dar vida à personagem Catarina Fontaínhas, na telenovela Na Paz dos Anjos (1994), da RTP.
Ao longo de 32 anos de carreira, deu vida a dezenas de personagens, desde Celeste do magazine educativo Jardim a Bárbara da telenovela Jura. Por cumprir estão ainda muitos sonhos que Ana Brito e Cunha partilha na primeira pessoa.
Quando e como surgiu o “bichinho” da representação na sua vida?
Desce muito cedo. Desde criança que sempre brinquei aos teatros, fiz parte do teatro da escola, aos 16 anos integrei um grupo de teatro amador e participei num musical alentejano, “Um Dia no Alentejo”. Aos 18 anos surgiu o primeiro desafio profissional, com o casting para a telenovela “Na Paz dos Anjos”, da RTP.

Que recordações guarda dos seus primeiros projetos de teatro?
O cheiro das tábuas, a noção de quanto ainda tinha para aprender e o fascínio por tudo o que envolvia aquele universo marcaram-me profundamente. A encenação foi de Manuel Coelho, numa produção do Teatro Nacional D. Maria II, e estreámos na sala da Casa do Artista. O Teatro Armando Cortes tinha, para mim, um significado muito especial, pois foi um dos meus mestres e acompanhei de perto toda a construção da Casa do Artista. Foi uma peça com Fernanda Borsatti, que representou um verdadeiro marco no meu percurso.
Olhando para a vasta lista de novelas e séries, qual personagem mais a marcou e porquê?
Várias. A Celeste do Jardim, sem dúvida, pois acabou por se tornar uma verdadeira instituição. A Bárbara de Jura, por ser uma personagem que me ajudou a crescer como artista, a aprender a dizer não e a defender a personagem e que ainda hoje é recordada pelo público. Na verdade, tenho um carinho especial por muitas delas.
Como compara a experiência de trabalhar para televisão, teatro e cinema? Há algum meio em que se sinta mais realizada?
São métodos diferentes. São abordagens de entrega ao público muito distintas, o que me obriga a desenvolver uma grande elasticidade no trabalho. É muito difícil escolher, mas confesso que o palco tem um sabor único.

Que balanço faz destes 32 anos de carreira?
Um balanço feliz pelo percurso, pelas pessoas com quem me cruzei e por tudo o que aprendi, com a consciência de que nesta profissão não somos sempre iguais: umas vezes estamos melhor, outras pior, mas existe sempre a oportunidade de melhorar, de ser diferente, e isso é muito bom.
Que aprendizagens retira destes 32 anos de carreira?
Que todos os dias podemos ser melhores. Que falhar não tem de ser destrutivo; pelo contrário, é no erro que podemos crescer e tornar-nos melhores. Um pouco como na vida.
Que obstáculos teve de ultrapassar para construir esta trajetória em Portugal?
Saber aceitar a minha verdade e a minha essência e não perder tempo com o que os outros acham ou pensam.

O que ainda a inspira depois de tantos papéis e histórias?
As pessoas.
Em algum momento pensou desistir?
Nunca.
Como lida com a pressão e a exposição mediática?
É difícil, mas não dou grande espaço a isso. Procuro viver focada nos valores que a minha mãe me transmitiu.

A moda sempre fez parte da sua vida?
Sim, de alguma forma, sempre me expressei bastante através do que visto. Sempre gostei da estética e da diferença.
Como nasceu o projeto Bambolina e qual o seu propósito?
A Bambolina nasceu da vontade de criar algo paralelo à minha vida de atriz, que me pudesse proporcionar trabalho quando não estou em cena. Já produzimos espetáculos, demos formação e criámos inúmeros figurinos e peças diferentes e exclusivas. Atualmente, estamos a desenvolver um atelier criativo de luxo, onde transformamos o velho em novo e não só, naturalmente.
Além de fundadora, que papel desempenha neste projeto?
Faço a gestão e toda a parte criativa. Neste momento, tenho uma equipa sólida que me ajuda a dar mais qualidade às loucuras criativas a que nos propomos.

Há algum conselho que gostasse de ter recebido no início de carreira e que hoje transmitiria a jovens atrizes?
E que transmito! Não tenham pressa e os “nãos” são a força para a conquista.
Que sonhos restam cumprir profissionalmente?
Muitos, um deles é o Almodóvar, claro.