Três mulheres, vinte personagens e muitas gargalhadas: assim se apresenta Agora É Que São Elas!, a comédia escrita e encenada por Fábio Porchat que, depois de temporadas esgotadas no Brasil, atravessou o Atlântico para conquistar o público português. No palco, Maria Clara Gueiros, Júlia Rabello e Priscila Castello Branco dão vida a nove sketchs (peças curtas que contam histórias em torno de uma situação específica com início, meio e fim) que revisitam situações do quotidiano e levantam reflexões sobre política, comportamento e sociedade, sempre com humor afiado e espaço para improviso.
O espetáculo estreou em Portugal no dia 18 de setembro, em Leiria, e já passou por Lisboa no dia 20 de setembro. Hoje, dia 23, apresenta-se no Porto, no Teatro Sá da Bandeira, e continuará depois para Braga (24 de setembro), Caldas da Rainha (25 de setembro), Portimão (27 de setembro) e Águeda (28 de setembro).
A LuxWoman falou com Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco sobre esta montagem que resgata o género dos sketchs, lembrando o sucesso dos anos 1990, e onde o riso abre caminho para a reflexão. Entre a leveza e a crítica, as duas comediantes partilham o entusiasmo de estrear em Portugal e de levar ao palco um humor que, como bem resume Fábio Porchat, “elas não só interpretam, mas melhoram.”
Como surgiu o convite para fazer esta peça?
Maria Clara Gueiros: O Fábio ligou-me e convidou-me para fazer esta peça com sketchs antigos que ele tinha e eu aceitei logo! Ele queria revisitar esse estilo de teatro, típico dos anos 90, início dos anos 2000 no Brasil.
Priscila Castello Branco: Uma vez, estava a conversar com o Fábio e falávamos de teatro, de como era bom fazer teatro e que já há algum tempo que nenhum de nós fazia, além de Stand up. E no meio da conversa pensámos na possibilidade de criar uma peça. Uma semana depois, o Fábio apareceu com vários sketchs que ele tinha guardados. Sketchs que ele tinha escrito há 20 anos. Eu adorei os sketchs e ele disse: “Vamos montar?”. Depois de um mês já estávamos com o elenco e produção prontos, só faltava dar início aos ensaios.
Fábio Porcha com Maria Clara Gueiros, Júlia Rabello e Priscila Castello Branco ©Pino Gomes
Como foi trabalhar com Fábio Porchat?
Maria Clara Gueiros: É um privilégio, pois o texto do Fábio já vem pronto, já vem engraçado e ele, como diretor, sabe exatamente o que fazer para o texto brilhar ainda mais.
Priscila Castello Branco: Adoro fazer uma peça do Fábio porque admiro muito o trabalho dele. Confio 100% na visão e no humor dele. Então é só alegria.
É importante a exploração deste tema, da questão do género? Porquê?
Maria Clara Gueiros: Na verdade, no nosso espetáculo a questão de género é trabalhada de uma maneira muito inteligente. Nós interpretamos indistintamente homens, mulheres, crianças… O importante é o assunto que estamos a falar e o humor que tem no texto.
Priscila Castello Branco: Eu não diria, exatamente, que exploramos géneros na peça. Apenas mostramos situações quotidianas. Tirando duas cenas específicas, nas outras a questão de género não muda o sentido da cena que está a ser contada. E acho que é mais sobre isso. Poderia ser um homem ou uma mulher. Tanto faz o género.
Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco ©Pino Gomes
O humor também pode explorar questões sérias?
Maria Clara Gueiros: Com certeza! O humor é uma ferramenta muito importante para levar o público a pensar em questões sérias.
Priscila Castello Branco: Acredito que o humor possa explorar coisas sérias, coisas dramáticas, coisas delicadas, a questão é mais sobre como explorar! Em assuntos sérios, penso que o humor deve ser trabalhado com mais cautela, mais cuidado. Mas umas das coisas mais brilhantes do humor pra mim, justamente, é poder falar sobre qualquer assunto.
É difícil fazer humor?
Maria Clara Gueiros: É difícil, pois é preciso dominar a linguagem do humor, o famoso “timing” da comédia. Se o texto e os atores não estiverem afinados, a piada não acontece.
Priscila Castello Branco: Acho desafiante fazer humor, mas é um desafio que adoro. Arrancar o riso de uma pessoa não é assim tão simples, depende de um certo timing que não é para toda a gente. Porém, fazer rir é a coisa mais satisfatória do mundo.
Segundo o Fábio, “a peça é despretensiosa”. Concordam?
Maria Clara Gueiros: Concordo totalmente. Falamos de situações comuns do quotidiano e o nosso objetivo é divertir, pois a plateia identifica-se facilmente com as situações.
Priscila Castello Branco: A peça é super despretensiosa. Rimos de situações quotidianas, situações que toda a gente se pode identificar e conversamos, durante o espetáculo, sobre histórias nossas, pessoais. Então é um momento leve e divertido. É pra ir, rir e sair com a alma lavada.
Maria Clara Gueiros, Priscila Castello Branco e Júlia Rabello ©Pino Gomes
Foi desafiante, este projeto? Em que sentido?
Maria Clara Gueiros: É desafiante, pois temos sempre que manter o frescor do texto e o ritmo das piadas.
Priscila Castello Branco: Acho que fazer humor é sempre um desafio, ainda mais quando temos de interpretar várias personagens totalmente diferentes. Tenho que estar sempre 100% no palco para dar vida a todas as personagens, o ouvido sempre atento não só para as minhas colegas de cena mas também para a plateia. No humor a plateia é sempre um termómetro.
Que mensagem querem passar ao público, com este texto de Fábio Porchat?
Maria Clara Gueiros: Acredito que a mensagem seja levar o público a ver que tudo pode ser pensado pela ótica do humor.
Priscila Castello Branco: A mensagem que queremos passar, pra mim, é sejam felizes nesses 80 minutos! Se não se identificarem com alguma das personagens, conhecem alguém assim. Desliguem os telemóveis e divirtam-se.
É a primeira fez que representam em Portugal?
Maria Clara Gueiros: Amo Portugal, mas nunca fiz teatro aqui. Vai ser minha primeira vez. Estou muito animada!
Priscila Castello Branco: Já tinha feito Stand Up Comedy em Portugal e amei. É muito giro estar num país diferente e falarmos a mesma língua. Portugal conhece muitas referências nossas e é sempre acolhedor. Além da comida maravilhosa que não vejo a hora de saborear.
Como é trabalhar com o público português?
Maria Clara Gueiros: O público português é sempre receptivo com os artistas brasileiros. Isso é uma alegria pra nós. Acredito que o público vai gostar bastante!
Priscila Castello Branco: Como ainda não fiz muita coisa em Portugal, talvez duas apresentações de Stand Up Comedy acredito que ainda tenho muito o que conhecer do público português! Estou ansiosa porque só ouço coisas maravilhosas do público português.
A peça esgotou salas no Brasil. Esperam igual sucesso em Portugal?
Maria Clara Gueiros: Com certeza! Estamos muito felizes com o sucesso da nossa peça no Brasil e tenho a certeza de que será um sucesso também em Portugal.
Priscila Castello Branco: Espero que esgotemos tudo em Portugal e que voltemos sempre. Tenho a certeza de que será um “match” perfeito!



