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Entre o desejo e a pressão: o outro lado do Dia da Mãe

O Dia da Mãe chega, quase sempre, com flores, desenhos que nos pintam a alma e pequenas mensagens escritas, onde cabem erros ortográficos e palavras rasuradas, que, ainda assim, nos enchem de orgulho. Prémios que vamos espalhando pela casa, até ficarmos sem espaço. Ser mãe pode ser uma experiência profundamente feliz, mas nem todas as mulheres se reveem nessa narrativa: para algumas, a data traz pressão e, para outras, reacende a dor da infertilidade. Neste primeiro domingo de maio, tenha isso em mente.

A maternidade sempre nos foi apresentada como um destino quase inevitável na vida das mulheres, uma extensão natural da identidade feminina. Apesar das transformações sociais, essa expectativa continua a manifestar-se, muitas vezes, de forma subtil, nas conversas, nos olhares e nas perguntas aparentemente inofensivas. Mas… e quando a maternidade não é um desejo? Ou quando é um sonho que esbarra na infertilidade? No lado B do Dia da Mãe, há histórias feitas de dúvida, pressão, perda e coragem, vivências que desafiam a norma e que pedem espaço para existir sem julgamento. Entre o que se espera e o que se vive, existe um espaço silencioso, muitas vezes, invisível, onde cabem dúvidas, frustrações e escolhas profundamente pessoais. É sobre esse lado menos falado que também importa abrir conversa. A psicóloga clínica Catarina Martins ajuda a compreender os silêncios, os conflitos e a necessidade de legitimar diferentes caminhos.

Apesar das mudanças sociais, a maternidade continua a ser vista quase como inevitável na vida de uma mulher. Por que razão esta expectativa ainda é tão forte?

Acredito que ainda é assim, porque, durante muito tempo, a identidade feminina foi construída em torno da maternidade e do cuidar. Mesmo com mudanças sociais importantes, estas ideias continuam muito presentes, mesmo que, por vezes, de forma implícita. Não é algo que se diga diretamente, mas que se transmite nas conversas, nas expectativas familiares e na forma como olhamos para o percurso de vida de uma mulher.

E de que modo estas expectativas sociais influenciam a forma como as mulheres pensam o seu projeto de vida e as suas decisões sobre a maternidade?

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