Começar uma empresa nunca é fácil. Um sonho muito esperado torna-se, por vezes, um pesadelo para quem lidera, ficando sobrecarregado ao assumir diversas funções, principalmente numa fase inicial, em que a possibilidade de contratar ajuda não existe.
Amanhã, 27 de junho, assinala-se o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas. Para Paula Delgado, Mentora e Consultora em Felicidade, Bem‑Estar e Gestão da Mudança, esta data é uma oportunidade para chamar a atenção para uma realidade menos visível do tecido empresarial português: em muitas microempresas, o CEO acumula os papéis de financeiro, comercial, operacional e gestor de pessoas.
Esta sobrecarga continua a ser uma das maiores fragilidades silenciosas da liderança em estruturas pequenas: “Em muitas microempresas, o líder não tem tempo para liderar. Está ocupado a vender, a resolver, a decidir, a acompanhar a equipa e a garantir que tudo acontece. Quando esta lógica se prolonga, o impacto sente-se no bem-estar, na qualidade da liderança e na sustentabilidade do próprio negócio”, afirma.
Paula Delgado, Mentora e Consultora em Felicidade, Bem‑Estar e Gestão da Mudança
Além disso, a especialista defende que este dia é uma oportunidade para empresas, marcas e organizações partilharem mensagens que reconheçam o peso real de quem lidera estruturas reduzidas e mantém a atividade a funcionar com recursos limitados. Humanizar a conversa sobre trabalho e liderança é tão importante como celebrar crescimento, inovação ou resultados.
“Numa microempresa, a acumulação de papéis não é apenas uma questão de organização. É uma questão de exaustão, saúde emocional, cultura interna e capacidade de adaptação. Quando o CEO vive em sobrecarga permanente, a empresa tende a funcionar em modo reativo, com menos clareza, menos capacidade de delegação e menor disponibilidade para gerir a mudança e ser estrategicamente competitiva”, reforça a consultora e mentora.
Na sua perspetiva, pequenas mudanças podem ter um impacto real no bem-estar e na forma como se lidera no dia a dia. Por isso, anote estes cinco passos, simples mas eficazes:
1| Definir uma hora de fecho real para o trabalho
Mesmo em contextos exigentes, criar um limite mínimo ajuda a impedir que a empresa ocupe todas as horas do dia e evita que o trabalho continue a entrar em casa, contaminando o tempo pessoal e familiar.
2| Reservar tempo semanal para pensar, e não apenas executar
Bastam 30 minutos sem interrupções para recuperar clareza, reforçar o pensamento estratégico e crítico, rever prioridades e sair do modo urgência.
3| Distinguir o que só o líder pode fazer daquilo que já pode delegar
Muitas tarefas continuam centralizadas por hábito e não por necessidade.
4| Criar pequenas rotinas de bem-estar ao longo da semana
Pausas curtas, refeições sem ecrãs, caminhar alguns minutos ou respirar antes de uma decisão difícil são gestos simples com efeito acumulado.
5| Pedir apoio antes do limite
Recorrer a mentoria, consultoria ou redes de pares pode evitar que a solidão da liderança se transforme em bloqueio ou exaustão.
“Nas microempresas, cuidar do bem-estar de quem lidera é também cuidar da empresa. Porque quando o líder vive em permanente sobrecarga, o negócio acaba por refletir esse desgaste”, conclui Paula Delgado.