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Eneagrama, a ferramenta para compreender quem somos

Sofia Santos Rodrigues, psicóloga e autora do livro Conhece-te a Ti e aos Outros com o Eneagrama, explica como o Eneagrama pode ajudar a compreender padrões de comportamento, fortalecer relações e promover um crescimento pessoal mais consciente e equilibrado.

Porque reagimos de uma certa maneira perante determinadas situações? Porque nos sentimos tão diferentes — ou, por vezes, tão parecidos — com as pessoas à nossa volta? Estas e outras perguntas encontram respostas no Eneagrama, uma ferramenta de autoconhecimento com raízes ancestrais que ajuda a compreender os nossos padrões de pensar, sentir e agir.

A psicóloga Sofia Santos Rodrigues, com duas décadas de experiência clínica, dedica-se há vários anos a explorar e ensinar esta abordagem, tanto em formação como no acompanhamento terapêutico. No seu livro Conhece-te a Ti e aos Outros com o Eneagrama, propõe um guia prático que cruza o olhar da Psicologia com a sabedoria do Eneagrama, convidando o leitor a uma viagem de autodescoberta e crescimento consciente.

Sofia Santos Rodrigues. Créditos: Mariana Abreu

À conversa com a LuxWoman, a especialista explica como esta ferramenta pode ajudar-nos a compreender melhor a nós próprios e aos outros, a fortalecer relações e a promover um desenvolvimento pessoal mais equilibrado e empático.

O que é um Eneagrama?

O Eneagrama é uma ferramenta de auto e heteroconhecimento, com origens ancestrais, que serve para nos conhecermos melhor a nós próprios e aos outros, adquirindo pontos de referência em relação ao nosso tipo de personalidade. Ennea significa nove e gramma quer dizer algo escrito ou desenhado. Representa nove tipos de personalidade ou padrões de pensar, agir e sentir que podemos manifestar ao longo da vida.

Para que serve?

Serve para a melhoria do desenvolvimento pessoal, para identificar pontos fortes e fracos, e tem como aspecto diferenciador o facto de dar pistas sobre como fazer um caminho de crescimento (que, na linguagem do Eneagrama, se chama caminhos de integração) e sobre quais os sinais de alerta a ter em atenção em situações de maior desequilíbrio, designadas por caminhos de desintegração. Serve também para a melhoria das relações interpessoais e para lidar melhor com desafios relacionais. Ajuda a compreender melhor as nossas sombras, a aceitar-nos melhor a nós próprios e aos outros, e a encontrar sentido e propósito.

Quando e como é que esta ferramenta entrou na sua vida profissional e pessoal?

O Eneagrama entrou na minha vida há cerca de 20 anos, quando ainda era estudante de Psicologia. Como fiz o curso com vários amigos, tivemos muitas conversas sobre o tema, que enriqueceram a compreensão de nós próprios e dos outros. Há cerca de sete anos, fui convidada a dar cursos de formação em Soutelo e comecei, desde então, a utilizá-lo na prática clínica como ferramenta de trabalho. Existe um certo fascínio quando se contacta com o Eneagrama, porque está relacionado com os nossos hábitos quotidianos, o que o torna muito tangível e interessante de explorar.

Enquanto psicóloga, de que forma integra o Eneagrama no trabalho com crianças, jovens e adultos?

O Eneagrama é sobretudo utilizado com jovens adultos (entre os 20 e os 35 anos) e com adultos a partir dos 35 anos. Considera-se que é mais útil a partir dessas idades, pois é mais fácil refletir sobre si próprio e há mais maturidade emocional. Integro-o na prática psicológica sobretudo quando é necessário trabalhar questões de orientação vocacional, autoconhecimento ou quando os adultos pedem especificamente alguma ferramenta de desenvolvimento pessoal.

É uma ferramenta que costuma recomendar às pessoas com quem trabalha? Em que situações faz mais sentido recorrer ao Eneagrama?

É preciso alguma disponibilidade e vontade para utilizar esta ferramenta. Faz mais sentido quando não é feito em crise desenvolvimental (separações, divórcios), mas como aumento de consciência das nossas características para crescer com consciência e aumentar a maturidade emocional.

Quais os principais benefícios?

Os principais benefícios estão relacionados com a melhoria das relações interpessoais e com a ajuda no mapeamento dos pontos fortes e fragilidades. Na prática clínica, apoia a reflexão sobre processos conscientes e inconscientes, a libertação de crenças limitadoras, a responsabilização do cliente pelo seu processo de cura e a melhoria da comunicação em contextos familiares e profissionais. Tem também benefícios ao nível do aumento da autocompaixão e da empatia.

Ao nível do trabalho, é usado para aumentar a autoconsciência, compreender padrões de comportamento e melhorar as relações no contexto laboral.

Para quem nunca usou esta ferramenta, por onde aconselha começar?

Aconselharia a frequentar um curso de fim de semana, para depois estar mais apto a descodificar os livros e a linguagem do Eneagrama. Também se pode começar pela leitura, mas o apoio especializado para discernir qual o padrão ou tipo de personalidade parece-me essencial.

Há alguma prática simples ou primeira reflexão que sugira para começarmos a observar os nossos padrões?

No livro que escrevi existem vários exercícios de ação-reflexão que estimulam esse processo. Nos cursos, antes de qualquer conhecimento teórico sobre o Eneagrama, costumo pedir que relatem uma situação difícil que conseguiram ultrapassar recorrendo a uma ou mais qualidades ou pontos fortes. É importante, antes de mais, ativar esses processos que sustentam os comportamentos e recordar situações passadas.

Em que áreas da vida sente que o Eneagrama tem mais impacto: vida pessoal, relações, carreira, equipas de trabalho?

A partir dos vários testemunhos, sobressai sobretudo o impacto ao nível pessoal e das relações.

Pode partilhar algum exemplo de transformação que tenha acompanhado através deste trabalho?

Sim. Um exemplo é o de uma pessoa que tomou consciência do seu forte evitamento da dor e, a partir daí, conseguiu encarar melhor as suas sombras e melhorar o seu estado depressivo. Segundo a própria, a consciência da sua necessidade constante de estímulo e da impulsividade em iniciar projetos inviáveis gerava grande frustração, bem como a dificuldade em terminar tarefas por se cansar rapidamente. Não percebia que este padrão de funcionamento estava na origem do seu mal estar emocional. O processo de fazer escolhas mais alinhadas às suas necessidades e conseguir abrandar levou a que ganhasse mais estabilidade e conseguisse relacionar-se consigo mesma de uma forma mais compassiva.

Livro “Conhece-te a Ti e aos Outros com o Eneagrama”

Porquê trazer este tema para um livro? Que lacuna sentiu que ainda não estava preenchida pelos livros de Eneagrama já existentes?

O desafio surgiu com a intenção de criar um livro que fizesse a ponte entre o Eneagrama e a Psicologia. Embora existam contributos vindos da psiquiatria, senti que ainda faltava aprofundar essa ligação e, sobretudo, valorizar a vertente construtivista do Eneagrama: o seu potencial de desenvolvimento pessoal. Esta ferramenta permite tornar visíveis processos internos que muitas vezes são invisíveis, dar nome ao universo simbólico de cada pessoa e indicar caminhos de crescimento. Na formação, costumo apresentar vários livros e refletir sobre o contributo específico de cada um; ao escrever este livro, procurei também integrar a minha própria visão, reunindo aquilo que considero mais relevante de cada abordagem e colocando-o ao serviço do crescimento pessoal e psicológico.

A quem se destina o livro Conhece-te a Ti e aos Outros com o Eneagrama?

A todas as pessoas interessadas em desenvolvimento pessoal, curiosas e disponíveis para um processo de autoconhecimento.

O que espera que os leitores levem deste livro para a sua vida do dia a dia?

Espero que o utilizem como uma oportunidade de crescimento pessoal, desenvolvendo maior autocompaixão e empatia consigo próprios. Que ganhem mais consciência dos pensamentos automáticos, dos sentimentos desregulados, de si mesmos e dos outros, promovendo uma maior maturidade emocional e um crescimento com propósito.

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