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Gripe Pediátrica, o inimigo silencioso

Regressa todos os anos e as consequências são conhecidas de todas nós: noites mal dormidas, faltas à escola e ao trabalho, reorganização de agendas pessoais e profissionais e, com tudo isto, impactos que vão muito para além da saúde… Falámos com Cláudia Vicente, coordenadora do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP), da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), sobre isto e muito mais…

Muitas vezes desvalorizada, a gripe nas crianças pode traduzir-se num problema de grandes repercussões. Com um impacto que vai muito para além da saúde, obriga a um malabarismo assegurado, na maioria das vezes, pela mãe, quando não há avós que possam tomar conta das crianças. Isto significa absentismo escolar e falta ao trabalho. Além de tudo isso, gera, ainda, preocupação numa casa onde haja bebés ou pessoas de idade.

Este ano, há novidades relevantes: a Direção-Geral da Saúde passou a recomendar a vacinação contra a gripe para todas as crianças até aos cinco anos, sendo gratuita até aos dois anos, e introduziu uma vacina intranasal, menos invasiva e mais fácil de aceitar pelas crianças. Mudanças que representam um avanço significativo na proteção da saúde familiar.

CLÁUDIA VICENTE, EM ENTREVISTA

Como surge a gripe nas crianças? Muitas pessoas, principalmente, os avós, continuam a acreditar em ideias como sair à rua com cabelo molhado no inverno ou apanhar uma corrente de ar… Como podemos desmistificar isto?

A gripe é uma infeção respiratória, causada pelos vírus influenza (sendo os tipos A e B responsáveis pelas epidemias sazonais). Transmite-se, sobretudo, por gotículas respiratórias (tosse/espirro) e aerossóis. A transmissão por gotículas requer que o indivíduo suscetível esteja a uma proximidade igual ou inferior a 2 metros da pessoa infetada. A transmissão também pode ser feita de forma indireta, por contacto com superfícies contaminadas – não por frio, cabelo molhado ou “correntes de ar”. Esses mitos vêm da associação histórica entre tempo frio e maior número de casos: no inverno, as pessoas estão mais juntas em espaços fechados e o sistema imunitário pode ficar ligeiramente mais vulnerável, mas o frio, por si só, não causa gripe.

Há alguma idade em que seja conveniente termos mais cuidado?

Sim, no geral, diria que são as faixas etárias que estão nos extremos. Os mais novos e os mais velhos. As idades de maior risco para desenvolver formas graves são: crianças pequenas, com menos de cinco anos, especialmente, com menos de dois anos (sendo que, neste grupo, ainda há a destacar as crianças entre os seis e os 12 meses).

A população pediátrica, em geral, é considerada um alvo estratégico para a vacinação, dado que existem altas taxas de hospitalizações, segundo um estudo feito em Portugal, entre 2008-2018, cerca de 41,3 casos/100.000 com menos de cinco anos. São, ainda, um importante vetor primário de transmissão do vírus na comunidade. Merecem, também, atenção as pessoas com 65 anos e acima, devido à alta carga de doença grave, complicações, hospitalizações e mortalidade. Há, ainda, que ter especial atenção com as pessoas com doenças crónicas/ imunossupressão, como, por exemplo, doenças oncológicas, doenças respiratórias crónicas (ex: DPOC) e insuficiência cardíaca ou diabetes. As mulheres grávidas são outro grupo de risco para formas graves de gripe e a vacinação é recomendada, pois protege, também, o bebé (abaixo dos seis meses, que não pode ser vacinado) através da transferência de anticorpos maternos.

Com os bebés, por exemplo, que cuidados devemos ter, de forma a prevenir melhor a doença? E nas crianças?

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