No mês do Dia Internacional da Mulher, destacamos o trabalho e a dedicação de mulheres que tentam fazer a diferença, todos os dias. Através do ativismo, da comunicação, da sensibilização, do exemplo e da justiça social, levantam as suas vozes em nome das causas que defendem, mudando o mundo para melhor. Conheça-as, siga as suas ações e deixe-se inspirar por elas.
1| Inês Marinho
CIDADANIA E SEGURANÇA DIGITAL
Inês Marinho tinha 21 anos quando descobriu que um vídeo íntimo seu estava a ser partilhado, sem o seu consentimento, em grupos de Telegram, Reddit e Twitter, além de ver fotografias suas, publicadas em biquíni nas redes sociais, a circular fora do seu controlo. Este foi um momento determinante: em vez de se deixar dominar pela dor e pelo constrangimento, decidiu transformar a sua experiência numa causa, tornando-se numa voz ativa na luta contra a violência digital e a partilha de conteúdos íntimos sem consentimento. A partir daí, Inês passou a falar publicamente sobre o que viveu e a chamar a atenção para os direitos das vítimas, assumindo um papel relevante na educação para a segurança online. A sua abordagem combina experiência pessoal, empatia e informação prática, sendo comum, nos seus discursos, desafiar estigmas e narrativas que culpabilizam as vítimas. Foi neste contexto que fundou a associação Não Partilhes (@naopartilhes), que apoia vítimas de crimes digitais, promove a literacia digital e desenvolve diversas ações de educação e de sensibilização, como palestras, workshops e sessões educativas, em escolas, empresas, casas de acolhimento temporário e diversas comunidades, abordando temas como violência sexual com base em imagens, cidadania digital e prevenção da violência, entre outros. Com o seu trabalho, Inês continua a transformar experiências difíceis em impacto social, ajudando milhares de pessoas a protegerem-se e a enfrentarem os desafios do mundo digital, de forma mais segura e consciente. Acompanhe-a em @marinhsss.
2| Francisca de Magalhães Barros
DIREITOS HUMANOS E COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Na sua página de Instagram, apresenta-se como “um lótus dos direitos fundamentais”, ativista, cronista e pintora. Presença ativa nas redes sociais, Francisca optou por transformar experiências pessoais difíceis numa força para lutar pelos direitos das mulheres, das crianças e de outros grupos vulneráveis. Desde cedo confrontada com realidades de violência e desigualdade – tendo sido, também, vítima de violência doméstica – encontrou na denúncia pública e na ação cívica uma forma de combater o silêncio e a normalização da violência de género. A sua abordagem alia coragem, empatia e informação prática, desafiando estigmas e discursos que tendem a minimizar ou a relativizar a violência doméstica e o abuso infantil ou dos mais vulneráveis, utilizando a sua voz para expor situações de injustiça, alertar para falhas no sistema de proteção às vítimas e promover uma maior literacia social e jurídica. Para além da intervenção digital está, frequentemente, envolvida em ações de sensibilização em escolas e diversas comunidades, campanhas de solidariedade civil e programas educativos, mostrando que é possível transformar dor e indignação em mudança concreta e impacto positivo. Entre as suas iniciativas, destaca-se a participação em várias petições públicas que visam reforçar a legislação contra a violência sobre as mulheres, como é o caso da petição “Contra a violência sobre as mulheres”, que reuniu mais de 200 mil assinaturas, entre as quais, as de personalidades como Manuela Ramalho Eanes, ex-primeira-dama de Portugal e defensora de causas sociais, reforçando a importância de unir vozes na luta por direitos e justiça. Esta petição foi um dos elementos que contribuiu para o debate e o avanço legislativo para tornar a violação um crime público. Saiba mais sobre a ativista em @franciscademagalhaesbarros.
3| Joana Guerra Tadeu
SUSTENTABILIDADE E JUSTIÇA CLIMÁTICA
